21.8.13

quebradeira de Sylvio Fraga Trio


Não sei, mas antes de dar o play no disco do Sylvio Fraga Trio minha cabeça sugeria um trio de cama jazzística, ondas brasileiras, como muitos que pipocaram nos últimos anos por aí relendo Jobim e tais. Mas, em segundos, fui atropelado por uma valsa quebrada e minhas expectativas - ainda bem - foram parar longe. Bem longe. Senti que estava de cara para uma música desafiadora, na melhor definição que essa palavra pode ter. E quando começava a me acostumar com aquele desconforto rítmico, a música se deitou e entrou em outro clima totalmente diferente. Para um amante do rock progressivo e das artimanhas desse tipo de estilo como eu, não pude deixar de vibrar. Assim é "Máquina do Tempo/Bola de Feel Gude", faixa que abre Rosto, o álbum de estreia do grupo - que tem, além de Sylvio no violão, na guitarra e na voz, Marcio Loureiro no baixo e Mac William Caetano na bateria - e que pode ser vista nesse vídeo aí em cima, com participação de José Arimatéa. Pra nossa sorte, tem muito de Tom, tem coisas de Milton, quebradas do Avishai Cohen Trio e quem sabe até estripulias de Yes e King Crimson. É prato cheio pra quem quer ouvir tempos tortos, harmonias dissonantes e canções caprichadas, bem acabadas, com letras cheias de poesia (Sylvio é poeta) e embaladas num power trio com identidade forte e não dissolvido em instrumentações de piloto automático, com medo da pressão. Um disco de contornos detalhados: a linha de baixo de "Norte", a levada de "Sanhaço" com as pausas, as marcações de "Nova Três" e o coro que canta "Circus" no fim do disco estão aí para provar. Dá gosto ouvir uma música com um instrumental que pulsa com vida e uma voz que se coloca na medida. E o melhor: com frescor e brilho.



E pra quem é do Rio, hoje tem show de lançamento no Studio RJ.

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