12.3.12

top três

E os discos que estão no topo aqui. Vamos lá.


Home Again, de Michael Kiwanuka. Por aqui já era o mais esperado do ano até agora e não decepcionou. Talvez Kiwanuka seja o grande nome do soul em 2012. Como falei lá no Epístolas, num papo com o Tex, e reproduzo aqui, o que me chamou atenção foi que ele não é descaradamente retrô (Saadiq); não é açucarado (Maxwell); não é espafalhatoso e com vocais negróides (Cee Lo); não é divertido e ensolarado (Mayer) e nem modernão (Jamie Lidell). Kiwanuka traz uma coisa do violão, do Richie Havens, do Bill Withers. Não tem explosão, tem sensibilidade, lirismo. Veio pra ficar. Baita disco.


Chão, de Lenine. Ainda não tinha chegado nesse novo, apenas lido por aí sobre o conceito, a jogada da música concreta, a formação reduzida só com Tolstoi e, pela primeira vez?, o filho Bruno. A primeira faixa, que dá nome ao álbum, bateu de primeira. É um som muito novo, embora mantenha a identidade - e os clichês pro bem - de Lenine. O fio que conduz é o violão quebrado, a sensação de música intensa. Ao longo do disco também esbarramos com aquele bom gosto para baladas ("Amor é pra quem ama", "Uma canção e só"). A veia rocker de sempre aparece em "Se não for amor, eu cegue" com um riff grudento.  Não é catchy, é experimental. Não tem apelo pop, aquele single de cara. Tudo isso harmonizado com  passos no chão, coração batendo, motoserra e outros ruídos. A única que não ganha um elemento desses é a espetacular "Tudo que me falta, nada que me sobra". Entre as tentativas de sair do mesmo que rondaram os álbuns de Lenine e o de Gal com Caê, não tenho dúvidas que fico com o primeiro. O segundo, que voltou numa discussão no último sábado com amigos, me parece muito conceito para pouca música. O do pernambucano é pra se escutar numa tacada só, do início ao fim, num tempo que bate a marca de 28 minutos em dez músicas. Há uma sensação de obra perfeita no final de tudo. A turnê começa no Recife no próximo dia 16, depois vem pro Rio, e mantém o formato: Lenine, Bruno e Tolstoi apenas. Será ainda curioso ver como as músicas antigas entrarão na nova onda. 


Esse apareceu ontem, depois que vi lá no Lúcio. Perfume Genius na verdade é banda de um homem só. Mike Hadreas faz algo próximo de James Blake e Jamie Woon. Tem muito teclado, músicas calmas, ambientações e uma voz frágil, com muito falsete. Depois falo mais dele.


Nenhum comentário: