22.3.12

LNN no RIO


Lenine chegou com o seu Chão anteontem ao Rio. Havia uma curiosidade, pelo menos da minha parte, de como aquele conceito do disco funcionaria no palco - e ainda ao lado de músicas de outras épocas. O pernambucano é um desses inquietos, isso a gente sabe, mas Chão ainda brincou com música concreta e não tem bateria, não tem - digamos - uma banda por trás. O tratamento é outro e com Lenine acompanhado apenas de seu filho Bruno e de  Tolstoi, seu companheiro de longa data no palco. Os dois revezam entre guitarrras, baixos, teclados e samplers. A comunicação no palco é muito forte, entre os músicos e entre as programações. Em Jack Soul Brasileiro, por exemplo, Lenine grava três ou quatro violões em sequência, um em cima do outro, para então começar a cantar.

A turnê, que começou em Recife sexta passada, agora segue pelo Brasil e tem um esquema de som com caixas instaladas na plateia. Dessas caixas saem os ruídos e efeitos que têm adornado as músicas novas e também outras da carreira. Um passo ainda mais experimental e caindo de cabeça no conceito seria apresentar o álbum na íntegra de uma vez só. Trinta minutos de uma tacada só, como é o disco. Mas aí o público que não tem embarcado na ideia seria ainda maior. De forma inteligente, Lenine separou o repertório por blocos -- três do novo e umas antigas e por aí vai.

Eu assistia o show ao mesmo tempo em que pensava se tem alguém no Brasil, hoje, com tanto carinho e cuidado com uma obra. Não é só gravar e levar para o palco, a coisa com Chão é quase artesanal. São muitos detalhes em cena. É um show diferente. Num encontro rápido na passagem de som, Lenine falou que muita coisa sensorial ficou apenas com o cinema, que os shows haviam perdido algo nos últimos tempos, ficando em uma forma muito básica.

A foto de Lenine com um arco e flecha invisível é do Diego Padilha, amigo e integrante da nossa equipe lá do tocavideos. Essa flecha do Lenine não está acertando todo mundo, mas isso acontece com qualquer trabalho que quebre expectativas. A ideia é levar para o palco uma experiência que vai além. É ver, ouvir e sentir. Inovar é importante e nesse caso estou do lado de quem abraçou.

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