28.3.12

Kavita


No momento toca a faixa-título, Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo, e muito bem. Coisa dela com o rapper Emicida. Os arranjos do Letieres são de luxo. Depois de ouvir Não foi em vão, que comentei aqui embaixo, resolvi comprar o cd, sem download antes. Prática cada vez mais rara, mas, até agora, a aposta está valendo.

24.3.12

samba afro



Um samba desconstruído com uma bateria levada no aro meio r&b, ao mesmo tempo que tem um acordeon e uma guitarra dedilhada. No refrão, entra mais coisa, entra sopro e um sotaque hermânico. Algumas saídas dos metais - com auxílio luxuoso de Leiteres Leite e orquestra - são puro Moacir Santos com leves dissonâncias, parecendo que o tom escorrega. E tudo isso com charme. A composição é da Thalma de Freitas e a voz é da Mariana Aydar em seu último disco Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo. Achei isso aí espetacular. 

22.3.12

LNN no RIO


Lenine chegou com o seu Chão anteontem ao Rio. Havia uma curiosidade, pelo menos da minha parte, de como aquele conceito do disco funcionaria no palco - e ainda ao lado de músicas de outras épocas. O pernambucano é um desses inquietos, isso a gente sabe, mas Chão ainda brincou com música concreta e não tem bateria, não tem - digamos - uma banda por trás. O tratamento é outro e com Lenine acompanhado apenas de seu filho Bruno e de  Tolstoi, seu companheiro de longa data no palco. Os dois revezam entre guitarrras, baixos, teclados e samplers. A comunicação no palco é muito forte, entre os músicos e entre as programações. Em Jack Soul Brasileiro, por exemplo, Lenine grava três ou quatro violões em sequência, um em cima do outro, para então começar a cantar.

A turnê, que começou em Recife sexta passada, agora segue pelo Brasil e tem um esquema de som com caixas instaladas na plateia. Dessas caixas saem os ruídos e efeitos que têm adornado as músicas novas e também outras da carreira. Um passo ainda mais experimental e caindo de cabeça no conceito seria apresentar o álbum na íntegra de uma vez só. Trinta minutos de uma tacada só, como é o disco. Mas aí o público que não tem embarcado na ideia seria ainda maior. De forma inteligente, Lenine separou o repertório por blocos -- três do novo e umas antigas e por aí vai.

Eu assistia o show ao mesmo tempo em que pensava se tem alguém no Brasil, hoje, com tanto carinho e cuidado com uma obra. Não é só gravar e levar para o palco, a coisa com Chão é quase artesanal. São muitos detalhes em cena. É um show diferente. Num encontro rápido na passagem de som, Lenine falou que muita coisa sensorial ficou apenas com o cinema, que os shows haviam perdido algo nos últimos tempos, ficando em uma forma muito básica.

A foto de Lenine com um arco e flecha invisível é do Diego Padilha, amigo e integrante da nossa equipe lá do tocavideos. Essa flecha do Lenine não está acertando todo mundo, mas isso acontece com qualquer trabalho que quebre expectativas. A ideia é levar para o palco uma experiência que vai além. É ver, ouvir e sentir. Inovar é importante e nesse caso estou do lado de quem abraçou.

20.3.12

LNN

Lenine chega hoje - amanhã também tem - no Oi Casagrande com a turnê do álbum Chão. Será que ele abre tocando o disco do início ao fim?



Nós acompanhamos os últimos ensaios, com o tocavideos, e estamos preparando algumas coisas como esse teaser aí.

16.3.12

fim de semana



Pegando carona lá no URBe: o Behind the Music do Pantera. De arrepiar.

addendum: Que história essa do Pantera. Desde o início num glam meio fake, passando pela mudança quando entrou Philip Anselmo para ser o frontman, até o inacreditável assassinato de Dimebag, em cima do palco, por um louco que não aceitava o fim do Pantera e a nova banda de Dime e seu irmão Vinnie Paul, o Damageplan. É aquele clássico caso de uma banda que acaba sendo levada para um lado negro pelas drogas e toda aquela vida de estada. Phil Anselmo, em determinado momento, não só bebia todas - como todos ali -, mas também partiu para remédios e doses pesadas de heroína. O motivo, segundo ele, era a busca por um alívio para as (insuportáveis) dores na coluna que ganhou devido ao estilo que levava para o palco. Phil era intenso e louco quando encarava uma plateia. Era o melhor vocalista que o Pantera poderia ter. E por isso, quando a crise tomou conta de uma forma insustentável, a melhor coisa foi cada um seguir pr'um lado. Phil seguiu com o Down e outros de um lado e Vinnie e Dime montaram o Damageplan. Não tinha como entrar ninguém no Pantera. Era o fim.  O grupo deixou uma discografia de altíssimo nível e um exemplo de metal a ser seguido. Tem três discos ali que são referência em qualquer momento que se fale de música pesada: Cowboys From Hell, Vulgar Display of Power e Far Beyond Driven. Este último atingindo o primeiro lugar da Billboard quando lançado. E não tinha nada mais pesado que aquilo naquele momento. Demais. Dimebag, por sua vez, fez história na guitarra. Os últimos minutos, que focam em sua morte e a repercussão, são emocionantes. 

15.3.12

aí tem

Peter Gabriel manda avisar que trabalha em 12 novos temas.

metallica


Essa biografia do Metallica promete. Mick Wall, que já escreveu sobre o Zep, agora disseca a história do grupo e, segundo ele, mostra que o Metallica sempre buscou a massa, mesmo resistindo a coisas do mainstream como o videoclipe (só veio com One, já no quarto disco) e o mais interessante: que a banda, nos 80s mesmo, já havia saído do mundo do heavy metal, de Iron Maiden e Slayer, e entrado para o patamar de um U2 ou um Stones. Aqui no Globo Online.

14.3.12

STONES 50th


A turnê dos Stones de 50 possivelmente em 2013. Bill Wyman em algumas jams e podendo integrar o grupo ano que vem. É isso. Lá na Rolling Stone.

13.3.12

Duran Duran



Ficou médio o cover de Come Undone. Esse grupo do Allen com o Portnoy realmente continua a não fisgar. Nem vou pro álbum, dava pra fazer melhor aí.

12.3.12

top três

E os discos que estão no topo aqui. Vamos lá.


Home Again, de Michael Kiwanuka. Por aqui já era o mais esperado do ano até agora e não decepcionou. Talvez Kiwanuka seja o grande nome do soul em 2012. Como falei lá no Epístolas, num papo com o Tex, e reproduzo aqui, o que me chamou atenção foi que ele não é descaradamente retrô (Saadiq); não é açucarado (Maxwell); não é espafalhatoso e com vocais negróides (Cee Lo); não é divertido e ensolarado (Mayer) e nem modernão (Jamie Lidell). Kiwanuka traz uma coisa do violão, do Richie Havens, do Bill Withers. Não tem explosão, tem sensibilidade, lirismo. Veio pra ficar. Baita disco.


Chão, de Lenine. Ainda não tinha chegado nesse novo, apenas lido por aí sobre o conceito, a jogada da música concreta, a formação reduzida só com Tolstoi e, pela primeira vez?, o filho Bruno. A primeira faixa, que dá nome ao álbum, bateu de primeira. É um som muito novo, embora mantenha a identidade - e os clichês pro bem - de Lenine. O fio que conduz é o violão quebrado, a sensação de música intensa. Ao longo do disco também esbarramos com aquele bom gosto para baladas ("Amor é pra quem ama", "Uma canção e só"). A veia rocker de sempre aparece em "Se não for amor, eu cegue" com um riff grudento.  Não é catchy, é experimental. Não tem apelo pop, aquele single de cara. Tudo isso harmonizado com  passos no chão, coração batendo, motoserra e outros ruídos. A única que não ganha um elemento desses é a espetacular "Tudo que me falta, nada que me sobra". Entre as tentativas de sair do mesmo que rondaram os álbuns de Lenine e o de Gal com Caê, não tenho dúvidas que fico com o primeiro. O segundo, que voltou numa discussão no último sábado com amigos, me parece muito conceito para pouca música. O do pernambucano é pra se escutar numa tacada só, do início ao fim, num tempo que bate a marca de 28 minutos em dez músicas. Há uma sensação de obra perfeita no final de tudo. A turnê começa no Recife no próximo dia 16, depois vem pro Rio, e mantém o formato: Lenine, Bruno e Tolstoi apenas. Será ainda curioso ver como as músicas antigas entrarão na nova onda. 


Esse apareceu ontem, depois que vi lá no Lúcio. Perfume Genius na verdade é banda de um homem só. Mike Hadreas faz algo próximo de James Blake e Jamie Woon. Tem muito teclado, músicas calmas, ambientações e uma voz frágil, com muito falsete. Depois falo mais dele.


7.3.12

CSN


Confirmado Crosby, Stills & Nash no Rio. O show acontece no domingo 13 de maio, depois de passar por SP (10) e BH (12). Bela oportunidade de ver e ouvir aqueles vocais impecáveis.

1.3.12

JM II


Taí a capa. Sem gel no cabelo, sem pose de galã, parece que a onda vem mesmo puxando para a coisa folk que ele disse ter sido influência para as últimas composições. O single - post aí embaixo - não bateu muito, mas vamos ver como vem o trabalho. E cabe dizer que pode ser interessante um certo distanciamento com a estética - muito bem sucedida - dos dois últimos discos, Continuum e Battle Studies, que são nota dez. O novo sai em maio.