15.2.12

Sempre As Mesmas: Luiz Felipe Carneiro



Aqui nos arquivos do blog eu tinha uma entrevista com o chapa Luiz Felipe Carneiro, do excelente Esquina da Música. O blog parou, mas a gente fica na torcida do Luiz Felipe voltar com algo em breve, já que é um cara que também abre o campo -- fala de Metallica, de Elis e de Paul McCartney da mesma forma. Sempre me identifiquei com a direção do Esquina e começamos a trocar uma ideia por isso até. Quis convidá-lo aqui para a Sempre As Mesmas e, com atraso imperdoável, publico hoje, já em fevereiro de 2012, como a primeira do ano (as outras estão ali no canto na tag entrevistas). O tempo voa. E ah, o Luiz é também autor do ótimo livro da história do Rock in Rio. Agora chega de papo e vamos lá que ele tem coisas para falar sobre os de sempre: Miles, Radiohead, Peter Gabriel, Beatles, Stones etc.

Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale/Hughes?

R. Ian Gillan. Só por causa do "Made in Japan". Acredito que seja o bastante, não?

Neil Young: do rock ou do folk?

R. Ah, me desculpe, mas não tenho como escolher. Depende do meu estado de espírito. Mas confesso que, nos últimos três anos, só tenho escutado o Neil Younk folk.

Miles Davis vale em todas as fases?

R. Qualquer gênio vale em todas as fases. Mas eu gosto mesmo é dos dois primeiros quintetos dele (o primeiro com John Coltrane, Philly Joe Jones, Red Garland e Paul Chambers; o segundo, talvez ainda mais sensacional, com Herbie Hancock, Ron Carter, Wayne Shorter e Tony Williams)

E o Milton Nascimento?

R. O artista que gravou "Clube da Esquina". O artista que apresentou o show "Os tambores de Minas". O artista mais generoso que tive a sorte de conhecer.



Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Sarah Vaughan?

R. Ella. O box dela com os songbooks de Cole Porter, Duke Ellington, Rodgers & Hart, Irving Berlin, George & Ira Gershwin, Harold Arlen, Johnny Mercer e Jerome Kern vale uma vida.

Quais são os seus três discos de jazz obrigatórios?

R. "A love supreme" (John Coltrane), "Song for my father" (Horace Silver) e "Diane" (Chet Baker & Paul Bley).

Beatles e Stones. O que um tem que o outro não?

R. Os Beatles tinham a magia que nenhuma outra banda teve. Os Stones têm Keith Richards.

Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar também solo?

R. Acho que soube voar solo também, especialmente no início da sua carreira solo. Ele só poderia ser um pouquinho menos preguiçoso.

O que tem essa cena indie atual? É pra tanto barulho? Quem se salva?

R. Eu juro que não sei o que significa "indie". Não tem tanto tempo que alguns blogs auto-intitulados "indies" davam esse "status" ao Coldplay. E agora? Não é mais "indie"? Por quê? Por que lota estádios? E o Arcade Fire? É "indie"? Mas eles também lotam shows em grandes festivais. E ainda ganharam um Grammy de Álbum do Ano!! E o R.E.M.? O que é? Ou era, no caso? Os Strokes ainda são "indies", apesar de terem vendido milhões de discos? Definitivamente, não sei qual é o significado dessa palavra.

Radiohead é isso tudo?

R. Jamais diria que Radiohead é ruim. (Eu adorei até o rejeitado "The king of limbs".) Mas a considero a banda mais superestimada em todos os tempos. Para mim, o The National dá de um trilhão a zero.

Qual foi o álbum dos anos 2000?

R. Acho que precisaria pensar algumas horas para responder a essa pergunta, mas coloca aí o "Rated R", do Queens Of The Stone Age.

Qual o lançamento de 2011 até agora? (N.E. o bate-papo foi em outubro de 2011)

R. O que mais me emocionou foi o "Collapse into now", do R.E.M.. Ainda mais depois da separação da banda. Não consigo mais ouvir a última faixa, "Blue", com a Patti Smith e o Michael Stipe, sem ficar com lágrimas nos olhos.

O que você está ouvindo?

R. Nesse momento?? Them Crooked Vultures.

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