7.2.12

A segunda dose de Mayer no Circo


Falando então do Mayer, com certo atraso. Como esperado, o show - de novo via Queremos - foi tão bom quanto o primeiro, não tinha como ser diferente, ainda mais que, dessa vez, Mayer tinha o público ainda mais na mão, conhecia onde ia pisar e vinha abastecido de repertório (How Do You Do, segundo de inéditas, saiu ano passado) e estrada. O jogo já estava ganho. Mas Mayer e banda não entraram com salto alto e brindaram o público com aquele soul dele que passou a combinar tão bem com o verão do Rio. É impressionante. E ele disse que, se o povo quiser (e se movimentar), eles vêm sempre. O soulzão mais classe do primeiro e ótimo A Strange Arrangement esteve presente com várias faixas - Maybe So, Maybe No; Your Easy Lovin' Ain´t Pleasin' Nothin'; The Ills; Just Ain´t Gonna Work out; One Track Mind; I Wish it Would Rain e a título. Ou seja, quase todas do álbum, o que afirma o êxito do mesmo. E se o primeiro é mais na base do soul clássico, o segundo puxa também para aquela turma do blue-eyed-soul de Hall & Oates (presentes no set com Private Eyes), Doobie Brothers fase Michael McDonald e até algo de Beach Boys. Aliás, os Doobie são - digamos - reverenciados em A Long Time e Finally Falling, ótimas canções presentes no repertório do show no Circo, que bebem diretamente dessa fonte. Dreaming e Hooked também mostram que Mayer sabe das coisas e colocou na praça outro baita álbum ano passado. As músicas ainda crescem ao vivo, quando ganham força com a ótima banda de apoio, The County. A verdade é que ele pegou a fórmula e parece que não vai decepcionar. Ou ao menos, tão cedo. Já dá pra esperar um terceiro trabalho de alto nível. E mais: a voz de Mayer está melhor. Já dava para perceber isso no EP, depois o How Do You Do confirmou e agora, no show, ficou ainda mais claro. Ele mesmo fala disso em uma entrevista à Época.


É curioso ver como Mayer conquistou mesmo um público por aqui, todos cantavam as músicas, uma atrás da outra. Parecia que era um artista de 10 ou mais anos de carreira enfileirando hits de rádio de diversos discos. E não é bem assim. Mayer surgiu meio do nada nessa leva da turma que rebobinou o soul e pousou aqui naquele festival da Amy (e veio pra Lapa pelas mãos do Queremos), por acaso. O Rio de Janeiro abraçou o camarada e ele abraçou a cidade. Vai ser difícil um largar do outro agora. Uma visita por ano, sempre em janeiro, não seria nada mal. Foi uma noite com um astral irresistível aquela de sexta.


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