31.12.11

2012

Último dia do ano é aquele dia de renovar as energias, ligar para quem importa, estar com quem é boa companhia sempre e aumentar a música. Em 2012 tem mais. Bora de Stevie.



29.12.11

Humans Being


Lembro como se fosse hoje: comecei a ouvir e comprar rock em 97, ali aos 13, fazendo fitas e fitas vhs com clipes e pedaços de shows que a MTV ainda passava -- ela perderia o rumo ali um ou dois anos depois. A minha primeira fita vhs começava com dois videos: Humans Being, do Van Halen; e God Gave Rock n' Roll to You, do Kiss, com aquele clipe num ginásio com um pouco d'água e o Paul Stanley dando aqueles chutinhos. Era uma verdadeira missão montar aquelas fitas, outro mundo, outra época. Era demais. O do Van Halen marcou muito e até hoje de vez em quando pesco no youtube. Eddie estava muito bem ali e fez algo novo - sim, ainda era possível - naquela gravação. Estava certamente muito inspirado quando compôs e gravou Humans Being. Tinha uma inovação em cima das próprias ideias, tinha um frescor, tinha um estilo meio carta fora do baralho, apontando para um futuro, e isso já com décadas de carreira e milhões de discos vendidos. O Van Halen nem estava mais no topo do mundo a essa altura do campeonato. 

E mais, ainda para completar: essa música - que era trilha daquele filme Twister - foi, digamos, o canto do cisne da banda na versão Van Hagar, ironicamente ao mesmo tempo em que apontava um caminho de reciclagem, de novas ideias e ares. Humans Being mostrava um Van Halen já atualizado, seguindo o caminho do FUCK e do Balance e (muito) bem colocado na década de 90. Os solos são impressionantes, os riffs têm um peso diferente e os vocais no verso têm um gosto diferente do que havia sido feito até ali. Tem coisas únicas ali como a primeira respirada, quando a música diminui a marcha e Eddie entra com um solo econômico, abafado, até puxar o ritmo novamente, entrar num êxtase e colocar tudo nos trilhos mais uma vez. Aí voltam as vozes, sobe o refrão e mais um solo com a marca de Eddie, com direito ao tapping que ele soube tão bem mostrar ao mundo. No fim da música, a bateria marcada na caixa coloca tudo lá pra frente enquanto Sammy e Eddie revezam os vocais humans being; that's what make us. Espetacular.

Humans Being é uma das melhores coisas que o Van Halen fez, tem gosto de novidade até hoje. Posso imaginar o que viria pela frente, se tivessem feito mais um álbum e tudo não tivesse desmoronado, Sammy saído e o Van Halen patinado sem rumo. Alguém tinha que ter congelado esses caras nesse momento. O video abaixo é o tal que gravei no meu primeiro vhs (tive muitos), mas não tem o solo completo. Para ver o solo na íntegra tem que pescar uma versão sem ser editada no youtube mesmo. Aumenta aí.

28.12.11

pop


Demais esse tal de Gotye. Dica do Levino lá no twitter.

ROCK

Brian May participou de um show dessa volta do The Darkness no Hammersmith Apollo. Gostei quando eles apareceram e ainda acho que tem coisa boa aí, mesmo com visual e proposta meio pré-fabricados.

27.12.11

VH


E a volta do Van Halen agora parece que é negócio sério. Turnê e disco novo em 2012, sem Michael Anthony e com Diamond Dave. E o Eddie Trunk disse que essa é a capa.


Van Halen - Long Version Trailer from Van Halen on Vimeo.

26.12.11

guitar hero


Nunca fui ligado no Rage Against the Machine, mas sempre gostei da onda, de longe. Por outro lado Tom Morello sempre me chamou atenção com aquela criatividade, aqueles malabarismos, barulhinhos, efeitos, espertezas no pedal. Depois, o Audioslave, que ele fez com a (ótima) cozinha do RATM e o Chris Cornell, bateu muito bem. Corta pra ontem, quando fui surpreendido por um solo épico e espetacular de Morello no DVD de aniversário do Rock n' Roll Hall of Fame. Ele participou da apresentação de Bruce Springsteen,  em The Ghost of Tom Joad, música com ecos de Dylan que o próprio RATM já havia gravado naquele álbum de covers. Há um bom duelo dos dois no meio da música, mas é no final que Morello fica possuído e brilha. Não tenho dúvida que ele seria uma escolha bem melhor (e justa) para o lugar de Jack White naquele filme dos guitarristas. Tom Morello é um músico que soube atualizar a imagem do guitar hero depois que isso se desgastou na década de 80, passando ali pelo início do grunge, e aquela história que ninguém mais queria solo de guitarra no meio das músicas.

Olha só que ele faz no final, a partir ali do minuto 6. Tem tempo que não vejo um solo desses.

23.12.11

Musicão

Esbarrei com essa lá no top 2011 do Matias, do Trabalho Sujo. Baita surpresa. É d'um projeto liderado pelo Damon Albarn (Blur, Gorillaz e outros mais) com Flea (RHCP) e Tony Allen (Fela Kuti) chamado Rocket Juice and the Moon. Vi que o álbum sai agora em 2012, mas essa versão dá o recado. Demais isso aí.

22.12.11

Os melhores de 2011

Primeira vez que consigo organizar a casa para fazer uma listinha de destaques do ano. Sim, vamos chamar de melhores de 2011, embora isso seja uma bobeira. Na verdade são apenas lançamentos que tocaram muito por aqui e valem a seleção. Retrospectivas são boas para virar a página. 

Vamos lá:


Nunca fui muito de Foo Fighters. Os singles? Muito bons. Os clipes? Divertidos, bacanas. De repente chegou Wasting Light e pera lá, aí tem algo. Rope, o primeiro single, já chegou com pé na porta e frescor. Demais. O resto disco não foi diferente. Embarquei de primeira. 


Badalados lá fora e aqui também, The Decemberists foi uma ótima surpresa. Bem folk, com veia pop, coisas rock e ótimas canções como Don´t Carry it All, Down By the Water e This is Why we Fight. Tudo bem cuidado nas alas de arranjos e vocais. Merecem a badalação.


A volta do Dream Theater sem Mike Portnoy, CEO da banda, não poderia ter acontecido de outra forma. A Dramatic Turn of Events trouxe de volta o equilíbrio entre o peso, o virtuosismo e as viagens progressivas, ou seja, exatamente o que faz o DT ser prato cheio tanto para os adoradores quanto para os detratores. Outcry e Breaking All Ilusions são clássicos instantâneos. 


Mirrorwritings foi uma das melhores coisas do ano. Mesmo. Lá no topo. Jamie Woon é de uma criatividade ímpar com um som devagar, calmo, espacial, noturno. Musicalmente tem soul, tem pop, tem R&B. Voz cristalina e com contornos soul em cima de bases com paisagens sonoras únicas, é por esse caminho que Woon segue. Uma ida ao youtube para ver Shoulda ou Night Air já dá uma ideia da coisa. Musical como poucos em 2011.


Acho que escutei e gostei mais do 19, o anterior, mas 21 tem Rolling in the Deep, um single certeiro. Daqueles que acertam o alvo. É como Grace Kelly, do Mika. É como Hey Ya, do Outkast. É como Crazy, do Gnarls Barkley. Algo arrebatador. É gospel, é soul e essencialmente pop. O disco cresceu por aqui depois do DVD ao vivo no Royal Albert Hall que é espetacular. Palmas para Adele. Não estão falando dela aí por acaso.


Favoritos da casa, conseguiram superar a primeira parte do Road Salt, o Ivory. Agora, esse Ebony veio melhor, mais bem resolvido, azeitado. Longe do que o Pain of Salvation foi nos tempos de ouro, mas tem ginga, outro conceito e ótimas composições. E mais: abre com Softly She Cries e fecha com Physics of Gridlock, duas músicas que botam qualquer banda indie incensada por emular os 70s pra comer poeira.


O primeiro do Chickenfoot já foi uma brincadeira de muito bom gosto. Nesse segundo parece que a coisa ainda melhorou. Sammy, Satriani, Michael Anthony e Chad Smith se divertem em cima de levadas e músicas de puro hard rock. E como é bom ver o Satriani em outra verve fazendo riffs inspiradíssimos como em Up Next e Big Foot. E ainda tem Come Closer, uma surpresa cheia de groove com Sammy cantando levemente influenciado pela soul music.


Talvez The Color Spectrum seja, pra mim, o grande lançamento do ano. Casey Crescenzo, cabeça do grupo, entrou numa onda de criatividade enorme e fez - uou - 9 EPs, com quatro músicas em cada. Cada um, dos nove EPs, corresponde a uma cor que, por sua vez, tem um estilo musical diferente. Chega a ser meio óbvio que o preto seja mais pesado e o vermelho e laranja caminhem pelo rock cheios de riffs. O amarelo tem influência de Beach Boys e até uma meio bossa aparece no meio. É um rock ensolarado, tem harmonias abertas, maiores. O verde é folk, tem muito violão. O azul beira britpop. O indigo é meio soturno, espacial, com umas programações, batidas sincopadas. O violeta é musical, bebe da broadway. E o branco fica meio perdido dentro do conceito. Mas é descaradamente pop, bonito e encerra a viagem.  Mesmo que a ideia geral seja subjetiva, é impressionante como o conceito ficou amarrado e cada clima - no caso, cada cor - ganhou uma instrumentação, uma abordagem diferente. E o mais importante: tudo faz sentido, nada fica perdido pelo caminho. 



Tom Waits de volta com um disco de estúdio, de inéditas. A primeira, Chicago, já dá as cartas do jogo de Waits e nos sentimos em casa com aqueles sopros, guitarras cortando no canto e a velha voz bêbada. Tem participação de gente do naipe de Keith Richards e Flea, e coisas lindas como Back in the Crowd, Kiss Me e New Year's Eve. Outra balada bonitaça do disco, Last Leaf, traz vocais de Waits e Keith, um dueto etílico da melhor safra.


Essa é a capa da edição de luxo da última empreitada de Peter Gabriel, o tal New Blood Live. Pegando carona com a orquestra do Scratch my Back, PG resolveu dar o mesmo tratamento às suas canções. E acertou em cheio. Pegue uma pra começar: San Jacinto já dá o recado e mostra que a parceria com o arranjador John Metcalfe deu certo. Ou quem sabe Solsbury Hill, com a Ode à Alegria, da nona de Beethoven, surpreendentemente encaixada no miolo. 

Menção honrosa (e ao mesmo tempo promessa para 2012):


Com esse EP, que tem apenas três músicas, Michael Kiwanuka já deixou todo mundo ligado na sua voz. É soul com muita classe. Tell Me a Tale abre com um violão que remete ao Clube da Esquina e Kiwanuka entra com seu timbre impressionante, uma voz envelhecida, marcante. Aqui não tem aquele groove, mas por outro lado tem uma calma, um toque folk. É mais 60s do que 70s. Tem toque de Richie Havens, The Band, além d'um Otis, um Marvin Gaye. Home Again, primeiro álbum dele, sai em março.

E aos poucos vou lembrando de coisas que ficaram para trás e não entraram: Clapton & Marsalis; o Iconoclast do Symphony X; os últimos do Mayer Hawthorne e REM. 

21.12.11

Blake


Clipão do James Blake para A Case of You, da Joni Mitchell. Bela versão também. Piano bonitão e é inacreditável a voz do figura. E ele vem aí, em 2012, pro Sonar, em SP.




Reunião


E essa volta do Som Imaginário? 

Vi por acaso uma página deles no Facebook.  Tirando pela foto, o Fredera não está dentro, mas já tem coisa marcada em SP, no Sesc Belenzinho, dias 13, 14 e 15 de janeiro. Será que isso vira um giro com mais datas? Alguém tá sabendo de mais coisa?

Isso pode ser espetacular.

20.12.11

DT

Tem um pessoal novo trabalhando duro em cima do catálogo do Dream Theater para um álbum sinfônico. No vídeo abaixo tem um aperitivo e dá para ver coisas como o final do Six Degrees batendo bem com o arranjo. Aliás um pouco disso já tinha aparecido no Score, quando a banda fez um show de aniversário com orquestra. 

Symphonic Theater of Dreams é o nome.

19.12.11

BLUES


Esse Gary Clark Jr. que abriu os shows do Clapton por aqui? Tem algo.





16.12.11

50th


A volta dos Beach Boys. Depois do lançamento do Smile, agora eles mandam essa. Aqui na Rolling Stone tem os detalhes.

The Hunter


E o tal do Mastodon? Essa Curl of the Burl está muito boa. Tem peso e é direta, essencialmente pop, com um tema que gruda. Fora isso, tem um groove, um estilo.

15.12.11

SO


O Wolfgang's Vault tem um baita arquivo de shows de gente boa como The Band, Black Crowes, Ramones, Tom Petty, Van Morrison, The Who e mais. Alguns completos, outros não, mas vale muito visitar e favoritar. É diferente do youtube; foca em shows raros, coisa meio arquivão. Achei um do Peter Gabriel lá, de 86, na turnê do So. Aliás, PG tem recrutado os fãs para mandarem memórias - fotografias, ingressos, vídeos e outras memorabilias - através de seu site oficial, material que deve virar algo na edição de luxo do disco, ano que vem. Mas, por enquanto, clique aqui  para o tal show, com aquele clima bem anos 80. Manu Katché, o baterista na época, arrebenta no groove e deixa a coisa mais fusion. Ele ainda continuaria na banda de apoio na histórica turnê do Secret World no início da década de 90 - aquela com a Paula Cole e tal -, mas sairia fora depois. Faz falta, mas entendo a escolha de outro baterista - fugiu agora o nome do sujeito - para a fase posterior, a do espetacular UP, um disco que pedia outro tratamento por parte da banda do PG. Só não reconheci o baixista. Cadê o Tony Levin?

14.12.11

Donny Donny Donny


Everything is Everything, o primeiro de Donny Hathaway, batendo muito bem. Soul classudo, alto nível, refinado. Antes disso, conhecia Donny apenas pelo disco em parceria com Roberta Flack, que é ótimo e tem coisas como Where is the Love, You've Lost that Lovin' Feelin' e You've Got a Friend. No momento toca numa onda total gospel To be Young, Gifted and Black, que é de autoria da Nina, favorita da casa. E a voz de Donny é divina.

na telona



E essa de hair metal no cinema? Tem Tom Cruise, Paul Giamatti, Zeta-Jones, Alec Baldwin e música de Twisted Sister, Journey, Foreigner e outros. É adaptação de um musical e traz o Tom Cruise no papel de um rock star à moda dos anos 80. Deve ir bem com um balde de pipoca e uma coca-cola das grandes.

addendum: acabei lembrando daquele Rock Star, com Mark Wahlberg e Jennifer Aniston, que é bem mais ou menos. É ok, nota 6, mas tem uma boa trilha e a principal faixa, Stand Up and Shout, de autoria do Sammy Hagar, é uma pedrada com Zakk Wylde e Jeff Scott Soto na gravação de estúdio. Fui no youtube e vi que o próprio Sammy tem uma versão dela, gravada no álbum de 2002, com os Waboritas. Levemente diferente, mas com uns toques bacanas. Vale.

12.12.11

OTIS



Otis pra começar a semana.

11.12.11

Metallica 30

E ontem o Mustaine foi do Metallica novamente, por uma noite. Acontece que o Metallica vem fazendo esses shows de 30 anos de banda, em São Francisco. Nas últimas noites vêm recebendo gente que teve a ver com a história do grupo, musical e de carreira. Por exemplo, o Apocalyptica tocou na primeira. Jason Newsted, que faz muita falta hoje em dia, apareceu também essa semana e pintou novamente na de ontem, quando ainda subiram ao palco Ozzy e Geezer Butler, e Bob Rock. 

Enquanto o Lulu é apedrejado por aí (ainda não dei play no disco inteiro), o Metallica pega essas boas vibrações e brinda as décadas de história. Merece. Jason subir já foi histórico. E ontem, Mustaine tocando cinco músicas foi algo que merece um DVD, algo assim. Fechando o Metallica como quinteto, foram três: Phantom Lord, Jump in the Fire e Metal Militia. Depois, já com outros dos primórdios - Ron McGovney e Lloyd Grant - Hit the Lights e Seek and Destroy. Demais. E ainda tem música, da época do Death Magnetic, saindo de brinde como comemoração. Viva. E o Mustaine merece também.

Aí já tem Hit the Lights. Ahh youtube....

scumbag blues



Relembrando aqui Them Crooked Vultures, talvez o supergrupo que mais gostei dessa última leva. Sim, junto com Chickenfoot. Algo no Black Country Communion, que tem tanta gente que gosto, me bateu quadrado, não muito... natural. Nos discos de estúdio acabei não embarcando, passei batido, apenas agora no DVD fui dar mais uma chance. E melhorou, não vou negar. Queria apenas que o Bonamassa cantasse mais, tivesse mais espaço. No mais: aumentar o teclado do Derek, que está apagadão.

Tool e Bob Dylan revezaram mais cedo, na trilha sonora do dia. A jornada Dylan continua. Depois de cruzar a Highway 61, cheguei ao Blonde on Blone e, mais recentemente, ao Nashville Skyline, onde dei de cara com aquele Dylan crooner, com aquela voz e uma das mais belas, I Threw it All Away. Deixo aqui Scumbag Blues, dos Vultures. É certamente uma das melhores do disco, totalmente setentista com estilo. 

9.12.11

segunda dose


A turma do Queremos está com Mayer Hawthorne na mira, novamente. Agora, Mayer tem um EP de covers e um novo álbum na bagagem, além da estrada que faz bem a todo mundo. É uma ótima pedida pra começar o ano, vale a segunda dose. E sim, os posts estão raros nesse fim de 2011 mesmo, o ritmo do mundo aqui fora não está fácil. Mas vamos retomando.

1.12.11

rock



Bateu bem essa do Black Keys.