22.12.11

Os melhores de 2011

Primeira vez que consigo organizar a casa para fazer uma listinha de destaques do ano. Sim, vamos chamar de melhores de 2011, embora isso seja uma bobeira. Na verdade são apenas lançamentos que tocaram muito por aqui e valem a seleção. Retrospectivas são boas para virar a página. 

Vamos lá:


Nunca fui muito de Foo Fighters. Os singles? Muito bons. Os clipes? Divertidos, bacanas. De repente chegou Wasting Light e pera lá, aí tem algo. Rope, o primeiro single, já chegou com pé na porta e frescor. Demais. O resto disco não foi diferente. Embarquei de primeira. 


Badalados lá fora e aqui também, The Decemberists foi uma ótima surpresa. Bem folk, com veia pop, coisas rock e ótimas canções como Don´t Carry it All, Down By the Water e This is Why we Fight. Tudo bem cuidado nas alas de arranjos e vocais. Merecem a badalação.


A volta do Dream Theater sem Mike Portnoy, CEO da banda, não poderia ter acontecido de outra forma. A Dramatic Turn of Events trouxe de volta o equilíbrio entre o peso, o virtuosismo e as viagens progressivas, ou seja, exatamente o que faz o DT ser prato cheio tanto para os adoradores quanto para os detratores. Outcry e Breaking All Ilusions são clássicos instantâneos. 


Mirrorwritings foi uma das melhores coisas do ano. Mesmo. Lá no topo. Jamie Woon é de uma criatividade ímpar com um som devagar, calmo, espacial, noturno. Musicalmente tem soul, tem pop, tem R&B. Voz cristalina e com contornos soul em cima de bases com paisagens sonoras únicas, é por esse caminho que Woon segue. Uma ida ao youtube para ver Shoulda ou Night Air já dá uma ideia da coisa. Musical como poucos em 2011.


Acho que escutei e gostei mais do 19, o anterior, mas 21 tem Rolling in the Deep, um single certeiro. Daqueles que acertam o alvo. É como Grace Kelly, do Mika. É como Hey Ya, do Outkast. É como Crazy, do Gnarls Barkley. Algo arrebatador. É gospel, é soul e essencialmente pop. O disco cresceu por aqui depois do DVD ao vivo no Royal Albert Hall que é espetacular. Palmas para Adele. Não estão falando dela aí por acaso.


Favoritos da casa, conseguiram superar a primeira parte do Road Salt, o Ivory. Agora, esse Ebony veio melhor, mais bem resolvido, azeitado. Longe do que o Pain of Salvation foi nos tempos de ouro, mas tem ginga, outro conceito e ótimas composições. E mais: abre com Softly She Cries e fecha com Physics of Gridlock, duas músicas que botam qualquer banda indie incensada por emular os 70s pra comer poeira.


O primeiro do Chickenfoot já foi uma brincadeira de muito bom gosto. Nesse segundo parece que a coisa ainda melhorou. Sammy, Satriani, Michael Anthony e Chad Smith se divertem em cima de levadas e músicas de puro hard rock. E como é bom ver o Satriani em outra verve fazendo riffs inspiradíssimos como em Up Next e Big Foot. E ainda tem Come Closer, uma surpresa cheia de groove com Sammy cantando levemente influenciado pela soul music.


Talvez The Color Spectrum seja, pra mim, o grande lançamento do ano. Casey Crescenzo, cabeça do grupo, entrou numa onda de criatividade enorme e fez - uou - 9 EPs, com quatro músicas em cada. Cada um, dos nove EPs, corresponde a uma cor que, por sua vez, tem um estilo musical diferente. Chega a ser meio óbvio que o preto seja mais pesado e o vermelho e laranja caminhem pelo rock cheios de riffs. O amarelo tem influência de Beach Boys e até uma meio bossa aparece no meio. É um rock ensolarado, tem harmonias abertas, maiores. O verde é folk, tem muito violão. O azul beira britpop. O indigo é meio soturno, espacial, com umas programações, batidas sincopadas. O violeta é musical, bebe da broadway. E o branco fica meio perdido dentro do conceito. Mas é descaradamente pop, bonito e encerra a viagem.  Mesmo que a ideia geral seja subjetiva, é impressionante como o conceito ficou amarrado e cada clima - no caso, cada cor - ganhou uma instrumentação, uma abordagem diferente. E o mais importante: tudo faz sentido, nada fica perdido pelo caminho. 



Tom Waits de volta com um disco de estúdio, de inéditas. A primeira, Chicago, já dá as cartas do jogo de Waits e nos sentimos em casa com aqueles sopros, guitarras cortando no canto e a velha voz bêbada. Tem participação de gente do naipe de Keith Richards e Flea, e coisas lindas como Back in the Crowd, Kiss Me e New Year's Eve. Outra balada bonitaça do disco, Last Leaf, traz vocais de Waits e Keith, um dueto etílico da melhor safra.


Essa é a capa da edição de luxo da última empreitada de Peter Gabriel, o tal New Blood Live. Pegando carona com a orquestra do Scratch my Back, PG resolveu dar o mesmo tratamento às suas canções. E acertou em cheio. Pegue uma pra começar: San Jacinto já dá o recado e mostra que a parceria com o arranjador John Metcalfe deu certo. Ou quem sabe Solsbury Hill, com a Ode à Alegria, da nona de Beethoven, surpreendentemente encaixada no miolo. 

Menção honrosa (e ao mesmo tempo promessa para 2012):


Com esse EP, que tem apenas três músicas, Michael Kiwanuka já deixou todo mundo ligado na sua voz. É soul com muita classe. Tell Me a Tale abre com um violão que remete ao Clube da Esquina e Kiwanuka entra com seu timbre impressionante, uma voz envelhecida, marcante. Aqui não tem aquele groove, mas por outro lado tem uma calma, um toque folk. É mais 60s do que 70s. Tem toque de Richie Havens, The Band, além d'um Otis, um Marvin Gaye. Home Again, primeiro álbum dele, sai em março.

E aos poucos vou lembrando de coisas que ficaram para trás e não entraram: Clapton & Marsalis; o Iconoclast do Symphony X; os últimos do Mayer Hawthorne e REM. 

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