19.10.11

Dylan & The Band


Na esteira das coisas, que nem sempre consigo cumprir, está escrever sobre o novo do Dream Theater lançado há pouco mais de um mês. Eles voltaram de um jeito que os mais otimistas apostavam, embora não pudessem imaginar, de tão espetacular. Mas esse continua de lado porque fui atropelado por Bob Dylan & The Band, com The Basement Tapes e tentarei explicar algo que é inexplicável. É que há uma diferença entre gostar e gostar algo. Tem gente que gosta e gente que... gosta, sabe? Vamos lá. Bob Dylan está por perto de qualquer ser humano que habite o planeta. Beatles e Stones também. Está tudo aí, por todos os cantos. Sim, uma pessoa pode ter motivos para não ouvir Dylan, não gostar do sujeito, de sua música, de sua voz. Isso é claro. Ou não suportar a voz de Mick Jagger e gostar de escutar mesmo o quarteto de Liverpool. Tudo isso no terreno do óbvio. Mas é claro que você pode também gostar de Dylan, conhecer Like a Rolling Stone, Blowin' in the Wind, Knockin' on Heaven's Door etc e ter seus disquinhos. E isso é ótimo. Simples assim.



Mas há um momento, pelo menos pra mim, em que num estalar de dedos você parece fazer parte daquilo que está ouvindo. É como se o disco falasse com você e isso acontece de forma clara. A intimidade entre você e aquele artista surge do mais absoluto nada, de forma tão normal, que é inexplicável o que acontece. Basta uma única música (ou disco ou o que for) e há um momento em que você atravessa um portal, consigo citar alguns: Zeppelin com The Rain Song; Neil Young com Birds; Rolling Stones com Tumbling Dice. Ou até Nina Simone com a íntegra do disco High Priestess of Soul, Peter Gabriel com Secret World Live, o Ouro Negro do Moacir Santos e o próprio Dream Theater com o Awake, para citar alguns muitos. O mais recente deles aconteceu no fim de semana passado e foi Dylan & The Band com Going to Acapulco. Ou This Wheel's on Fire, quem sabe Tears of Rage, não lembro exatamente. Mas foi em algum momento por aí.

Bateu.

Desde domingo que escuto quase que sem parar The Basement Tapes, gravado em 67 e lançado em 75. Sei que o álbum é cercado de boas histórias, ainda não fui atrás, apenas li uma ou outra linha por aí. A sensação de chegar à obra de Dylan - ou ao menos a um pedaço dela - é muito boa. Melhor impossível. O The Band, solo, já conversa comigo há um bom tempo. Tinham me fisgado com aquelas canções repletas de harmonias vocais elegantes e um bom gosto caprichado.

Um amigo, adepto de Dylan, certa vez me disse - quando comentei sobre The Band: já foi Neil Young, agora The Band, daqui a pouco você chega no Dylan. É o caminho natural das coisas.

Não deu outra.


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