31.10.11

44 anos depois


SMILE é lançado. O trabalho em cima das fitas originais contou com Al Jardine, Mike Love e Brian Wilson, membros originais dos Beach Boys.

AMY


Novo da Amy sai em dezembro e tem até Garota de Ipanema. Aqui tem uma breve explicação de cada faixa. Não era o tal disco que ela preparava, mas um apanhado de sobras e gravações de gaveta. Interessante, no mínimo.

27.10.11

Volume 2


Eis que o segundo volume do Road Salt, lançado pelo Pain of Salvation mês passado, começa a descer bem, muito bem. Em alguns momentos parece soar melhor que o primeiro, que saiu em 2010. A direção setentista continua e forte, mas aqui aparece mais bem resolvida. E as canções soam melhores também, como Eleven ou a espetacular Physics of Gridlock. Tenho ouvido esses dias, no shuffle, os dois junto aos elementares Perfect Element e Remedy Lane, além do engajado Scarsick, e é impressionante como a coisa funciona e flui. Há um equilíbrio notável entre essas fases tão distintas do grupo e isso me fez até entender melhor o novo Road Salt e toda essa coisa de deixar o POS mais direto, cru, espontâneo. A dúvida agora é se Daniel Gildenlow continua nessa viagem setentista ou vai para outro lugar.

Essa Physics of Gridlock é das melhores.

Adele


Bela capa do dvd da Adele. Sai no fim de novembro. 

25.10.11

DYLAN


Acabei No Direction Home, o famoso documentário que Scorsese fez sobre o início do Dylan e que é, ao mesmo tempo, todo um panorama ali da virada para a década de 60, aqueles anos. Longo, passa de 3 horas, assisti como uma minissérie, em quatro partes, mas isso não diminuiu o filme. Agora que, musicalmente, Dylan começa a fazer sentido, com Basement Tapes e Highway 61 Revisited, não tinha hora mais recomendada. O blog acabará, em parte, com esses momentos diário dessa viagem pela obra de Dylan. 

24.10.11

STONES



Show do Some Girls nos cinemas. Demais. E ainda tem a boa No Spare Parts, que não entrou no disco de 78 e sai agora no relançamento do Some Girls.

Saloon

Gosto muito quando Tom Waits vai para esse lado de New Year's Eve, bela faixa que fecha o novo disco. Essa coisa balada de saloon, com chão de madeira velha, gente mal-encarada pelos cantos e uma sensibilidade que contrasta com a voz áspera e bêbada. Faltou só barulho de garrafa ao fundo.

TOM WAITS


Tá muito bom esse Bad as Me.

21.10.11

Sempre As Mesmas: Marcelo Costa


Marcelo Costa, o Mac, é o editor e a pessoa por trás do Scream & Yell, lugar para quem quer conteúdo de alto nível. Hoje é ele quem pinta aqui no Sempre As Mesmas falando de Purple, Miles, Neil Young, Radiohead, cena brasileira atual e mais. Aliás, a seção tem crescido bem e com gente bacana, o que deixa a casa brindando no ar. A ideia é a mesma de sempre: trazer as referências para uma coisa meio bate-papo, meio conversa de bar, com cutucadas, mitos discutíveis e indiscutíveis, quem é quem na música hoje etc. Para ilustrar escolhi dois disquinhos que aparecem bem cotados pelo Marcelo: Wilco e Clash. Dá pra ver as outras edições ali na tag entrevista, no canto direito.

Bora lá.

Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale/Hughes?

Do Gillan, sem pestanejar. Por “Child in Time”, "Highway Star", "Hard Lovin' Man" e, mamma mia, “Smoke on the Water”. Por “Perfect Strangers” também, mas isso é outra coisa. Coverdale será eternamente um sub-Robert Plant pra mim. 

Neil Young: do rock ou do folk?

Os dois. A essência do Neil Young está na genialidade com que ele consegue lidar com os dois extremos e ainda soar... Neil Young. Como que alguém pode escolher entre “Needle And The Damage Done” e “Powderfinger”? 

Miles Davis vale em todas as fases?

Todas. Amar a música de Miles é respeitar a sua inquietação, entender que a música para ele estava em eterna transformação, uma busca que gerou uma das discografias mais importantes da história. 

Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Sarah Vaughan?

Difícil, hein. Muito difícil. Tendo a ficar com a Nina, mas a Ella... 

Quais são os três discos de rock obrigatórios?

“London Calling”, do Clash, pra pessoa perceber que o rock não é burro; “Doolittle”, do Pixies, que mostra como o rock pode soar pop, mas também perigoso; “White Album”, dos Beatles, porque algum disco dos Beatles precisa constar de qualquer lista de obrigatórios. O álbum branco tem o dom de ir na contramão do “Sargeant Peppers” (o que começa já pela capa), e ainda assim soar absurdamente foda (exagerado, mas foda). É um daqueles discos em que a vida é tátil (talvez porque as vidas por trás dele estivessem em conflito).

Beatles e Stones. O que um tem que o outro não?

Beatles foi praticamente impecável enquanto os Stones cometeram vários deslizes. Por outro lado, os Beatles aguentaram o peso nas costas por uma década, e os Stones viveram cinco. Beatles é mais limpo, Stones é mais sujo. Beatles é amor, Stones é sexo. Essas bobagens. Não consigo escolher entre os dois. Os Beatles são mais importantes, mas o manual do rockstar foi escrito pelos Stones. 

Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar também solo?


Comecei ouvindo punk rock na primeira metade dos anos 80, então Genesis era algo meio que proibido no círculo (ainda mais que, naquela época, eles viviam a fase Phil Collins), mas nos anos 90 fui atrás de algumas coisas antigas e, putz, tive que comprar o “The Lamb Lies Down on Broadway” em vinil (e tenho até hoje). No entanto, nunca fui atrás da carreira solo do Peter Gabriel. Quem sabe o show no SWU não seja um acerto de contas...




O que tem essa cena indie lá de fora? É pra tanto barulho? Quem se salva hoje?

Hoje em dia essa coisa de independente anda meio deturpada. Antigamente, o lance todo girava ao redor da liberdade de criação. O cara era independente porque nenhuma gravadora queria lançar o disco dele, então ele fazia do jeito dele e lançava. O capitalismo, altamente adaptável, aproveitou a chance de também vender a liberdade. E os indies chegaram às grandes gravadoras, ao mainstream, ainda que no momento em que as gravadoras levavam uma rasteira do p2p. O que sobra hoje, como em qualquer cenário, é um balaio com gente genial (Arcade Fire, Franz Ferdinand, Decemberists) e um monte de diluidores. Mas sempre foi assim. 

Radiohead é isso tudo?

E mais um pouco. No momento em que a internet estava matando o álbum como formato, os caras revalorizaram o conceito com um monte de bugigangas atreladas. Porque não amamos a música apenas pelo que ela é, mas também pelo que ela representa. O Radiohead é uma das últimas bandas a entenderem isso. E isso os distingue do resto. 

Quem está fazendo coisa boa e nova no Brasil?

Muita gente. A música brasileira atual é a melhor do mundo. Se Simon Reynolds vivesse aqui ele nunca teria escrito “Retromania”. Mas como não achar o cenário uma merda se o disco mais esperado do seu país no ano é o novo do Coldplay? Aqui temos uma safra genial que aprendeu – via Los Hermanos – que o samba pode ser torto e nos representa. Nós temos ginga, coração e sentimentos. É isso que Romulo Fróes, Wado, Bruno Morais, Junio Barreto, Cidadão Instigado e outros estão mostrando. A melhor música do mundo está aqui, mas o próprio Brasil ainda não a descobriu. 

Qual foi o álbum dos anos 2000?

Em conceito, “In Rainbows”, do Radiohead, pois mostrou que não basta ser música. Em efeito, “Is This It”, do Strokes, que influenciou um bocado de gente; em perfeição, “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco, momento em que o popular encontra a arte. Porém, olhando de onde viemos e para onde vamos, é bem provável que o disco mais importante seja “Funeral”, do Arcade Fire, uma banda que entendeu a intensidade das emoções no novo século. 

Qual o lançamento de 2011 até agora?

“Let England Shake”, PJ Harvey. Em um mundo de prêmios merecidos, ela ganharia o de álbum do ano, e ainda bem que a Inglaterra tem o Mercury Prize. Se fosse aqui ela seria engolida por qualquer modismo.

Estou em Dylan & The Band, The Basement Tapes, e você? O que você está ouvindo?

Dois discos novos: “The Whole Love”, do Wilco e “Samba 808”, do Wado. E acho que ainda vou ficar um bom tempo os ouvindo. “All Things Must Pass”, do George, caiu no colo fazendo estrago também. E alguma hora da semana eu coloco “The King is Dead” do Decemberists para acalmar a alma.

SADE



Ela está por aí -- SP, RJ e Brasília. Bati nessa Still in Love With You ontem, não conhecia, foi uma das inéditas de uma coletânea recente. Tem um Fender Rhodes esperto aí e a Sade com aquela habitual classe.

addendum: a original é do Thin Lizzy? Que demais.

19.10.11

Dylan & The Band


Na esteira das coisas, que nem sempre consigo cumprir, está escrever sobre o novo do Dream Theater lançado há pouco mais de um mês. Eles voltaram de um jeito que os mais otimistas apostavam, embora não pudessem imaginar, de tão espetacular. Mas esse continua de lado porque fui atropelado por Bob Dylan & The Band, com The Basement Tapes e tentarei explicar algo que é inexplicável. É que há uma diferença entre gostar e gostar algo. Tem gente que gosta e gente que... gosta, sabe? Vamos lá. Bob Dylan está por perto de qualquer ser humano que habite o planeta. Beatles e Stones também. Está tudo aí, por todos os cantos. Sim, uma pessoa pode ter motivos para não ouvir Dylan, não gostar do sujeito, de sua música, de sua voz. Isso é claro. Ou não suportar a voz de Mick Jagger e gostar de escutar mesmo o quarteto de Liverpool. Tudo isso no terreno do óbvio. Mas é claro que você pode também gostar de Dylan, conhecer Like a Rolling Stone, Blowin' in the Wind, Knockin' on Heaven's Door etc e ter seus disquinhos. E isso é ótimo. Simples assim.



Mas há um momento, pelo menos pra mim, em que num estalar de dedos você parece fazer parte daquilo que está ouvindo. É como se o disco falasse com você e isso acontece de forma clara. A intimidade entre você e aquele artista surge do mais absoluto nada, de forma tão normal, que é inexplicável o que acontece. Basta uma única música (ou disco ou o que for) e há um momento em que você atravessa um portal, consigo citar alguns: Zeppelin com The Rain Song; Neil Young com Birds; Rolling Stones com Tumbling Dice. Ou até Nina Simone com a íntegra do disco High Priestess of Soul, Peter Gabriel com Secret World Live, o Ouro Negro do Moacir Santos e o próprio Dream Theater com o Awake, para citar alguns muitos. O mais recente deles aconteceu no fim de semana passado e foi Dylan & The Band com Going to Acapulco. Ou This Wheel's on Fire, quem sabe Tears of Rage, não lembro exatamente. Mas foi em algum momento por aí.

Bateu.

Desde domingo que escuto quase que sem parar The Basement Tapes, gravado em 67 e lançado em 75. Sei que o álbum é cercado de boas histórias, ainda não fui atrás, apenas li uma ou outra linha por aí. A sensação de chegar à obra de Dylan - ou ao menos a um pedaço dela - é muito boa. Melhor impossível. O The Band, solo, já conversa comigo há um bom tempo. Tinham me fisgado com aquelas canções repletas de harmonias vocais elegantes e um bom gosto caprichado.

Um amigo, adepto de Dylan, certa vez me disse - quando comentei sobre The Band: já foi Neil Young, agora The Band, daqui a pouco você chega no Dylan. É o caminho natural das coisas.

Não deu outra.


18.10.11

Metallica no Kill Bill?


Mas Lars nunca respondeu ao Tarantino. Ele conta essa - ótima - história aqui.

17.10.11

Lenine


Muito bom esse papo do Ronaldo Evangelista com o Lenine. É legal quando o Lenine fala de sua formação musical: no início rejeitando algumas coisas da cultura nordestina e embarcando no Zeppelin e no prog, depois se encantando com Clube da Esquina e Milton Nascimento. Também tem disco saindo do forno.


E aí, quem me trouxe pra música realmente, lá pros 14, 15 anos de idade, foi o rock’n’roll, cara. Aí conscientemente. Eu sou Zeppelin. Aquele início do prog, que depois ficou cafona pra cacete. Mas ali é onde eu digo (suspiro de espanto): “Que música é essa? Que porra é essa?”


New Blood



Edição caprichada do novo do Peter Gabriel. Sai dia 24.

15.10.11

U2



Como o Acthung Baby transformou o U2.

13.10.11

Posada e o Clã

Lá no tocavideos: Posada e o Clã tocam "Clã da Pá Virada". Rock com ares e sotaque manguebeat.

11.10.11

Sempre As Mesmas: Alexandre Matias


O blog Trabalho Sujo, do Alexandre Matias, é uma chuva forte de bom conteúdo -- esperto, rápido, inteligente, interessante, longo quando o assunto pede e por aí vai. Há certa influência do método Matias aqui na casa: a coisa do texto não ser obrigatório para um post virar post abriu a linguagem do Som Imaginário em um determinado momento e deixou isso aqui mais interessante de se fazer. Nada mais certo que convidar o Matias - que também é editor do caderno Link no Estadão - para o Sempre As Mesmas. E ele topou.

Como já é de praxe na coluna, ele fala de Beatles X Stones, Miles, Milton Nascimento, Radiohead, discos de jazz obrigatórios segundo ele etc. Os programas passados, pra quem perdeu, estão ali na tag entrevistas. Tem Sérgio Martins, Renata D'Elia, Ricardo Seelig, Arthur Dapieve e mais. Vambora.

Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale/Hughes?
Ian Gillan. Made in Japan é tipo Apanhador no Campo de Centeio e On
the Road - obrigatório para adolescentes do sexo masculino.

Neil Young: do rock ou do folk?
Do rock. Mas meu disco favorito dele equilibra as duas metades - Rust
Never Sleeps.

Miles Davis vale em todas as fases?
Dispenso os anos 80. Mas piro mesmo no segundo quinteto, com o Herbie Hancock.

E o Milton Nascimento?
Antigamente o Angeli fazia uma tirinha que se chamava Listen to the
Music. Nela, ele mesmo era um locutor numa rádio que ficava comentando
as músicas que ia tocar. Aí lembro de uma em que ele falava que estava
num clima bem piegas e começava com "Imagine" e depois com 10 ou 20
músicas do Milton. O enquadro nesse escopo. Curto pacas o Clube da
Esquina (o disco - e só o primeiro), mas pra mim o gênio ali é o Lô
Borges.

Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Sarah Vaughan?
Ella. Sou tradicionalzaço nessas praias.

Quais são os seus três discos de jazz obrigatórios?
Something Else!!!!, do Ornette Coleman; Atlantis, do Sun Ra; e Time
Out, do Dave Brubeck.

Beatles e Stones. O que um tem que o outro não?
Beatles inventou a cultura pop como a conhecemos. Rolling Stones
inventou o rock pós-Beatles.

Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar também solo?
Curto bem os primeiros discos solo (gosto até de "Sledgehammer"!), mas
o ouro mesmo tá no Genesis.

O que tem essa cena indie de Artic Monkeys, The Strokes, Franz
Ferdinand, Arcade Fire etc? É pra tanto barulho? Quem se salva?

Dos que você citou, o Franz Ferdinand.

Radiohead é isso tudo?
Melhor banda dos últimos 20 anos.

Qual o lançamento de 2011 até agora?
House of Balloons, do Weeknd.

O que você está ouvindo?
Chillwave. Aos montes.

10.10.11

80s em grande estilo


Roland Orzabal e Curt Smith fizeram um ótimo show no Citibank Hall, no último sábado. Para o bem e para o mal, as músicas são tocadas - exatamente - como nas gravações originais. Por um lado mantém a coisa intacta - mesmo que tenham passado direto pelo solo de Advice for the Younger Heart -, mas por outro não dá espaço para improvisações, que cairiam tão bem no som do Tears for Fears. Nada que prejudique o resultado final: é um show repleto de hits e ainda com boas músicas do último disco Everybody Loves a Happy Ending. 

A banda é enxuta é competente; a dupla continua com os vocais - praticamente - impecáveis, principalmente Orzabal, que tem um timbre mais característico; e o palco é bonito com uns telões verticais e um caprichado jogo de luzes. Com esse cenário, o set caminha sem deslizes com clássicos pop como Sowing the Seeds of Love, Everybody Wants to Rule the World, Change, Mad World, (uma boa versão arrastada de) Billie Jean, Break it Down Again (já da fase só com Orzabal nos 90s), além do bis com Woman in Chains e Shout. 

Não há dúvida de que o Tears for Fears é uma das maiores bandas da década de 80. Com hits indiscutíveis e uma musicalidade acima da média das bandas da época, eles fizeram bonito ali em três discos, os primeiros, com um pop, ora descarado e 100% radiofônico, ora viajante, progressivo, beatlemaníaco... Estava tudo lá no show do último sábado. E mesmo que em alguns momentos aquilo soe datado, a (boa) música da dupla fala mais alto e vale muito.

*foto de Jean Schwarz, no show de Porto Alegre

8.10.11

SOUL


Ben L'Oncle Soul lança seu primeiro DVD agora no próximo dia 11 de outubro. Parece cedo, já que Ben tem apenas um disco e um EP na bagagem, mas seu álbum de estreia é excelente e deve crescer no palco. Pela capa acima, dá para ver que Ben continua com o apelo visual retrô e que lhe cai bem. Abaixo um áudio de Try a Little Tenderness, de Otis, que ele incluiu no repertório e o trailer. Boa!


7.10.11

LULU

James, Lars e Lou Reed falam de Lulu.

6.10.11

Tears for Fears

O Tears for Fears começou sua turnê brasileira anteontem em Porto Alegre com um baita repertório. Standards indispensáveis da música pop como Mad World, Advice for the Younger Heart, Shout, Woman in Chains, Pale Shelter, e também algumas coisas da safra nova como Call Me Mellow e Everbody Loves a Happy Ending estavam no set. Roland Orzabal e Curt Smith, sem dúvida, fizeram história na década de 80 com três discos fundamentais -- The Hurting, Songs From the Big Chair e Seeds of Love. Assim como o brilhante Prefab Sprout, de Paddy McAloon, o TFF apareceu com um pop sofisticado, nem um pouco raso, como muita coisa da época. Fazem bem em sair pelo mundo novamente. A turnê continua hoje em São Paulo,  e depois Rio, BH e Fortaleza nos próximos dias.

3.10.11

Mais RiR


O fim de semana ainda tinha duas ótimas cartas do Rock in Rio: Coldplay com um show surpreendente e um System of a Down, como esperado, pesado e enérgico. Para completar o pacote, Lenny Kravitz fez um ótimo show, mas entrou em um dia que sua música não conseguiu crescer, sem resposta do público. Chris Martin (foto) e seus companheiros estão caminhando cada vez mais como uma das principais bandas pop dos últimos anos. Depois de Viva La Vida, a banda abriu o campo, bebeu de fontes mais artísticas, assumiu as cores e a chuva de papel picado, levantou a cabeça e absorveu outros elementos, alguns trazidos pelo novo produtor, Brian Eno. Tem disco no forno, Mylo Xyloto, que teve seis músicas no set do último sábado. Isso, em qualquer outro show, é praticamente um ato suicida, mas que funcionou com o quarteto. Eles têm bagagem e estão crescendo no palco. Tinha algo no ar e eles transbordaram boas energias.

Uma das bandas mais aguardadas por aqui, o System of a Down fez um show com quase 30 músicas e provou que, no campo pesado, é uma das melhores da última safra do rock americano. Com influências de música árabe que vem da descendência armenia dos integrantes, Serj e Malakian fizeram uma festa quase freak no palco com uma porradaria de alto nível. Os dois ainda são responsáveis por uma chuva de vocais dobrados que caracterizam o som do SOAD e fazem com que a originalidade salte aos olhos de qualquer um que esteja vendo o espetáculo. É impressionante ver os melismas ajustados e cantados com perfeição por Serj e Malakian.

Roberto Medina esteve (muito) distante de uma escalação ideal, mas, mesmo assim, o saldo foi positivo. O parque de diversões da música Rock in Rio cumpriu seu papel e trouxe música para a cidade e não deu outro assunto nos últimos dias. Escalou muita besteira - Rihanna, Maná, Evanescence, Detonautas e outros -, mas teve gigantes como Elton John, Metallica, os citados acima e o grande trunfo Stevie Wonder, que não pisava aqui desde 95. Mainstream sempre será, para desespero de indies e alternativos de plantão, mas o Planeta Terra está aí para balancear e trazer o...The Strokes. E também tem o SWU chegando com uma turma boa. O que importa é a música por perto. Em 2013 tem de novo.