28.9.11

Metal no RiR

E o dia do metal foi, como se esperava, harmonioso e barulhento. Depois de dois dias mais ou menos, o Rock in Rio mostra coerência em uma boa escalação. Não vi quase nada do palco Sunset, mas o fiasco do Angra foi monumental e o Sepultura, dizem por aí, foi excelente. Mas naquele parque de diversões do Medina, a coisa te obriga a andar de um lado pro outro, enfrentar filas e nessa hora eu estava comendo, em outro bairro da Cidade do Rock -- lá na Rock Street, um dos pontos positivos da nova edição do festival. Quem abriu o palco Mundo foi o Gloria com uma série de clichês do heavy metal e um vocalista que só gritava. Só. Em seguida, uma tarefa difícil para o Coheed and Cambria, uma banda praticamente desconhecida por aqui: fazer um bom show para um público que, desde cedo, já queria ver Motorhead, Slipknot e Metallica. Claudio Sanchez (foto), vocal e guitarra, se esforçou e soltou um set afiado, muito bem tocado e com vocais certinhos. O C&C cruza um Rush com Iron Maiden, solta umas coisas de hardcore mais diretas, umas estruturas progressivas, e faz um metal híbrido, com uma verdadeira chuva de melodias. Foi um show muito bom, mas a banda precisa voltar para uma apresentação solo e melhorar a imagem. 

Motorhead eu estava distante, mas percebi o Lemmy com um vocal muito abafado, enquanto guitarras altíssimas. Passei batido pelos dinossauros. Slipknot veio na sequência com aquela performance arrasadora. Mascarados e elétricos no palco, fizeram um show espetacular comandado pelo vocalista Corey Taylor que, mesmo com aquela máscara, consegue ter carisma, assim como o restante de seus camaradas. Foi uma paulada e ótimos momentos como Before I Forget e Duality, onde Corey solta a voz, valem musicalmente.

O Metallica entrou em seguida. Veio tirar o atraso que vinha desde 99, quando foi a última apresentação. A sequência foi uma turnê desmarcada, em cima da hora, em 2003 e shows isolados em SP ano passado. Mas vamos lá. James, Lars, Kirk e Trujillo estão na melhor fase da banda: maduros, maduros, sóbrios e com domínio total de execução e palco. O set, hoje, privilegia a melhor fase, aquela que fica entre o primeiro, Kill Em All, e o blockbuster auto-intitulado, mas conhecido no mundo todo por Black Album. Mas entram outras coisas como Fuel, da época dos cabelos curtos, e All Nightmare Long e Cyanide do ótimo Death Magnetic, que ressuscitou o grupo.



James (foto) está cantando como nunca. Os pontas, Kirk e Trujillo, fazem muito bem seus trabalhos. E Lars, todo mundo sabe, tem raça, já não tem aquela velocidade dos anos 80, mas é o melhor baterista que o Metallica poderia ter. Não tem pra ninguém, o Metallica em cima do palco está imbatível. E toma de Creeping Death, For Whom the Bell Tolls, Ride Lightning, Fade to Black, Welcome Home (Sanitarium), Blackned, One, Master of Puppets, Sad But True, Enter Sandman, Nothing Else Matters, Whiplash e Seek and Destroy. Ufa.

A abertura é a de sempre com a emocionante Ecstasy of Gold, de Ennio Morricone. Outro momento que marcou a noite foi Orion, pérola instrumental do disco Master of Puppets, que representa Cliff Burton, baixista que morreu em um acidente em uma turnê na Suécia 25 anos atrás. Foi o grande momento. O espetáculo que o Metallica proporcionou, ainda bem, será sempre lembrado como o show que teve Orion. Sem mais.

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