12.8.11

MILES


Miles Davis é uma figura fascinante, seja na música ou em seu estilo de vida. Como todo mundo sabe, Miles derrubou o establishment do jazz diversas vezes sempre com um passo à frente. Ou dois. Logo, em uma exposição dedicada à sua obra, seria óbvio sugerir que o visitante passeasse por suas distintas épocas. Suas evoluções e revoluções. Dessa forma, um entendido se sentiria em casa e um leigo entenderia sem esforço. E é assim que Queremos Miles, em cartaz no CCBB Rio, vai além e se faz espetacular.

Do início ao fim, em uma espécie de labirinto onde diversos trompetes se confundem em um som ambiente, somos apresentados a tudo que Miles Dewey Davis Jr. foi -- desde o guardanapo de um contrato informal para fazer a trilha de Ascensor para o Cadafalso a seus trompetes, comerciais de TV e jaquetas já da última fase, nos 80s, quando gravou Cindy Lauper e Michael Jackson. Por todos os lados são LPs, partituras, fotografias - e como saía bem nelas! -, quadros que pintou, revistas, jornais, cartas da época e muito mais. Além disso, uma sacada esperta: para cada fase há uma sala tocando músicas que representam o estilo que Miles vestia naquele momento, seja bebop, cool jazz, hard bop, jazz-rock, jazz-funk etc. Impossível imaginar um tributo mais completo a Miles, um ser inquieto e genial, que estava sempre trazendo a música de outros tempos e reinventando a si mesmo.

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