26.6.11

Ventura


Afirmando a criatividade de pintar o rock com diferentes tintas que começara, de fato, no Bloco do Eu Sozinho, os Hermanos lançaram Ventura em 2003, um disco belíssimo do início ao fim. A primeira sequência de Camelo já dá as cartas: o sambinha Samba a Dois, com ótimo solo do Bruno; o hit O Vencedor e a quase singela Tá Bom. Amarante chega pro jogo com a dupla Último Romance e Sétimo Andar e, pronto, nem estamos na metade do álbum e a banda tinha ido além do Bloco. Daí pra frente é a consagração dos Hermanos como os melhores de sua geração em um terreno, ok, praticamente sem concorrentes. Ou algum outro grupo teve uma faixa como A Outra? Ou Conversa de Botas Batidas? Ou De Onde Vem a Calma? Ou Deixa O Verão? Isso sem contar o desabafo na roqueira e estridente Cara Estranho.

Assim como os mestres de Liverpool, ainda tinha a rivalidade - saudável - dos compositores internos, afinal Camelo e Amarante dividiam, de forma tão distinta, suas composições e suas vozes. Assim como numa boa big band, a força evocada pelo naipe de sopros era algo que jamais poderia ser abandonado como foi no álbum seguinte, o 4. Resultado: o disco soou pálido e sem força, tentando flertar com uma sonoridade que, sim, poderia salvar a banda no dever de fazer a sequência de um álbum tão forte e importante como o Ventura. Mas não deu.

A fase de ouro que compreende Bloco e Ventura - sem esquecer do álbum de estreia - está registrada no dvd gravado no Cine Íris. Ali está a banda Los Hermanos em sua melhor fase, indo além e colhendo os louros. Mereciam qualquer comoção, mesmo aquelas exageradas.




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