21.6.11

jazz jazz jazz


Ainda bem que o BMW Jazz Festival passou pelo RJ, mesmo sem Tord Gustavsen e Renaud Garcia-Fons, que conheci quando vi a escalação e são ótimos. Aqui tivemos Joshua Redman e Wayne Shorter na primeira noite, e Marcus Miller e Sharon Jones & The Dap-Kings na segunda. O primeiro, Joshua, em alguns momentos me fez vibrar na cadeira do Oi Casagrande com seu som pulsante, em um formato reduzido. Ele, um baixista e um baterista, apenas. Foi uma bela abertura. Já Wayne, o segundo da mesma noite, me deixou, em alguns momentos, disperso, com o seu free jazz, árido e solto. Era como se a música estivesse suspensa, flutuando, e aquilo tirou minha atenção, não me prendeu, embora tenha gostado de vários momentos. Em algumas horas grudei o olho no John Patitucci, que sempre quis ver ao vivo por ser um dos melhores e mais versáteis baixistas do ramo, e não tirei. Mas foi bonito ver Wayne ali no palco -- uma lenda, testemunha ocular da história do jazz nas últimas décadas. Totalmente introspectivo, parecia esperar um sinal divino para entrar em cena (e também para trocar de instrumento, coisa que fez inúmeras vezes).


A segunda noite tinha uma coisa mais de festa, afinal, Sharon Jones e sua turma prometiam um show de levantar defunto. E ainda tinha Marcus Miller que, pra mim, baixista bissexto que sou, tinha um significado especial. Não deu outra: MM foi especial e Sharon levantou todo mundo, menos eu, que continuei acomodado ali na poltrona, batendo os pés no chão e as mãos nas pernas.

Marcus Miller é o papa do slap - a técnica de puxar as cordas e estalá-las de forma percussiva - no baixo elétrico e fez um showzaço. Ao lado de músicos jovens e talentosos como o saxofonista Alex Han, o trompetista Sean Jones e o batera Louis Alvin Cato, deu uma aula com seu som que vem do jazz, do funk, do fusion e do soul. No repertório Miller revisitou algumas coisas do Tutu, como Portia e a faixa-título, tocou clarone em When I Fall in Love, e arrebentou em Jean Pierre, com os três músicos já citados em total sintonia. Eu falei disso aqui já. Foi o melhor momento dos dois dias: Marcus Miller soltou o Cato e Han em uma jam espetacular, que depois ganhou a presença de Sean Jones em duelo de arrepiar, já com a banda completa. MM é desses músicos completos, sabe tudo.


Em seguida, os Dap-Kings - cheios de classe e na beca - começaram a festa com cinco músicas, tendo o guitarrista como mestre de cerimônias e o baixista como maestro, até entrar o furacão Sharon Jones. Com microfone na mão e à frente do grupo, Sharon embarca num cruzamento de James Brown com Tina Turner numa presença de palco de incendiar. Não tem pra ninguém, Sharon canta tudo que pode, não para um segundo, sacode pra lá e pra cá, dança com a plateia, troca muito com a banda e sobe o termômetro da casa lá pra cima. No fim da apresentação, que já batia quase duas horas, eu já estava perdendo as forças, achando repetitivo. O bis já me bateu meio over, com uma versão instrumental nota 6 para Reach Out - po, eu queria ver com a Sharon cantando! -, dos Four Tops, e uma ótima It´s a Man's World, de... James Brown, enquanto o público dançava pelas escadas e lá na frente do palco. Mas o jogo já estava ganho há muito tempo. Foi bonito de se ver.

Meu chapa Rafael Teixeira, com quem divido o Epístolas, sempre tem boas palavras que complementam minhas impressões: sobre a história de Joshua bater redondo e Wayne nem tanto, ele diz que o primeiro é ninja e o segundo samurai; enquanto na coisa do meu cansaço no fim da apresentação de Sharon, ele vai na mosca e diz que é para se ver em pé, dançando, com cerveja na mão, em um ambiente diferente do teatro em que vimos.

É meio por aí mesmo.

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