27.5.11

FF


A vizinha Mônica Ramalho pediu algo roquenrou para a Caixinha de Música dela e não pensei duas vezes: Wasting Light, de Dave Grohl e cia. Falei por alto aqui no blog do álbum e agora segue um texto sobre o discaço. É coisa boa. Aliás, ontem assisti o tal documentário, Back & Forth, que deve chegar aos cinemas do país em junho/julho. Vale a pena. Conta a história da turma, com altos e baixos, dramas, e aquele bom humor que eles sempre tiveram. Destaco três detalhes - importantíssimos - que passaram batidos na minha resenha feita num sábado de manhã, de sol, meio a jato: o disco foi produzido por Butch Vig, que produziu Nevermind; tem o Krist Novoselic, bem mais ex-Nirvana que Dave; e foi todo gravado na garagem de Dave, em um clima família, com o doc mostra.

Dave Grohl sabe das coisas.

O roquenrou certeiro e melódico dos Foo Fighters

Dave Grohl, todo mundo conhece, foi baterista do Nirvana, considerada por muitos – público e crítica – como a maior banda década de 90 e, talvez, a última grande reviravolta (autêntica) nas estruturas do rock. Acontece que Grohl, depois de Kurt Cobain subir, montou o Foo Fighters e, como poucos, conseguiu se despir de seu personagem conhecido até então. Não é fácil deixar para trás uma banda, ainda mais dessas icônicas. Mas o plano deu certo e o FF estourou mundo afora. E o melhor, sem se apoiar no passado. Olhando pra frente.

Depois de singles badalados e no topo das paradas, clipes divertidos e um show consagrador no Wembley Stadium, em 2008, com participação de Jimmy Page e John Paul Jones, estamos em 2011 e o Foo Fighters está com disco novo na praça, Wasting light (RCA Records), o sétimo de estúdio, e um documentário contando a história do grupo, Back and forth, dirigido por James Moll. E ah, ainda tem um clipe bem humorado com Lemmy, do Motorhead, dirigindo uma white limo de forma irresponsável.

Wasting Light é um discaço, do começo ao fim, e afirma que Foo Fighters é uma das melhores bandas pós-Nirvana. Bridge Burning abre os trabalhos com uma bateria frenética e um riff de guitarra marcante. Dave Grohl entra gritando, dando as cartas, na companhia de seus comparsas Chris Shifflet, Nate Mendel, (o excelente batera) Taylor Hawkins e Pat Smear, que também integrou o Nirvana. Rope vem em seguida, fresca, com gosto de novidade e toques de Rush, banda que Taylor é fã. Os vocais, trabalhados em duas vozes, logo no verso, mostram que tem coisa nova na cabeça do grupo e o refrão pega.

E esse é o clima que permeia o disquinho, guitarras bem timbradas, baixo presente, bateria bem tocada e uma aula de como fazer boas canções de rock que nos conduzem para refrões explosivos.Dave Grohl é esperto e sabe como conquistar as plateias, será assim com “Dear Rosemary”, “Arlandria”, “Back & forth” e “Miss the misery”, com todos roucos cantando cada sílaba. Fechando o pacote de destaques – daqueles que vêm colados na caixinha de acrílico do cd: duas (quase) baladas, “These days” e “I should have known”, e a já citada “White limo”, que é puro heavy metal – e dos bons, como tem que ser.

Sem dúvida, Wasting light é um dos melhores discos de rock do ano até agora. Dave Grohl e cia conseguiram, como sempre, jogar o melhor do roquenrou em um liquidificador com ingredientes que fazem do pop grudento – e isso não é demérito, pelo contrário. E o melhor: a banda deve vir ao Brasil no segundo semestre.

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