31.12.11

2012

Último dia do ano é aquele dia de renovar as energias, ligar para quem importa, estar com quem é boa companhia sempre e aumentar a música. Em 2012 tem mais. Bora de Stevie.



29.12.11

Humans Being


Lembro como se fosse hoje: comecei a ouvir e comprar rock em 97, ali aos 13, fazendo fitas e fitas vhs com clipes e pedaços de shows que a MTV ainda passava -- ela perderia o rumo ali um ou dois anos depois. A minha primeira fita vhs começava com dois videos: Humans Being, do Van Halen; e God Gave Rock n' Roll to You, do Kiss, com aquele clipe num ginásio com um pouco d'água e o Paul Stanley dando aqueles chutinhos. Era uma verdadeira missão montar aquelas fitas, outro mundo, outra época. Era demais. O do Van Halen marcou muito e até hoje de vez em quando pesco no youtube. Eddie estava muito bem ali e fez algo novo - sim, ainda era possível - naquela gravação. Estava certamente muito inspirado quando compôs e gravou Humans Being. Tinha uma inovação em cima das próprias ideias, tinha um frescor, tinha um estilo meio carta fora do baralho, apontando para um futuro, e isso já com décadas de carreira e milhões de discos vendidos. O Van Halen nem estava mais no topo do mundo a essa altura do campeonato. 

E mais, ainda para completar: essa música - que era trilha daquele filme Twister - foi, digamos, o canto do cisne da banda na versão Van Hagar, ironicamente ao mesmo tempo em que apontava um caminho de reciclagem, de novas ideias e ares. Humans Being mostrava um Van Halen já atualizado, seguindo o caminho do FUCK e do Balance e (muito) bem colocado na década de 90. Os solos são impressionantes, os riffs têm um peso diferente e os vocais no verso têm um gosto diferente do que havia sido feito até ali. Tem coisas únicas ali como a primeira respirada, quando a música diminui a marcha e Eddie entra com um solo econômico, abafado, até puxar o ritmo novamente, entrar num êxtase e colocar tudo nos trilhos mais uma vez. Aí voltam as vozes, sobe o refrão e mais um solo com a marca de Eddie, com direito ao tapping que ele soube tão bem mostrar ao mundo. No fim da música, a bateria marcada na caixa coloca tudo lá pra frente enquanto Sammy e Eddie revezam os vocais humans being; that's what make us. Espetacular.

Humans Being é uma das melhores coisas que o Van Halen fez, tem gosto de novidade até hoje. Posso imaginar o que viria pela frente, se tivessem feito mais um álbum e tudo não tivesse desmoronado, Sammy saído e o Van Halen patinado sem rumo. Alguém tinha que ter congelado esses caras nesse momento. O video abaixo é o tal que gravei no meu primeiro vhs (tive muitos), mas não tem o solo completo. Para ver o solo na íntegra tem que pescar uma versão sem ser editada no youtube mesmo. Aumenta aí.

28.12.11

pop


Demais esse tal de Gotye. Dica do Levino lá no twitter.

ROCK

Brian May participou de um show dessa volta do The Darkness no Hammersmith Apollo. Gostei quando eles apareceram e ainda acho que tem coisa boa aí, mesmo com visual e proposta meio pré-fabricados.

27.12.11

VH


E a volta do Van Halen agora parece que é negócio sério. Turnê e disco novo em 2012, sem Michael Anthony e com Diamond Dave. E o Eddie Trunk disse que essa é a capa.


Van Halen - Long Version Trailer from Van Halen on Vimeo.

26.12.11

guitar hero


Nunca fui ligado no Rage Against the Machine, mas sempre gostei da onda, de longe. Por outro lado Tom Morello sempre me chamou atenção com aquela criatividade, aqueles malabarismos, barulhinhos, efeitos, espertezas no pedal. Depois, o Audioslave, que ele fez com a (ótima) cozinha do RATM e o Chris Cornell, bateu muito bem. Corta pra ontem, quando fui surpreendido por um solo épico e espetacular de Morello no DVD de aniversário do Rock n' Roll Hall of Fame. Ele participou da apresentação de Bruce Springsteen,  em The Ghost of Tom Joad, música com ecos de Dylan que o próprio RATM já havia gravado naquele álbum de covers. Há um bom duelo dos dois no meio da música, mas é no final que Morello fica possuído e brilha. Não tenho dúvida que ele seria uma escolha bem melhor (e justa) para o lugar de Jack White naquele filme dos guitarristas. Tom Morello é um músico que soube atualizar a imagem do guitar hero depois que isso se desgastou na década de 80, passando ali pelo início do grunge, e aquela história que ninguém mais queria solo de guitarra no meio das músicas.

Olha só que ele faz no final, a partir ali do minuto 6. Tem tempo que não vejo um solo desses.

23.12.11

Musicão

Esbarrei com essa lá no top 2011 do Matias, do Trabalho Sujo. Baita surpresa. É d'um projeto liderado pelo Damon Albarn (Blur, Gorillaz e outros mais) com Flea (RHCP) e Tony Allen (Fela Kuti) chamado Rocket Juice and the Moon. Vi que o álbum sai agora em 2012, mas essa versão dá o recado. Demais isso aí.

22.12.11

Os melhores de 2011

Primeira vez que consigo organizar a casa para fazer uma listinha de destaques do ano. Sim, vamos chamar de melhores de 2011, embora isso seja uma bobeira. Na verdade são apenas lançamentos que tocaram muito por aqui e valem a seleção. Retrospectivas são boas para virar a página. 

Vamos lá:


Nunca fui muito de Foo Fighters. Os singles? Muito bons. Os clipes? Divertidos, bacanas. De repente chegou Wasting Light e pera lá, aí tem algo. Rope, o primeiro single, já chegou com pé na porta e frescor. Demais. O resto disco não foi diferente. Embarquei de primeira. 


Badalados lá fora e aqui também, The Decemberists foi uma ótima surpresa. Bem folk, com veia pop, coisas rock e ótimas canções como Don´t Carry it All, Down By the Water e This is Why we Fight. Tudo bem cuidado nas alas de arranjos e vocais. Merecem a badalação.


A volta do Dream Theater sem Mike Portnoy, CEO da banda, não poderia ter acontecido de outra forma. A Dramatic Turn of Events trouxe de volta o equilíbrio entre o peso, o virtuosismo e as viagens progressivas, ou seja, exatamente o que faz o DT ser prato cheio tanto para os adoradores quanto para os detratores. Outcry e Breaking All Ilusions são clássicos instantâneos. 


Mirrorwritings foi uma das melhores coisas do ano. Mesmo. Lá no topo. Jamie Woon é de uma criatividade ímpar com um som devagar, calmo, espacial, noturno. Musicalmente tem soul, tem pop, tem R&B. Voz cristalina e com contornos soul em cima de bases com paisagens sonoras únicas, é por esse caminho que Woon segue. Uma ida ao youtube para ver Shoulda ou Night Air já dá uma ideia da coisa. Musical como poucos em 2011.


Acho que escutei e gostei mais do 19, o anterior, mas 21 tem Rolling in the Deep, um single certeiro. Daqueles que acertam o alvo. É como Grace Kelly, do Mika. É como Hey Ya, do Outkast. É como Crazy, do Gnarls Barkley. Algo arrebatador. É gospel, é soul e essencialmente pop. O disco cresceu por aqui depois do DVD ao vivo no Royal Albert Hall que é espetacular. Palmas para Adele. Não estão falando dela aí por acaso.


Favoritos da casa, conseguiram superar a primeira parte do Road Salt, o Ivory. Agora, esse Ebony veio melhor, mais bem resolvido, azeitado. Longe do que o Pain of Salvation foi nos tempos de ouro, mas tem ginga, outro conceito e ótimas composições. E mais: abre com Softly She Cries e fecha com Physics of Gridlock, duas músicas que botam qualquer banda indie incensada por emular os 70s pra comer poeira.


O primeiro do Chickenfoot já foi uma brincadeira de muito bom gosto. Nesse segundo parece que a coisa ainda melhorou. Sammy, Satriani, Michael Anthony e Chad Smith se divertem em cima de levadas e músicas de puro hard rock. E como é bom ver o Satriani em outra verve fazendo riffs inspiradíssimos como em Up Next e Big Foot. E ainda tem Come Closer, uma surpresa cheia de groove com Sammy cantando levemente influenciado pela soul music.


Talvez The Color Spectrum seja, pra mim, o grande lançamento do ano. Casey Crescenzo, cabeça do grupo, entrou numa onda de criatividade enorme e fez - uou - 9 EPs, com quatro músicas em cada. Cada um, dos nove EPs, corresponde a uma cor que, por sua vez, tem um estilo musical diferente. Chega a ser meio óbvio que o preto seja mais pesado e o vermelho e laranja caminhem pelo rock cheios de riffs. O amarelo tem influência de Beach Boys e até uma meio bossa aparece no meio. É um rock ensolarado, tem harmonias abertas, maiores. O verde é folk, tem muito violão. O azul beira britpop. O indigo é meio soturno, espacial, com umas programações, batidas sincopadas. O violeta é musical, bebe da broadway. E o branco fica meio perdido dentro do conceito. Mas é descaradamente pop, bonito e encerra a viagem.  Mesmo que a ideia geral seja subjetiva, é impressionante como o conceito ficou amarrado e cada clima - no caso, cada cor - ganhou uma instrumentação, uma abordagem diferente. E o mais importante: tudo faz sentido, nada fica perdido pelo caminho. 



Tom Waits de volta com um disco de estúdio, de inéditas. A primeira, Chicago, já dá as cartas do jogo de Waits e nos sentimos em casa com aqueles sopros, guitarras cortando no canto e a velha voz bêbada. Tem participação de gente do naipe de Keith Richards e Flea, e coisas lindas como Back in the Crowd, Kiss Me e New Year's Eve. Outra balada bonitaça do disco, Last Leaf, traz vocais de Waits e Keith, um dueto etílico da melhor safra.


Essa é a capa da edição de luxo da última empreitada de Peter Gabriel, o tal New Blood Live. Pegando carona com a orquestra do Scratch my Back, PG resolveu dar o mesmo tratamento às suas canções. E acertou em cheio. Pegue uma pra começar: San Jacinto já dá o recado e mostra que a parceria com o arranjador John Metcalfe deu certo. Ou quem sabe Solsbury Hill, com a Ode à Alegria, da nona de Beethoven, surpreendentemente encaixada no miolo. 

Menção honrosa (e ao mesmo tempo promessa para 2012):


Com esse EP, que tem apenas três músicas, Michael Kiwanuka já deixou todo mundo ligado na sua voz. É soul com muita classe. Tell Me a Tale abre com um violão que remete ao Clube da Esquina e Kiwanuka entra com seu timbre impressionante, uma voz envelhecida, marcante. Aqui não tem aquele groove, mas por outro lado tem uma calma, um toque folk. É mais 60s do que 70s. Tem toque de Richie Havens, The Band, além d'um Otis, um Marvin Gaye. Home Again, primeiro álbum dele, sai em março.

E aos poucos vou lembrando de coisas que ficaram para trás e não entraram: Clapton & Marsalis; o Iconoclast do Symphony X; os últimos do Mayer Hawthorne e REM. 

21.12.11

Blake


Clipão do James Blake para A Case of You, da Joni Mitchell. Bela versão também. Piano bonitão e é inacreditável a voz do figura. E ele vem aí, em 2012, pro Sonar, em SP.




Reunião


E essa volta do Som Imaginário? 

Vi por acaso uma página deles no Facebook.  Tirando pela foto, o Fredera não está dentro, mas já tem coisa marcada em SP, no Sesc Belenzinho, dias 13, 14 e 15 de janeiro. Será que isso vira um giro com mais datas? Alguém tá sabendo de mais coisa?

Isso pode ser espetacular.

20.12.11

DT

Tem um pessoal novo trabalhando duro em cima do catálogo do Dream Theater para um álbum sinfônico. No vídeo abaixo tem um aperitivo e dá para ver coisas como o final do Six Degrees batendo bem com o arranjo. Aliás um pouco disso já tinha aparecido no Score, quando a banda fez um show de aniversário com orquestra. 

Symphonic Theater of Dreams é o nome.

19.12.11

BLUES


Esse Gary Clark Jr. que abriu os shows do Clapton por aqui? Tem algo.





16.12.11

50th


A volta dos Beach Boys. Depois do lançamento do Smile, agora eles mandam essa. Aqui na Rolling Stone tem os detalhes.

The Hunter


E o tal do Mastodon? Essa Curl of the Burl está muito boa. Tem peso e é direta, essencialmente pop, com um tema que gruda. Fora isso, tem um groove, um estilo.

15.12.11

SO


O Wolfgang's Vault tem um baita arquivo de shows de gente boa como The Band, Black Crowes, Ramones, Tom Petty, Van Morrison, The Who e mais. Alguns completos, outros não, mas vale muito visitar e favoritar. É diferente do youtube; foca em shows raros, coisa meio arquivão. Achei um do Peter Gabriel lá, de 86, na turnê do So. Aliás, PG tem recrutado os fãs para mandarem memórias - fotografias, ingressos, vídeos e outras memorabilias - através de seu site oficial, material que deve virar algo na edição de luxo do disco, ano que vem. Mas, por enquanto, clique aqui  para o tal show, com aquele clima bem anos 80. Manu Katché, o baterista na época, arrebenta no groove e deixa a coisa mais fusion. Ele ainda continuaria na banda de apoio na histórica turnê do Secret World no início da década de 90 - aquela com a Paula Cole e tal -, mas sairia fora depois. Faz falta, mas entendo a escolha de outro baterista - fugiu agora o nome do sujeito - para a fase posterior, a do espetacular UP, um disco que pedia outro tratamento por parte da banda do PG. Só não reconheci o baixista. Cadê o Tony Levin?

14.12.11

Donny Donny Donny


Everything is Everything, o primeiro de Donny Hathaway, batendo muito bem. Soul classudo, alto nível, refinado. Antes disso, conhecia Donny apenas pelo disco em parceria com Roberta Flack, que é ótimo e tem coisas como Where is the Love, You've Lost that Lovin' Feelin' e You've Got a Friend. No momento toca numa onda total gospel To be Young, Gifted and Black, que é de autoria da Nina, favorita da casa. E a voz de Donny é divina.

na telona



E essa de hair metal no cinema? Tem Tom Cruise, Paul Giamatti, Zeta-Jones, Alec Baldwin e música de Twisted Sister, Journey, Foreigner e outros. É adaptação de um musical e traz o Tom Cruise no papel de um rock star à moda dos anos 80. Deve ir bem com um balde de pipoca e uma coca-cola das grandes.

addendum: acabei lembrando daquele Rock Star, com Mark Wahlberg e Jennifer Aniston, que é bem mais ou menos. É ok, nota 6, mas tem uma boa trilha e a principal faixa, Stand Up and Shout, de autoria do Sammy Hagar, é uma pedrada com Zakk Wylde e Jeff Scott Soto na gravação de estúdio. Fui no youtube e vi que o próprio Sammy tem uma versão dela, gravada no álbum de 2002, com os Waboritas. Levemente diferente, mas com uns toques bacanas. Vale.

12.12.11

OTIS



Otis pra começar a semana.

11.12.11

Metallica 30

E ontem o Mustaine foi do Metallica novamente, por uma noite. Acontece que o Metallica vem fazendo esses shows de 30 anos de banda, em São Francisco. Nas últimas noites vêm recebendo gente que teve a ver com a história do grupo, musical e de carreira. Por exemplo, o Apocalyptica tocou na primeira. Jason Newsted, que faz muita falta hoje em dia, apareceu também essa semana e pintou novamente na de ontem, quando ainda subiram ao palco Ozzy e Geezer Butler, e Bob Rock. 

Enquanto o Lulu é apedrejado por aí (ainda não dei play no disco inteiro), o Metallica pega essas boas vibrações e brinda as décadas de história. Merece. Jason subir já foi histórico. E ontem, Mustaine tocando cinco músicas foi algo que merece um DVD, algo assim. Fechando o Metallica como quinteto, foram três: Phantom Lord, Jump in the Fire e Metal Militia. Depois, já com outros dos primórdios - Ron McGovney e Lloyd Grant - Hit the Lights e Seek and Destroy. Demais. E ainda tem música, da época do Death Magnetic, saindo de brinde como comemoração. Viva. E o Mustaine merece também.

Aí já tem Hit the Lights. Ahh youtube....

scumbag blues



Relembrando aqui Them Crooked Vultures, talvez o supergrupo que mais gostei dessa última leva. Sim, junto com Chickenfoot. Algo no Black Country Communion, que tem tanta gente que gosto, me bateu quadrado, não muito... natural. Nos discos de estúdio acabei não embarcando, passei batido, apenas agora no DVD fui dar mais uma chance. E melhorou, não vou negar. Queria apenas que o Bonamassa cantasse mais, tivesse mais espaço. No mais: aumentar o teclado do Derek, que está apagadão.

Tool e Bob Dylan revezaram mais cedo, na trilha sonora do dia. A jornada Dylan continua. Depois de cruzar a Highway 61, cheguei ao Blonde on Blone e, mais recentemente, ao Nashville Skyline, onde dei de cara com aquele Dylan crooner, com aquela voz e uma das mais belas, I Threw it All Away. Deixo aqui Scumbag Blues, dos Vultures. É certamente uma das melhores do disco, totalmente setentista com estilo. 

9.12.11

segunda dose


A turma do Queremos está com Mayer Hawthorne na mira, novamente. Agora, Mayer tem um EP de covers e um novo álbum na bagagem, além da estrada que faz bem a todo mundo. É uma ótima pedida pra começar o ano, vale a segunda dose. E sim, os posts estão raros nesse fim de 2011 mesmo, o ritmo do mundo aqui fora não está fácil. Mas vamos retomando.

1.12.11

rock



Bateu bem essa do Black Keys.

25.11.11

folk rock


Surpresa boa essa turma do The Decemberists com o disco The King is Dead. Essa Rise to Me bateu muito bem, mas vale a pena pegar o disco, que desce bem e melhora a cada audição. Tem uma onda folk boa no ar, uma musicalidade esperta e a participação do Peter Buck do REM. São melodias bonitas com vocais dobrados, bem cuidados, amarrados. Sinto falta disso em muita coisa nova que tem por aí no mainstream.

23.11.11

E essa San Jacinto?

Essa é a San Jacinto com o arranjo novo, orquestral, de John Metcalfe. Aliás, belo arranjo, acertaram em cheio. Tem algo de bom no caminho que eles buscaram para essas músicas orquestradas, coisa que vem desde o Scratch my Back que, se não tinha o brilho das composições próprias, trazia bons covers e uma coisa diferente, nova, pelas mãos de Peter Gabriel. No texto que acompanha a nova edição, PG diz que ele e Metcalfe não queriam o caminho dos arranjos com aquela estética de cinema e tentaram outra onda. Dá pra pescar isso ao ouvir o trabalho.

Sem dúvida, San Jacinto é uma das melhores músicas de PG, desde os pacientes e meio tensos primeiros versos até explodir no I hold the line quando entra naquela parte especial. Play aí que faz bem.



21.11.11

na mala


De volta, depois de uns bons dias fora de órbita, e, em cima aqui da mesa na empresa, a matéria do Peter Gabriel na Revista O Globo dias atrás, com o seguinte: "o mundo está muito rápido e tudo que é mais calmo me interessa". É meio por aí mesmo, está tudo muito rápido, conectado, urgente e chega uma hora que é preciso dar uma desligada.

Depois dessa volta de apresentação, vou tentar falar algo do espetacular show do Elbow que vi em Paris, no mesmo lugar que vi, um dia depois, o Pain of Salvation numa apresentação empolgante - mais roqueira e menos prog - e um pouco do Opeth.

Na mala, muita coisa nova. Ontem, enquanto abria os brinquedos e lia alguns encartes, assisti algo do novo show do Peter Gabriel - embalado numa edição de luxo alto nível - e teve uma San Jacinto arrebatadora. Outros dvds que dei play por alto e bateram bem foram Black Country Communion, o tal supergrupo com Glenn Hughes e Jason Bonham, e o do show de Eric Clapton e Steve Winwood relembrando o Blind Faith. Também dei continuidade à jornada Dylan, que estava fazendo show (esgotado) em Florença no mesmo dia que eu andava por lá, e trouxe Blood on the Tracks, Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. E mais Aretha, Toto, Nina, Mingus, sinfonias de Beethoven regidas por Bernstein, King Crimson... Vou soltando aqui, aos poucos, mas tem coisa boa na área. O blog está de volta e aproveito para deixar aqui um vídeo alto nível do Posada e o Clã que está no ar lá no tocavideos

8.11.11

Do estrangeiro

Na terra de Ennio Morricone, ontem o programa foi conferir um concerto em homenagem a Liszt no belo e espetacular auditorio Parco della Musica. O blog fica de férias até là pro dia 20, mas antes devo passar para falar ainda algo de Elbow, Pain of Salvation e Opeth, que vejo na semana que vem, jà em Parri.

4.11.11

PJ 20


Boa foto do Eddie Vedder no show de ontem em SP. Pesquei no site da Veja. Hoje tem mais uma dose, domingão eles pisam no Rio. Promete.

1.11.11

Dylan


Já começa a bater bem esse Dylan do (clássico) Highway 61, principalmente coisas como Ballad of a Thin Man; Desolation Row; It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry; e claro Like a Rolling Stone.

31.10.11

44 anos depois


SMILE é lançado. O trabalho em cima das fitas originais contou com Al Jardine, Mike Love e Brian Wilson, membros originais dos Beach Boys.

AMY


Novo da Amy sai em dezembro e tem até Garota de Ipanema. Aqui tem uma breve explicação de cada faixa. Não era o tal disco que ela preparava, mas um apanhado de sobras e gravações de gaveta. Interessante, no mínimo.

27.10.11

Volume 2


Eis que o segundo volume do Road Salt, lançado pelo Pain of Salvation mês passado, começa a descer bem, muito bem. Em alguns momentos parece soar melhor que o primeiro, que saiu em 2010. A direção setentista continua e forte, mas aqui aparece mais bem resolvida. E as canções soam melhores também, como Eleven ou a espetacular Physics of Gridlock. Tenho ouvido esses dias, no shuffle, os dois junto aos elementares Perfect Element e Remedy Lane, além do engajado Scarsick, e é impressionante como a coisa funciona e flui. Há um equilíbrio notável entre essas fases tão distintas do grupo e isso me fez até entender melhor o novo Road Salt e toda essa coisa de deixar o POS mais direto, cru, espontâneo. A dúvida agora é se Daniel Gildenlow continua nessa viagem setentista ou vai para outro lugar.

Essa Physics of Gridlock é das melhores.

Adele


Bela capa do dvd da Adele. Sai no fim de novembro. 

25.10.11

DYLAN


Acabei No Direction Home, o famoso documentário que Scorsese fez sobre o início do Dylan e que é, ao mesmo tempo, todo um panorama ali da virada para a década de 60, aqueles anos. Longo, passa de 3 horas, assisti como uma minissérie, em quatro partes, mas isso não diminuiu o filme. Agora que, musicalmente, Dylan começa a fazer sentido, com Basement Tapes e Highway 61 Revisited, não tinha hora mais recomendada. O blog acabará, em parte, com esses momentos diário dessa viagem pela obra de Dylan. 

24.10.11

STONES



Show do Some Girls nos cinemas. Demais. E ainda tem a boa No Spare Parts, que não entrou no disco de 78 e sai agora no relançamento do Some Girls.

Saloon

Gosto muito quando Tom Waits vai para esse lado de New Year's Eve, bela faixa que fecha o novo disco. Essa coisa balada de saloon, com chão de madeira velha, gente mal-encarada pelos cantos e uma sensibilidade que contrasta com a voz áspera e bêbada. Faltou só barulho de garrafa ao fundo.

TOM WAITS


Tá muito bom esse Bad as Me.

21.10.11

Sempre As Mesmas: Marcelo Costa


Marcelo Costa, o Mac, é o editor e a pessoa por trás do Scream & Yell, lugar para quem quer conteúdo de alto nível. Hoje é ele quem pinta aqui no Sempre As Mesmas falando de Purple, Miles, Neil Young, Radiohead, cena brasileira atual e mais. Aliás, a seção tem crescido bem e com gente bacana, o que deixa a casa brindando no ar. A ideia é a mesma de sempre: trazer as referências para uma coisa meio bate-papo, meio conversa de bar, com cutucadas, mitos discutíveis e indiscutíveis, quem é quem na música hoje etc. Para ilustrar escolhi dois disquinhos que aparecem bem cotados pelo Marcelo: Wilco e Clash. Dá pra ver as outras edições ali na tag entrevista, no canto direito.

Bora lá.

Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale/Hughes?

Do Gillan, sem pestanejar. Por “Child in Time”, "Highway Star", "Hard Lovin' Man" e, mamma mia, “Smoke on the Water”. Por “Perfect Strangers” também, mas isso é outra coisa. Coverdale será eternamente um sub-Robert Plant pra mim. 

Neil Young: do rock ou do folk?

Os dois. A essência do Neil Young está na genialidade com que ele consegue lidar com os dois extremos e ainda soar... Neil Young. Como que alguém pode escolher entre “Needle And The Damage Done” e “Powderfinger”? 

Miles Davis vale em todas as fases?

Todas. Amar a música de Miles é respeitar a sua inquietação, entender que a música para ele estava em eterna transformação, uma busca que gerou uma das discografias mais importantes da história. 

Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Sarah Vaughan?

Difícil, hein. Muito difícil. Tendo a ficar com a Nina, mas a Ella... 

Quais são os três discos de rock obrigatórios?

“London Calling”, do Clash, pra pessoa perceber que o rock não é burro; “Doolittle”, do Pixies, que mostra como o rock pode soar pop, mas também perigoso; “White Album”, dos Beatles, porque algum disco dos Beatles precisa constar de qualquer lista de obrigatórios. O álbum branco tem o dom de ir na contramão do “Sargeant Peppers” (o que começa já pela capa), e ainda assim soar absurdamente foda (exagerado, mas foda). É um daqueles discos em que a vida é tátil (talvez porque as vidas por trás dele estivessem em conflito).

Beatles e Stones. O que um tem que o outro não?

Beatles foi praticamente impecável enquanto os Stones cometeram vários deslizes. Por outro lado, os Beatles aguentaram o peso nas costas por uma década, e os Stones viveram cinco. Beatles é mais limpo, Stones é mais sujo. Beatles é amor, Stones é sexo. Essas bobagens. Não consigo escolher entre os dois. Os Beatles são mais importantes, mas o manual do rockstar foi escrito pelos Stones. 

Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar também solo?


Comecei ouvindo punk rock na primeira metade dos anos 80, então Genesis era algo meio que proibido no círculo (ainda mais que, naquela época, eles viviam a fase Phil Collins), mas nos anos 90 fui atrás de algumas coisas antigas e, putz, tive que comprar o “The Lamb Lies Down on Broadway” em vinil (e tenho até hoje). No entanto, nunca fui atrás da carreira solo do Peter Gabriel. Quem sabe o show no SWU não seja um acerto de contas...




O que tem essa cena indie lá de fora? É pra tanto barulho? Quem se salva hoje?

Hoje em dia essa coisa de independente anda meio deturpada. Antigamente, o lance todo girava ao redor da liberdade de criação. O cara era independente porque nenhuma gravadora queria lançar o disco dele, então ele fazia do jeito dele e lançava. O capitalismo, altamente adaptável, aproveitou a chance de também vender a liberdade. E os indies chegaram às grandes gravadoras, ao mainstream, ainda que no momento em que as gravadoras levavam uma rasteira do p2p. O que sobra hoje, como em qualquer cenário, é um balaio com gente genial (Arcade Fire, Franz Ferdinand, Decemberists) e um monte de diluidores. Mas sempre foi assim. 

Radiohead é isso tudo?

E mais um pouco. No momento em que a internet estava matando o álbum como formato, os caras revalorizaram o conceito com um monte de bugigangas atreladas. Porque não amamos a música apenas pelo que ela é, mas também pelo que ela representa. O Radiohead é uma das últimas bandas a entenderem isso. E isso os distingue do resto. 

Quem está fazendo coisa boa e nova no Brasil?

Muita gente. A música brasileira atual é a melhor do mundo. Se Simon Reynolds vivesse aqui ele nunca teria escrito “Retromania”. Mas como não achar o cenário uma merda se o disco mais esperado do seu país no ano é o novo do Coldplay? Aqui temos uma safra genial que aprendeu – via Los Hermanos – que o samba pode ser torto e nos representa. Nós temos ginga, coração e sentimentos. É isso que Romulo Fróes, Wado, Bruno Morais, Junio Barreto, Cidadão Instigado e outros estão mostrando. A melhor música do mundo está aqui, mas o próprio Brasil ainda não a descobriu. 

Qual foi o álbum dos anos 2000?

Em conceito, “In Rainbows”, do Radiohead, pois mostrou que não basta ser música. Em efeito, “Is This It”, do Strokes, que influenciou um bocado de gente; em perfeição, “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco, momento em que o popular encontra a arte. Porém, olhando de onde viemos e para onde vamos, é bem provável que o disco mais importante seja “Funeral”, do Arcade Fire, uma banda que entendeu a intensidade das emoções no novo século. 

Qual o lançamento de 2011 até agora?

“Let England Shake”, PJ Harvey. Em um mundo de prêmios merecidos, ela ganharia o de álbum do ano, e ainda bem que a Inglaterra tem o Mercury Prize. Se fosse aqui ela seria engolida por qualquer modismo.

Estou em Dylan & The Band, The Basement Tapes, e você? O que você está ouvindo?

Dois discos novos: “The Whole Love”, do Wilco e “Samba 808”, do Wado. E acho que ainda vou ficar um bom tempo os ouvindo. “All Things Must Pass”, do George, caiu no colo fazendo estrago também. E alguma hora da semana eu coloco “The King is Dead” do Decemberists para acalmar a alma.

SADE



Ela está por aí -- SP, RJ e Brasília. Bati nessa Still in Love With You ontem, não conhecia, foi uma das inéditas de uma coletânea recente. Tem um Fender Rhodes esperto aí e a Sade com aquela habitual classe.

addendum: a original é do Thin Lizzy? Que demais.

19.10.11

Dylan & The Band


Na esteira das coisas, que nem sempre consigo cumprir, está escrever sobre o novo do Dream Theater lançado há pouco mais de um mês. Eles voltaram de um jeito que os mais otimistas apostavam, embora não pudessem imaginar, de tão espetacular. Mas esse continua de lado porque fui atropelado por Bob Dylan & The Band, com The Basement Tapes e tentarei explicar algo que é inexplicável. É que há uma diferença entre gostar e gostar algo. Tem gente que gosta e gente que... gosta, sabe? Vamos lá. Bob Dylan está por perto de qualquer ser humano que habite o planeta. Beatles e Stones também. Está tudo aí, por todos os cantos. Sim, uma pessoa pode ter motivos para não ouvir Dylan, não gostar do sujeito, de sua música, de sua voz. Isso é claro. Ou não suportar a voz de Mick Jagger e gostar de escutar mesmo o quarteto de Liverpool. Tudo isso no terreno do óbvio. Mas é claro que você pode também gostar de Dylan, conhecer Like a Rolling Stone, Blowin' in the Wind, Knockin' on Heaven's Door etc e ter seus disquinhos. E isso é ótimo. Simples assim.



Mas há um momento, pelo menos pra mim, em que num estalar de dedos você parece fazer parte daquilo que está ouvindo. É como se o disco falasse com você e isso acontece de forma clara. A intimidade entre você e aquele artista surge do mais absoluto nada, de forma tão normal, que é inexplicável o que acontece. Basta uma única música (ou disco ou o que for) e há um momento em que você atravessa um portal, consigo citar alguns: Zeppelin com The Rain Song; Neil Young com Birds; Rolling Stones com Tumbling Dice. Ou até Nina Simone com a íntegra do disco High Priestess of Soul, Peter Gabriel com Secret World Live, o Ouro Negro do Moacir Santos e o próprio Dream Theater com o Awake, para citar alguns muitos. O mais recente deles aconteceu no fim de semana passado e foi Dylan & The Band com Going to Acapulco. Ou This Wheel's on Fire, quem sabe Tears of Rage, não lembro exatamente. Mas foi em algum momento por aí.

Bateu.

Desde domingo que escuto quase que sem parar The Basement Tapes, gravado em 67 e lançado em 75. Sei que o álbum é cercado de boas histórias, ainda não fui atrás, apenas li uma ou outra linha por aí. A sensação de chegar à obra de Dylan - ou ao menos a um pedaço dela - é muito boa. Melhor impossível. O The Band, solo, já conversa comigo há um bom tempo. Tinham me fisgado com aquelas canções repletas de harmonias vocais elegantes e um bom gosto caprichado.

Um amigo, adepto de Dylan, certa vez me disse - quando comentei sobre The Band: já foi Neil Young, agora The Band, daqui a pouco você chega no Dylan. É o caminho natural das coisas.

Não deu outra.


18.10.11

Metallica no Kill Bill?


Mas Lars nunca respondeu ao Tarantino. Ele conta essa - ótima - história aqui.

17.10.11

Lenine


Muito bom esse papo do Ronaldo Evangelista com o Lenine. É legal quando o Lenine fala de sua formação musical: no início rejeitando algumas coisas da cultura nordestina e embarcando no Zeppelin e no prog, depois se encantando com Clube da Esquina e Milton Nascimento. Também tem disco saindo do forno.


E aí, quem me trouxe pra música realmente, lá pros 14, 15 anos de idade, foi o rock’n’roll, cara. Aí conscientemente. Eu sou Zeppelin. Aquele início do prog, que depois ficou cafona pra cacete. Mas ali é onde eu digo (suspiro de espanto): “Que música é essa? Que porra é essa?”


New Blood



Edição caprichada do novo do Peter Gabriel. Sai dia 24.

15.10.11

U2



Como o Acthung Baby transformou o U2.

13.10.11

Posada e o Clã

Lá no tocavideos: Posada e o Clã tocam "Clã da Pá Virada". Rock com ares e sotaque manguebeat.

11.10.11

Sempre As Mesmas: Alexandre Matias


O blog Trabalho Sujo, do Alexandre Matias, é uma chuva forte de bom conteúdo -- esperto, rápido, inteligente, interessante, longo quando o assunto pede e por aí vai. Há certa influência do método Matias aqui na casa: a coisa do texto não ser obrigatório para um post virar post abriu a linguagem do Som Imaginário em um determinado momento e deixou isso aqui mais interessante de se fazer. Nada mais certo que convidar o Matias - que também é editor do caderno Link no Estadão - para o Sempre As Mesmas. E ele topou.

Como já é de praxe na coluna, ele fala de Beatles X Stones, Miles, Milton Nascimento, Radiohead, discos de jazz obrigatórios segundo ele etc. Os programas passados, pra quem perdeu, estão ali na tag entrevistas. Tem Sérgio Martins, Renata D'Elia, Ricardo Seelig, Arthur Dapieve e mais. Vambora.

Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale/Hughes?
Ian Gillan. Made in Japan é tipo Apanhador no Campo de Centeio e On
the Road - obrigatório para adolescentes do sexo masculino.

Neil Young: do rock ou do folk?
Do rock. Mas meu disco favorito dele equilibra as duas metades - Rust
Never Sleeps.

Miles Davis vale em todas as fases?
Dispenso os anos 80. Mas piro mesmo no segundo quinteto, com o Herbie Hancock.

E o Milton Nascimento?
Antigamente o Angeli fazia uma tirinha que se chamava Listen to the
Music. Nela, ele mesmo era um locutor numa rádio que ficava comentando
as músicas que ia tocar. Aí lembro de uma em que ele falava que estava
num clima bem piegas e começava com "Imagine" e depois com 10 ou 20
músicas do Milton. O enquadro nesse escopo. Curto pacas o Clube da
Esquina (o disco - e só o primeiro), mas pra mim o gênio ali é o Lô
Borges.

Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Sarah Vaughan?
Ella. Sou tradicionalzaço nessas praias.

Quais são os seus três discos de jazz obrigatórios?
Something Else!!!!, do Ornette Coleman; Atlantis, do Sun Ra; e Time
Out, do Dave Brubeck.

Beatles e Stones. O que um tem que o outro não?
Beatles inventou a cultura pop como a conhecemos. Rolling Stones
inventou o rock pós-Beatles.

Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar também solo?
Curto bem os primeiros discos solo (gosto até de "Sledgehammer"!), mas
o ouro mesmo tá no Genesis.

O que tem essa cena indie de Artic Monkeys, The Strokes, Franz
Ferdinand, Arcade Fire etc? É pra tanto barulho? Quem se salva?

Dos que você citou, o Franz Ferdinand.

Radiohead é isso tudo?
Melhor banda dos últimos 20 anos.

Qual o lançamento de 2011 até agora?
House of Balloons, do Weeknd.

O que você está ouvindo?
Chillwave. Aos montes.

10.10.11

80s em grande estilo


Roland Orzabal e Curt Smith fizeram um ótimo show no Citibank Hall, no último sábado. Para o bem e para o mal, as músicas são tocadas - exatamente - como nas gravações originais. Por um lado mantém a coisa intacta - mesmo que tenham passado direto pelo solo de Advice for the Younger Heart -, mas por outro não dá espaço para improvisações, que cairiam tão bem no som do Tears for Fears. Nada que prejudique o resultado final: é um show repleto de hits e ainda com boas músicas do último disco Everybody Loves a Happy Ending. 

A banda é enxuta é competente; a dupla continua com os vocais - praticamente - impecáveis, principalmente Orzabal, que tem um timbre mais característico; e o palco é bonito com uns telões verticais e um caprichado jogo de luzes. Com esse cenário, o set caminha sem deslizes com clássicos pop como Sowing the Seeds of Love, Everybody Wants to Rule the World, Change, Mad World, (uma boa versão arrastada de) Billie Jean, Break it Down Again (já da fase só com Orzabal nos 90s), além do bis com Woman in Chains e Shout. 

Não há dúvida de que o Tears for Fears é uma das maiores bandas da década de 80. Com hits indiscutíveis e uma musicalidade acima da média das bandas da época, eles fizeram bonito ali em três discos, os primeiros, com um pop, ora descarado e 100% radiofônico, ora viajante, progressivo, beatlemaníaco... Estava tudo lá no show do último sábado. E mesmo que em alguns momentos aquilo soe datado, a (boa) música da dupla fala mais alto e vale muito.

*foto de Jean Schwarz, no show de Porto Alegre

8.10.11

SOUL


Ben L'Oncle Soul lança seu primeiro DVD agora no próximo dia 11 de outubro. Parece cedo, já que Ben tem apenas um disco e um EP na bagagem, mas seu álbum de estreia é excelente e deve crescer no palco. Pela capa acima, dá para ver que Ben continua com o apelo visual retrô e que lhe cai bem. Abaixo um áudio de Try a Little Tenderness, de Otis, que ele incluiu no repertório e o trailer. Boa!


7.10.11

LULU

James, Lars e Lou Reed falam de Lulu.

6.10.11

Tears for Fears

O Tears for Fears começou sua turnê brasileira anteontem em Porto Alegre com um baita repertório. Standards indispensáveis da música pop como Mad World, Advice for the Younger Heart, Shout, Woman in Chains, Pale Shelter, e também algumas coisas da safra nova como Call Me Mellow e Everbody Loves a Happy Ending estavam no set. Roland Orzabal e Curt Smith, sem dúvida, fizeram história na década de 80 com três discos fundamentais -- The Hurting, Songs From the Big Chair e Seeds of Love. Assim como o brilhante Prefab Sprout, de Paddy McAloon, o TFF apareceu com um pop sofisticado, nem um pouco raso, como muita coisa da época. Fazem bem em sair pelo mundo novamente. A turnê continua hoje em São Paulo,  e depois Rio, BH e Fortaleza nos próximos dias.

3.10.11

Mais RiR


O fim de semana ainda tinha duas ótimas cartas do Rock in Rio: Coldplay com um show surpreendente e um System of a Down, como esperado, pesado e enérgico. Para completar o pacote, Lenny Kravitz fez um ótimo show, mas entrou em um dia que sua música não conseguiu crescer, sem resposta do público. Chris Martin (foto) e seus companheiros estão caminhando cada vez mais como uma das principais bandas pop dos últimos anos. Depois de Viva La Vida, a banda abriu o campo, bebeu de fontes mais artísticas, assumiu as cores e a chuva de papel picado, levantou a cabeça e absorveu outros elementos, alguns trazidos pelo novo produtor, Brian Eno. Tem disco no forno, Mylo Xyloto, que teve seis músicas no set do último sábado. Isso, em qualquer outro show, é praticamente um ato suicida, mas que funcionou com o quarteto. Eles têm bagagem e estão crescendo no palco. Tinha algo no ar e eles transbordaram boas energias.

Uma das bandas mais aguardadas por aqui, o System of a Down fez um show com quase 30 músicas e provou que, no campo pesado, é uma das melhores da última safra do rock americano. Com influências de música árabe que vem da descendência armenia dos integrantes, Serj e Malakian fizeram uma festa quase freak no palco com uma porradaria de alto nível. Os dois ainda são responsáveis por uma chuva de vocais dobrados que caracterizam o som do SOAD e fazem com que a originalidade salte aos olhos de qualquer um que esteja vendo o espetáculo. É impressionante ver os melismas ajustados e cantados com perfeição por Serj e Malakian.

Roberto Medina esteve (muito) distante de uma escalação ideal, mas, mesmo assim, o saldo foi positivo. O parque de diversões da música Rock in Rio cumpriu seu papel e trouxe música para a cidade e não deu outro assunto nos últimos dias. Escalou muita besteira - Rihanna, Maná, Evanescence, Detonautas e outros -, mas teve gigantes como Elton John, Metallica, os citados acima e o grande trunfo Stevie Wonder, que não pisava aqui desde 95. Mainstream sempre será, para desespero de indies e alternativos de plantão, mas o Planeta Terra está aí para balancear e trazer o...The Strokes. E também tem o SWU chegando com uma turma boa. O que importa é a música por perto. Em 2013 tem de novo. 

30.9.11

Stevie Wonder


Maravilha. Depois tento falar algo da noite. Foi histórico.

29.9.11

It´s SOUL Time



Segura a onda que hoje tem Stevie Wonder. Só se fala nisso. Brindes de luxo: Jamiroquai que, se caprichar no set, pode fazer um baita show; e Janelle Monaé com seu hiphopfuturistaprogressivo cheio de boas referências ao melhor da black music. Não vi quando abriu pra Amy no início do ano, mas, pelo que li, me pareceu um show pretensioso e um pouco exagerado. Vamos lá. Boto fé, música ela tem. É uma boa forma de preparar o terreno para Stevie brilhar. 

28.9.11

Metal no RiR

E o dia do metal foi, como se esperava, harmonioso e barulhento. Depois de dois dias mais ou menos, o Rock in Rio mostra coerência em uma boa escalação. Não vi quase nada do palco Sunset, mas o fiasco do Angra foi monumental e o Sepultura, dizem por aí, foi excelente. Mas naquele parque de diversões do Medina, a coisa te obriga a andar de um lado pro outro, enfrentar filas e nessa hora eu estava comendo, em outro bairro da Cidade do Rock -- lá na Rock Street, um dos pontos positivos da nova edição do festival. Quem abriu o palco Mundo foi o Gloria com uma série de clichês do heavy metal e um vocalista que só gritava. Só. Em seguida, uma tarefa difícil para o Coheed and Cambria, uma banda praticamente desconhecida por aqui: fazer um bom show para um público que, desde cedo, já queria ver Motorhead, Slipknot e Metallica. Claudio Sanchez (foto), vocal e guitarra, se esforçou e soltou um set afiado, muito bem tocado e com vocais certinhos. O C&C cruza um Rush com Iron Maiden, solta umas coisas de hardcore mais diretas, umas estruturas progressivas, e faz um metal híbrido, com uma verdadeira chuva de melodias. Foi um show muito bom, mas a banda precisa voltar para uma apresentação solo e melhorar a imagem. 

Motorhead eu estava distante, mas percebi o Lemmy com um vocal muito abafado, enquanto guitarras altíssimas. Passei batido pelos dinossauros. Slipknot veio na sequência com aquela performance arrasadora. Mascarados e elétricos no palco, fizeram um show espetacular comandado pelo vocalista Corey Taylor que, mesmo com aquela máscara, consegue ter carisma, assim como o restante de seus camaradas. Foi uma paulada e ótimos momentos como Before I Forget e Duality, onde Corey solta a voz, valem musicalmente.

O Metallica entrou em seguida. Veio tirar o atraso que vinha desde 99, quando foi a última apresentação. A sequência foi uma turnê desmarcada, em cima da hora, em 2003 e shows isolados em SP ano passado. Mas vamos lá. James, Lars, Kirk e Trujillo estão na melhor fase da banda: maduros, maduros, sóbrios e com domínio total de execução e palco. O set, hoje, privilegia a melhor fase, aquela que fica entre o primeiro, Kill Em All, e o blockbuster auto-intitulado, mas conhecido no mundo todo por Black Album. Mas entram outras coisas como Fuel, da época dos cabelos curtos, e All Nightmare Long e Cyanide do ótimo Death Magnetic, que ressuscitou o grupo.



James (foto) está cantando como nunca. Os pontas, Kirk e Trujillo, fazem muito bem seus trabalhos. E Lars, todo mundo sabe, tem raça, já não tem aquela velocidade dos anos 80, mas é o melhor baterista que o Metallica poderia ter. Não tem pra ninguém, o Metallica em cima do palco está imbatível. E toma de Creeping Death, For Whom the Bell Tolls, Ride Lightning, Fade to Black, Welcome Home (Sanitarium), Blackned, One, Master of Puppets, Sad But True, Enter Sandman, Nothing Else Matters, Whiplash e Seek and Destroy. Ufa.

A abertura é a de sempre com a emocionante Ecstasy of Gold, de Ennio Morricone. Outro momento que marcou a noite foi Orion, pérola instrumental do disco Master of Puppets, que representa Cliff Burton, baixista que morreu em um acidente em uma turnê na Suécia 25 anos atrás. Foi o grande momento. O espetáculo que o Metallica proporcionou, ainda bem, será sempre lembrado como o show que teve Orion. Sem mais.