29.12.10

Balanço dois mil e dez

Um resumão do meu ano - Rolling Stones, muito soul, Macca e Metallica no Morumbi, Rush, Modern Sound, Jeneci etc - está lá no blog que divido com o Rafael Teixeira. O apanhado dele também está lá e o nosso critério é totalmente pessoal, são acontecimentos nas nossas prateleiras, sons, ipods etc. Batemos em algumas coisas como o Queremos, o soul, o Jazz All Nights, a loja do Seu Pedro e o Paul. Depois de ler dois pontos dele, Dave Brubeck e a série da Biscoito, vejo que meu ano foi um pouco fraco de jazz. Já vou começar mudando isso hoje com o Time Out.

27.12.10

Com atraso: Lenny Kravitz

Embarquei em dois álbuns do Lenny Kravitz: Mama Said e Are You Gonna Go My Way, respectivamente, segundo e terceiro de carreira. Nunca me interessei pelo trabalho de Lenny, mas sempre olhei - e ouvi - com simpatia seus singles, mas nada que me fizesse pegar seus discos. Esse fim de semana, na já combalida Modern Sound - de jazz não tem mais nada praticamente -, comprei os dois que acabei de citar, em uma jogada de apostador. E bateu. Bateu muito bem. Rock com sotaque funk - ou o contrário - não tem como dar errado ou, ao menos, me trazer bons grooves e momentos. É aquele caldeirão com muito Hendrix, Sly, Lennon, Zeppelin, Marvin Gaye etc, e em grandes doses, quantidades quase exageradas, mas que fazem o som de Lenny algo a ser notado, pelo menos até o Circus, quarto cd, de 95. Um retrato dessa fase é Always on the Run, do Mama Said, em parceria com Slash. A música é conduzida por um super riff de guitarra, vocais à la Hendrix e um naipe afiado de metais.

Depois o rock com black music recebeu ainda mais injeção de pop, o que não tira o mérito do artista, apenas o joga para uma outra fase e um outro estrelato, que é ali a partir do 5, marcado pela swingada e pegajosa Fly Away e a cabeça sem os dreadlocks, no clipe da baladona I Belong to You. Na wikipedia vejo que Lenny prepara um álbum duplo, só de funk, para o ano que vem, que seria o Black and White America, coisa que já vem sendo feita ao longo dos últimos anos. É esperar para ver.
Enquanto isso vou descobrindo essa primeira fase, que nunca dei a devida atenção.

25.12.10

Está tocando


20.12.10

o tal Jeneci, parte 2

Preso, desde sábado, no álbum de estreia de Jeneci. Ao rodar o cd, fica uma coisa bonita no ar, há uma beleza no conjunto, desde a abertura bucólica com Felicidade ao encerramento épico com Feito pra Acabar - música que batiza o trabalho -, e seus pouco mais de 7 minutos.

Há uma coisa do Clube da Esquina e também espaço para guitarras tropicalistas, mas me chama atenção uma coisa no ar que remete ao Ventura, dos Los Hermanos. São como álbuns da mesma família, que pegam referências semelhantes e projetam a música para frente. Para um futuro.

Jeneci sabe das coisas. Quarto de Dormir, que me fisgou no fim de semana, é uma pérola que junta orquestração, harmonia rebuscada e um toque brega, enquanto Show de Estrelas tem um refrão que me leva a um clima Balão Mágico. O cd ganha pontos - e me conquista - na calmaria, nas águas tranquilas de canções como Dar-te-ei, Longe, Por Que Nós, Tempestade e Pra Sonhar. Quando a coisa flerta com o rock em Pense Duas Vezes Antes de Esquecer, o cd desliza um pouco com uma guitarra mal timbrada. Não importa, logo em seguida o final é grandioso com a faixa-título e é onde Jeneci assina o seu trabalho. É onde ele, como artista, fecha o pacote com um tema belíssimo. Não é uma última faixa ao acaso. Ela tem um motivo para estar ali e não podia ser diferente. Feito pra Acabar tem começo, meio e fim. E isso é ótimo.


18.12.10

o tal Jeneci


A coisa hype em cima de algum artista muitas vezes me deixa distante, como vinha acontecendo, por exemplo, com Marcelo Jeneci, músico paulista badalado por aí com o seu Feito pra Acabar, que acaba de ser lançado. Resolvi ir ao youtube e conferir sua Quarto de dormir, linkada em facebooks amigos e afins. A introdução orquestrada me conquistou de primeira e em seguida, quando Jeneci entra com a bela letra, há um encontro da orquestração erudita com o canto dele, mais popular -- o que me lembra a coluna de Dapieve ontem no Globo sobre a falsa barreira entre a música clássica e a popular, mas isso é outra história. Jeneci mesmo, em sua entrevista no Segundo Caderno, havia falado sobre suas influências sem barreiras, chegando em coisas sertanejas, por exemplo. Voltando à música: o final cresce, fica com o arranjo cheio, do jeito que gosto, bate uma onda anos 70, que deixa a mistura ótima. Vou atrás do álbum. Enquanto isso, Tulipa, outra que vem na cola de Jeneci, também me fisgou com sua Efêmera, que tocou bem nas caixas do Morumbi minutos antes do show do Paul, entre os rocks habituais daquela coisa que lembra uma sala gigante de espera. No momento toca Felicidade, a primeira do álbum e, realmente, há algo bonito na música de Jeneci. É cedo ainda para falar do cd inteiro, mas espero que dure por aqui.

E, no mundo soul, o pessoal do Queremos conseguiu bater a meta do Mayer Hawthorne, que falei no post anterior. Teremos o show no dia 14, no Circo.

15.12.10

Queremos Mayer Hawthorne

Quando descobri e entrei de cabeça em A Strange Arrangement - o belo álbum de Mayer Hawthorne - no início do ano, jamais pensei que assistiria o soulman ao vivo. E isso está perto de acontecer pela iniciativa dos cariocas empolgados do projeto Queremos.

A iniciativa é louvável e está sintetizada no nome do projeto, mas vou explicar: amigos se uniram para tentar trazer bandas que, provavelmente, não teriam escala no RJ. Eles vendem uma cota, chamada de ingresso-reembolsável, que viabiliza a confirmação do show; chegando no valor estimado, eles abrem a bilheteria e, dependendo das vendas, quem comprou o tal ingresso recebe de volta - parcial ou total do valor do ingresso. Caso o lote inteiro encalhe, o show acontece para alguns poucos sortudos que pagaram alto.


Tudo começou com o grupo Miike Snow e seguiu com Belle and Sebastian, Two Door Cinema Club e, o mais recente, Vampire Weekend. Todos com vitória. Ontem comprei minha cota do Mayer Hawthorne e quem quiser pode fazer o mesmo no site do projeto. Com menos de um dia de venda, já bateu 40% e vamos ver como caminha nas próximas 48 horas, que é o deadline. O show está marcado para o dia 14 de janeiro no Circo Voador.

A iniciativa é de quem gosta do artista para quem gosta do artista. Nada mais. E isso é o que vale. Em tempos de ingressos com valores absurdos, a iniciativa do Queremos ganha pela transparência e pela vontade de fazer acontecer. Ninguém quer ganhar dinheiro. É pela música. Tem gente que ainda quer fazer a diferença. Sorte nossa.

E mais: é possível votar na turma no prêmio do jornal O Globo --> http://oglobo.globo.com/projetos/fazdiferenca2010/

E aqui o site: www.queremos.com.br

12.12.10

Ladies & Gentleman: The Rolling Stones


Acabo de ver Ladies & Gentleman: The Rolling Stones, dvd lançado agora no fim do ano que traz um filme-concerto, de 72, quando Mick Jagger e cia faziam a turnê do Exile on Main St. Nos extras, duas entrevistas com Mick, uma de agora e outra antiga, com o Exile no forno, que tem espaço até para Marc Bolan - que na época estava na fase elétrica com Eletric Warrior e The Slider -, que Mick diz preferir na fase acústica. O show, que foi filmado para o cinema na época, traz os Stones em ótima forma e com um repertório de primeira, estão lá: Brown Sugar, Gimme Shelter, Happy, Sweet Virginia, You Can´t Always Get What You Want, All Down the Line, Jumpin' Jack Flash e uma - nas palavras de Mick - crua Tumbling Dice, sem o coro negro. Nas fotos dentro da edição caprichada é possível ver Stevie Wonder dividindo o palco com a banda em algum show, uma pena que esse momento não tenha ido para o dvd, que foi recuperado às pressas, caso contrário, teria ido para o espaço devido ao estado de imagem e som do material bruto. No final do filme, você se toca que os Stones estão aí até hoje, fazendo tudo isso da semana forma.

10.12.10

Fitz and the Tantrums

O que tocou muito bem ontem: Fitz and the Tantrums. Depois volto para contar algo, mas Moneygrabber é para correr no youtube agora.

addendum: Pickin'up the Pieces, o tal álbum da banda, é excelente. Hall & Oates, quando apareceram nos anos 70, souberam muito bem beber da soul music para compor o pop deles e, da mesma forma, é o que faz Fitz. A banda faz um álbum pop de qualidade, com as cores da música negra americana. Tighter, que fecha o álbum cheia de cordas, é uma pérola, parece aquelas belas canções que marcaram as rádios nos anos 70 e tocam até hoje nas FMs.

8.12.10

Dimebag Darrell

Em 2006, certamente em uma hora que muitos falavam do vigésimo sexto aniversário da morte de John Lennon, baleado por um fã; outro também levava um tiro de um fã. Dimebag Darrell, guitarrista do pesado Pantera, foi assassinado em pleno palco, por um fanático que não concordava com sua nova empreitada - uma banda em outra vertente, com o Pantera já encostado e aposentado.

O Heavy Metal perdia um ícone. Dimebag já era um herói por sua técnica e criatividade à frente da banda, que ainda tinha a voz incrível de Phil Anselmo, o baixista Rex Brown e o baterista, irmão de Dimebag, Vinnie Paul.

O álbum Cowboys from Hell é um marco e considerado o primeiro da carreira - antes o Pantera era uma banda de glam rock, poser, com os pés naquele hard rock americano. Com o Cowboys a coisa de mudou de figura, ficou agressiva e trouxe pérolas como a música-título, Psycho Holiday, Heresy e a bela Cemetery Gates, onde Anselmo cantava muito bem com sua voz limpa. Foi o único que embarquei, depois, os cds seguintes ficaram mais pesados e dei uma distanciada, ouvindo coisas soltas, entre elas, as obrigatórias This Love e 5 Minutes Alone. Mas o Pantera foi bem até o final, no Reinventing the Steel, de 2000. Dimebag Darrel brilhava, levou a guitarra do heavy metal além.

Na foto: Vinnie Paul, Dimebag, Rex Brown e Phil Anselmo.

4.12.10

Glenn Hughes

Fui à Sempre Música atrás dos ingressos do Glenn Hughes e saí de lá com três cds do próprio: Songs in the Key of Rock, de 2004; From Now On, de 94; e o último First Underground Nuclear Kitchen (FUNK), de 2008. Essa noite foi de overdose, acidental, não estava nos planos enfileirar três de GH. A verdade é que a passada na Sempre Música, loja que frequento há uns 12 anos, valeu, para azar dos bolsos e sorte dos ouvidos. A audição de FUNK confirmou a impressão que tive quando o disco saiu na época: é o melhor de Hughes em muito tempo por casar, assim como o espetacular Feel (95), tão bem o lado funk com o hard rock. E enquanto Glenn Hughes não grava um álbum de black music - será que isso acontece um dia? -, nos brinda com essas músicas banhadas na música negra americana. Ainda no álbum, a faixa título é alto nível, uma das mais funks de sua carreira, e o disco inteiro conta com Chad Smith na batera, já acostumado a dar o groove ao Red Hot, e boas intervenções de um afiado naipe de sopros. É Glenn Hughes em grande estilo. Depois falo dos ótimos From Now On e Songs in the Key of Rock, que faz referência ao clássico LP duplo de Stevie Wonder, Songs In the Key of Life.


2.12.10

Glenn Hughes vem aí