30.10.10

Living Legend


Enquanto isso, toca esse figurão aí, Baby Huey.

Tem texto lá no Epístolas Musicais.

26.10.10

A trilha de hoje


O discaço Swordfishtrombones, de Tom Waits, lançado em 83. Foi o momento da virada artística. Waits pegou outro caminho criativo. Foi longe.

23.10.10

Fear of the Dark, Iron Maiden


Um tempo atrás pintou no Facebook uma enquete dos 15 álbuns da vida, aquele bla bla bla. Como sou fã de listas - da mesma forma que acho besteira - resolvi pensar em uma. Pretendo escrever, com aquela habitual frequência indisciplinada deste blog, sobre cada um. O primeiro? Fear of the Dark, do Iron Maiden. Não tem jeito, fui fisgado por Steve Harris e cia quando tinha meus 13, 14 anos. A partir desse álbum a música ganhou outra importância, virou algo meu. Não era mais o que meus pais escutavam, ou meu irmão, ou o que tocava nas lojas, no shopping, na tv. Era a minha música.

Fear of the Dark foi muito novo, abriu uma porta e fascinou, pois o Maiden ia além da música com uma coisa quase super-heróis, que envolvia o Eddie, o Bruce no palco, as capas, as histórias e tudo mais. Para quem estava com aquela idade parecia perfeito. Não deu outra. Comprei tudo da banda e, cada vez mais, entrei na música. Wasting Love, Afraid to Shoot Strangers, Be Quick or Be Dead, Chain of Misery faziam muito sentido. Claro que, hoje, o Maiden não toca com a mesma intensidade por aqui, mas tenho aquela ligação. Semanas atrás, assistindo o dvd Flight 666, vi que ainda bate, e bem.

21.10.10

playlist do dia



Meio sem tempo - ou inspiração? - para um texto nos últimos dias, deixo aqui a playlist que me pegou hoje de manhã. Abriu com Bodysnatchers, do último do Radiohead. Uma das poucas da banda que me fisgou até agora, e é ótima. Depois o shuffle enfileirou duas de Nina simone, de presente, Break dow and let it all out e Brown eyed handsome man. Em seguida, Raphael Saadiq (foto) com Calling. Depois Calling card, de Rory Gallagher, e Can I play with madness, do Iron Maiden. Sim, a essa altura, consultando a lista no tocador, vejo que não estava no shuffle, mas numa ordem alfabética de todas as músicas das pastas, que segue. Carry Your Load, com Whitesnake em ótima forma; Casino Boogie, dos Stones; Cemeteries of London, do Coldplay e Cherry Oh Baby, com Stones novamente. Chicago aparece deslocado com a (ba)baladona Happy man.
E fechando, com classe, Tom Waits e a belíssima instrumental Closing time de seu primeiro álbum, de mesmo nome.

Agora, antes de desligar, ainda entrou Coisa n°1, de Moacir Santos, e assim deve seguir, pelas outras coisas do mestre, já que está na letra C.

addendum: já na F uma dobradinha de Felling Good, a de Nina Simone e a de Joe Bonamassa; Fish in the dish, com Sharon Jones; Flight of Icarus, Iron Maiden em ótima forma; Fool for your loving, da primeira fase do Whitesnake, ainda britânico e sem laquê; e os Stones voltam com a bela Fool to cry; Nina, de novo, com Four Women; seguindo com Freedom, pérola pop de George Michael.

18.10.10

Glenn Hughes em dezembro


Será?

Ele que tá dizendo aqui.

O Rio ficou de fora da última passagem pelo Brasil, ano passado.

15.10.10

+ música

Agora estou também no Espístolas Musicais, a convite do jornalistamigo Rafael Teixeira. A ideia, como o nome entrega, é uma conversa através de cartas, correspondências musicais. Isso está acontecendo no link abaixo:

www.epistolasmusicais.blogspot.com

Visitem.

11.10.10

A aula do RUSH


Assim como em 2002, quando passou pelo Maracanã, o Rush deu uma aula ontem. Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart tocaram por 3 horas e mostraram uma energia invejável ao lado da já habitual técnica a favor da música, como sempre. Ótimas surpresas como Time Stand Still, Presto, Subdivisions, Stick it Out e Marathon formaram muito bem a primeira parte do set ao lado de óbvias como The Spirit Of Radio, Freewill, e repetecos do show passado como Leave That Thing Alone.

A segunda, como todos já esperavam, foi Moving Pictures, álbum de 80, na íntegra, trazendo no pacote Camera Eye, uma das grandes composições do trio, e outras pérolas como 2112 Overture/Temple of Syrinx, La Villa Strangiato e Working Man. Foi uma verdadeira aula de música e presença. No meio disso tudo, ainda teve espaço para duas músicas novas, que estarão no próximo álbum. Caravan e BU2B mostram uma banda com peso e nova, e isso é ótimo.

O Rush é uma banda que passa longe dos clichês do rock progressivo ou do heavy metal ou do hard rock - gêneros com os quais, não tem jeito, acaba sendo associada - para ser única.

Geddy, Alex e Neil, com quase 40 anos de carreira, estão em alta. É mole?

addendum: no comentário, um anônimo me informa que Moving Pictures é de 81, e não 80, como está no texto. Acabei não checando no sempre útil Allmusic e o erro passou. Acho que, por estarmos em 2010, fiquei com a data redonda na cabeça, de 30 anos do álbum. Engano meu.

10.10.10

Hoje tem RUSH


Geddy Lee, Neil Peart e Alex Lifeson tocarão o Moving Pictures na íntegra e outras coisas mais. Conto depois.

8.10.10

Sempre as mesmas: Arthur Dapieve

Tempo atrás pintou a ideia de fazer entrevistas com (praticamente) as mesmas perguntas para diferentes pessoas, de tom totalmente informal, quase mesa de bar entre amigos. O objetivo é simples: ver o que pessoas diferentes acham dos mesmos assuntos; que aqui, muitas vezes, serão coisas que admiro (Peter Gabriel? Nina? Milton?) ou questões minhas (O que tem o Radiohead?, por exemplo).

Sendo assim, mandei uma primeira leva para o Arthur Dapieve, jornalista e colunista d'O Globo que acompanho, e ele topou. As respostas foram exatamente no espírito que eu imaginava para a coluna, que vou chamar de "Sempre as mesmas". Segue, então, a primeira, mas não sei como será a frequência. Semanal, mensal, anual, não importa muito. Pretendo também trocar uma pergunta ou outra com o tempo e dependendo do entrevistado. Ou seja, ao mesmo tempo algo formatado e solto.

Obrigado, Arthur Dapieve, pelas respostas.

(na foto: Roberta Sá - citada na entrevista -, escolhida para ilustrar o post pela boa cantora que é e por outros motivos óbvios)

Fernando Neumayer: Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale/Hughes?

Arthur Dapieve: Boa pergunta. Responder a opção B soa meio como heresia, né? Mas vamos à fogueira, então. Gosto mais da voz do Coverdale, mais grave do que da do Gillan. E o Hughes fez bonito também no Trapeze, embora eu curta muito o Roger Glover no baixo.


FN: Miles Davis vale em todas as fases?

AP: Sim, todas as fases em que ele se meteu e todas as fases em que se meteria caso tivesse vivido um pouco mais... Jazz-rap, jazz-eletrônica...

FN: E a Nina Simone?

AP: Não. A voz pouco mudou, mas o começo da carreira é espetacular, por causa dos arranjos e do repertório. Depois, ela virou middle of the road, muzak, sem a alma dos primeiros tempos.

FN: E o Milton Nascimento?

AP: Mais ou menos a mesma coisa que a Nina. A voz sempre foi estupenda, mas o começo, até o Clube de Esquina, é uma junção particularmente feliz de repertório e arranjo. Depois, a impressão que tenho é que o Milton ficou prisioneiro da própria voz rara, sendo ouvido pelos gringos como se fosse um freak.

FN: Beatles e Stones. O que um tem que o outro não?

AP: Os Beatles tinham o dom da criatividade infinita (enquanto durou). Os Stones têm o dom da vida eterna. Se fôssemos escolher entre os dons, qual escolheríamos?

FN: Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar também solo?

AP: O melhor ficou no Genesis, sem dúvida. Mas há coisa boa no solo, como, por exemplo, “Here comes the flood”. Além disso, ele foi um visionário que deu força para a “world music” na linda trilha de “A última tentação de Cristo”, do Scorsese, batizada “Passion”.

FN: O que tem essa cena indie de Artic Monkeys, The Strokes, Franz Ferdinand, Bloc Party etc? É pra tanto barulho? Quem se salva?

AP: Olha, tendo 46 anos no lombo, já ouvi muita coisa parecida antes. Stones, Stone Roses, Gang of Four, Clash, Mas não menosprezo os mais jovens, porque reinventar a roda pode ser uma arte, sim. Gosto de todos os nomes que você mencionou. Só que os meus favoritos no meio do tal “angular rock” são os Futureheads. Furiosos, urgentes.

FN: Da nova geração de cantoras do Brasil, quem se destaca?

AP: Gosto muito da paranaense Lorenza Pozza. Tem voz, presença, inteligência. E foge do rame-rame do sambinha light. Outra que foge bem disso é a potiguar acariocada Roberta Sá (foto).

FN: Radiohead é isso tudo? AP: Isso tudo e muito mais! Em mim, com “Ok computer”, eles reviveram a sensação de escutar Pink Floyd ou Clash pela primeira vez. Não é pouco, acredite.

FN: O que você está ouvindo?

AP: Neste preciso momento, “Richard Ashcroft & The United Nations of Sound”. Bonito, naquela onda sinfônica que deu bons momentos ao Verve. De maneira geral, tenho escutado muita música clássica, inclusive de autores contemporâneos, como o Lukas Foss, que morreu ano passado, aos 86 anos.

5.10.10

Coverdale


A trilha de hoje foi Ready an' Willing, disco que o Whitesnake lançou em 1980 ainda antes de embarcar descaradamente na década. Jon Lord e Ian Paice, do Deep Purple, se juntaram a Coverdale, que estava cantando muito na época. É um discão. Muito rock, muito blues, muito soul.

4.10.10

Finalmente


Paul confirmado. Tá no site dele.

3.10.10

Liberation Music Orchestra



Chove lá fora e, aqui, o baixista Charlie Haden com a Liberation Music Orchestra no disco de 2004, Not In Our Name, com arranjos de Carla Bley. A primeira faixa, que dá título ao álbum, é uma obra-prima jazzística com um tema tocado pelo naipe de sopros de forma primorosa. No texto do encarte, Charlie Haden linka o álbum ao primeiro, de 68, que contestava a situação no Vietnam, assim como esse que, no ano lançado, contestava a reeleição de Bush. No momento, a segunda faixa, uma versão jazzística, com pé (de leve) no reggae, de This is not America, composição de Bowie, Metheny e o fiel escudeiro deste, Lyle Mays. Muito bom. Ainda tem Amazing Grace lá pra frente. A turma dos sopros dá uma aula.

1.10.10

Merry Christmas Mr. Lawrence


Vi lá no blog do ACM relatos da viagem dele pelo Japão e, nas linhas, o nome de Ryuichi Sakamoto. Então, mudando de clima: Ryuichi Sakamoto, que pouco conheço ainda, mas é dono de um dos temas mais belos que já ouvi, do filme Merry Christmas Mr. Lawrence. Segue.


Lokua Kanza


Shadow Dancer, música de Lokua Kanza, é a trilha da manhã. Just To Say I Love You é outra ótima faixa de Wapi Yo, disco de 1995. Essas duas canções beiram o pop, com acento afro, e a brilhante voz de Lokua, que já havia me conquistado no projeto ao lado de Richard Bona e Gerald Toto, o Toto Bona Lokua, que falei aqui no retorno do blog. Mas o cd vai longe musicalmente e, assim como o projeto do trio, tem as letras entre o inglês, o francês e o - via wikipedia - lingala, dialeto africano. Lokua é do Congo e hoje mora no Rio de Janeiro.

Na foto: Lokua e Toto.