23.5.10

a opera de Monáe



Que grande surpresa esse The ArchAndroid, trabalho da cantora norte-americana Janelle Monáe. Depois de uns dias preso em sua Oh, Maker, sétima faixa do álbum, resolvi ver o que tinha nas outras e me surpreendi. O que encontramos em The ArchAndroid é uma incrível mistura de pop, r&b, soul, hip hop, rock, folk, rock progressivo com doses psicodélicas e por aí vai. É um cd sem limites, Monáe ousou. Somos apresentados ao seu mundo e suas visões através de referências e influências gritantes.

Dividido claramente em dois atos, na primeira parte temos Dance or Die, onde Monáe solta umas rimas; Faster e Locked Inside, essa segunda parece tirada do Off The Wall, de Michael Jackson; Cold War e Tightrope, que traduzem bem o espírito de Monáe; Oh, Maker, o folk r&b que me conquistou de primeira; e ainda a roqueira Come Alive e a viajante Mushrooms & Roses. Talvez nessa primeira leva esteja o grande poder de fogo de Monáe, é tudo mais pulsante. Na segunda metade, The ArchAndroid vai por um caminho um pouco mais relaxado em alguns momentos, como a bela Say You'll go e a espacial 57821. Em 18 faixas, Monáe ousou em arranjos grandiosos e gravou uma espécie de ópera-rock da nova black music. Ela sabe das coisas.

addendum: O cd pode, sim, soar longo, afinal são 18 faixas. E ainda não fiquei muito à vontade na segunda parte. Mas Monáe me conquistou, não consigo para de ouvir suas pérolas como, por exemplo, Tightrope (aquele arranjo de sopros no final tem algo de Moacir Santos, é ouvir para crer); e a overture que antecede a segunda suite tem um detalhe especial: uma reprise da bela melodia que, discretamente, fecha a folk-r&B Oh, Maker. É um trabalho feito nos detalhes e Monáe disse um dia desses no twitter que a experiência tinha que ser na íntegra, que era um álbum para se ouvir do início ao fim, sem essa de singles soltos ou um mp3 solitário. Ponto para ela.



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