10.5.10

o novo do Pain of Salvation


Como já imaginava, entrei de cabeça no novo cd do Pain of Salvation. Antes de falar sobre, vale lembrar que, a partir do disco Remedy Lane de 2002, Daniel Gildenlow (foto), vocalista e faz-tudo, começou a ficar ainda mais a frente das coisas. Aqui, nesse Road Salt - One, parece que ele deu mesmo todas as cartas, e a principal foi que o cd teria uma sonoridade "anos 70 com esteróides", como postou no site oficial da banda no fim do ano passado. E, de fato, é isso que acontece nas 12 faixas que somam pouco mais de 50 minutos.

A abertura com No Way já evidencia o acento setentista, mesmo com características fortes da banda; a segunda faixa, She Likes to Hide, e a quinta, Tell Me You Don´t Know, só confirmam essa direção, com arranjos mais econômicos, por exemplo. Sisters, um dos grandes momentos desse Road Salt, traz uma melodia que me lembrou momentos de inspiração como Chainsling, do já citado Remedy Lane, e também de algumas passagens do BE. O refrão parece algo mais folclórico, e a bateria percussiva contribui para isso. Outros bons destaques ficam com Sleeping Under the Stars (uma tarantella bizarra), Of Dust (apoiada em grandiosos corais), Innocence (talvez a mais Pain of Salvation de todas) e a belíssima faixa-título com Fredrik Hermansson pilotando muito bem um fender rhodes.

Road Salt é um ótimo trabalho, fortemente criativo. Sim, é mais direto, minimalista, com timbres novos, vocais -- que sempre foram abundantes -- presentes de outra forma, poucos solos, virtuosismo mais contido etc. Tudo que Daniel Gildenlow sempre passou, muitas vezes, dentro de uma única música, aqui aparece distribuído pelo álbum todo. As críticas que começaram no último trabalho, Scarsick, devem ficar mais fortes, e quem não pulou fora do barco para dar uma segunda chance, pula agora. Já quem apreciou, resta agora esperar a parte dois que sai no segundo semestre.


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