24.4.10

E o Muse?


Nessa semana quebrada aqui no Rio tenho me dividido entre o HAARP, do Muse (foto), e o album de Mayer Hawthorne. Como já havia dito no post anterior, Mayer Hawthorne faz um soul de alto nível e não consigo parar de ouvir as doze músicas de seu A Strange Arrangement. Nada mais a acrescentar sobre Mayer; é pegar e ouvir suas canções irresistíveis que, repito, parecem compostas em outros tempos. Mayer tem muito bom gosto e alma.

Já o Muse -- em outra praia com sua mistura de pop, rock, heavy metal, glam, eletrônica, rock progressivo, música erudita -- voltou para a minha parada pessoal. Assisti esse HAARP quando foi lançado, em 2008, mas depois não voltei mais, deixei de lado. O show, gravado no Wembley Stadium em 2007, capta a banda na turnê de seu excelente Black Holes and Revelations, disco que levou a música do Muse além, e isso é que faz a diferença aqui. Impressiona a capacidade das então novas músicas de crescer no palco, como Supermassive Black Hole, Starlight, a abertura apoteótica de Knights of Cydonia e a bela Invincible. E ainda há espaço para uma Feeling Good, do repertório da grande Nina Simone.

O que vemos em HAARP é uma banda grande, segura, com uma execução ao vivo impecável, deixando um Wembley Stadium lotado pulando, gritando e cantando todas as músicas. A direção do dvd é primorosa e assistir o show se torna, sim, uma experiência quase de estar lá.
Matthew Bellamy, guitarrista e vocalista, traz de volta, à sua maneira, a estética do guitar hero, mesmo com poucos -- e certeiros -- solos ao longo do set; sua técnica fica em cada riff, linha de guitarra, barulhinhos e efeitos que saem de seu instrumento, e tudo isso com um domínio que impressiona. Sua voz também está ainda melhor do que já foi, não se apoiando mais em efeitos.

Os excelentes Dominic Howard (bateria) e Chris Wolstenhome (baixo) são coadjuvantes de peso, essenciais para o que é o Muse -- um sonho de um quase megalomaníaco Matthew Bellamy. E esse é o segredo da banda: não ter medo de ser grande e pretensiosa. O rock precisa ser grande.
Às vezes mais é mais.

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