27.4.10

David Rhodes

Enquanto Peter Gabriel excursiona por aí apenas com orquestra, David Rhodes, guitarrista da sua banda, acha tempo para um trabalho solo. Vi no site do PG. Pode ser interessante. E a foto é ótima.

24.4.10

E o Muse?


Nessa semana quebrada aqui no Rio tenho me dividido entre o HAARP, do Muse (foto), e o album de Mayer Hawthorne. Como já havia dito no post anterior, Mayer Hawthorne faz um soul de alto nível e não consigo parar de ouvir as doze músicas de seu A Strange Arrangement. Nada mais a acrescentar sobre Mayer; é pegar e ouvir suas canções irresistíveis que, repito, parecem compostas em outros tempos. Mayer tem muito bom gosto e alma.

Já o Muse -- em outra praia com sua mistura de pop, rock, heavy metal, glam, eletrônica, rock progressivo, música erudita -- voltou para a minha parada pessoal. Assisti esse HAARP quando foi lançado, em 2008, mas depois não voltei mais, deixei de lado. O show, gravado no Wembley Stadium em 2007, capta a banda na turnê de seu excelente Black Holes and Revelations, disco que levou a música do Muse além, e isso é que faz a diferença aqui. Impressiona a capacidade das então novas músicas de crescer no palco, como Supermassive Black Hole, Starlight, a abertura apoteótica de Knights of Cydonia e a bela Invincible. E ainda há espaço para uma Feeling Good, do repertório da grande Nina Simone.

O que vemos em HAARP é uma banda grande, segura, com uma execução ao vivo impecável, deixando um Wembley Stadium lotado pulando, gritando e cantando todas as músicas. A direção do dvd é primorosa e assistir o show se torna, sim, uma experiência quase de estar lá.
Matthew Bellamy, guitarrista e vocalista, traz de volta, à sua maneira, a estética do guitar hero, mesmo com poucos -- e certeiros -- solos ao longo do set; sua técnica fica em cada riff, linha de guitarra, barulhinhos e efeitos que saem de seu instrumento, e tudo isso com um domínio que impressiona. Sua voz também está ainda melhor do que já foi, não se apoiando mais em efeitos.

Os excelentes Dominic Howard (bateria) e Chris Wolstenhome (baixo) são coadjuvantes de peso, essenciais para o que é o Muse -- um sonho de um quase megalomaníaco Matthew Bellamy. E esse é o segredo da banda: não ter medo de ser grande e pretensiosa. O rock precisa ser grande.
Às vezes mais é mais.

21.4.10

a alma de Mayer Hawthorne



Um amigo, sempre com boas dicas, falou sobre Mayer Hawthorne e fui atrás no youtube. O video que abri foi Just Ain´t Gonna Work Out e uma coisa totalmente Marvin Gaye conquistou-me na hora. A voz totalmente soul, o coro e os arranjos não eram, digamos, compatíveis com a imagem de Mayer, que tem uma figura que lembra o pessoal do Weezer ou da série Big Bang Theory. E isso é o que deixa ainda mais interessante o trabalho desse compositor, cantor, produtor, multi-instrumentista, DJ, pelo que vi na Wikipedia.

Fui atrás de seu album de estreia A Strange Arrangement, e tem sido ótima trilha para os últimos dias, me tirando de audições compulsivas do Band on the Run, do Macca. Mayer se mostra um ótimo compositor, além de cantor, ao longo das 12 faixas -- apenas Maybe So, Maybe No não é de sua autoria, vejo no google ser do grupo The New Holidays. As referências são gritantes, além de Marvin Gaye, é possível ver Barry White, Smokey Robinson, Curtis Mayfield etc, de forma genial. Passada a abertura com Prelude, Mayer nos brinda com a faixa-título, uma das melhores do álbum, com uma linha vocal irresistível. Outra que chamou muita atenção -- e é a que toca no momento -- é Your Easy Lovin' Ain´t Pleasin' Nothin', que parece tirada do repertório dos Jacksons 5, assim como Make Her Mine.

Mayer fez um cd brilhante do início ao fim que, ao lado do Back to Black da Amy, já é o grande representante dessa nova onda que resgata o soul e black de décadas atrás. Mayer Hawthorne é altamente recomendável -- doses altas de soul e bom gosto.

addendum: Não que Mayer atualize a linguagem do soul -- Maxwell faz isso muito bem --, mas a linguagem aqui é da época, são canções que remetem de forma instantânea à gravadora Motown, por exemplo, e assusta a maneira que ele executa isso. Li em buscas no google que o executivo da gravadora que lançou Mayer, a Stones Throw, pensou que estava diante de regravações de pérolas obscuras dos anos 60 e 70 -- época de ouro da música negra americana.

Aqui tem uma pequena entrevista com ele.

19.4.10

Band on the Run


Paul foi pra Nigeria em busca de novos ares para gravar seu quinto álbum solo, Band on the Run, em 73. Com sua banda Wings então resumida a um trio -- ele, sua mulher Linda e Danny Laine -- Paul gravou um álbum que beira a perfeição. A criatividade transborda em todas as faixas e mostra que Paul, em matéria de arranjos e canções, talvez tenha sido mesmo o mais fluente dos Beatles, e mesmo depois, voando solo. Sem essa de beatle favorito, Paul, musicalmente, sempre pareceu estar com a cabeça à frente em arranjos e melodias já desde a fase final do grupo -- Abbey Road mostra isso muito bem. E Deixando de lado as notáveis Jet, Let me roll it e a faixa-título, outras como Picasso's Last Words (Drink to me), Nineteen hundred and eighty-five e Mrs Vandebuilt são grandes momentos.

Na foto: Linda e Paul.

16.4.10

Phil Collins Motown

Phil Collins lançará esse ano um cd com repertório da época da Motown, com direito a músicos de estúdio que atuavam na época de ouro da gravadora. Gosto muito do Phil e dessa ideia. Vi no blog do Mauro Ferreira.

15.4.10

Copa Fest


O Copa Fest, que agora acontece duas vezes por ano, traz grandes nomes em seu elenco desse ano -- Hermeto Pascoal, Chico Pinheiro (foto pescada no google), Marcos Valle, Cesar Camargo Mariano, Osmar Milito, e Zé Luis e a Banda Magnética abrindo a noite de amanhã. Será interessante para o público carioca -- e quem mais estiver pela cidade -- poder ver artistas que raramente se apresentam nos nossos palcos. Deixo aqui a escalação com os horários.

Sexta, às 21h - Zé Luis e Banda Magnética
Sexta, às 23h - Hermeto Pascoal Sexteto
Sábado, às 19h - Chico Pinheiro Quarteto
Sábado, às 21h - Marcos Valle, Jet Samba
Sábado, às 23h - Cesar Camargo Trio
Domingo, às 18h - Osmar Milito Trio (Augusto Mattoso no baixo e Rafael Barata na bateria) e convidados
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14.4.10

novidades do Pain of Salvation

Saiu o tracklist e as datas de lançamento de Road Salt - One, o novo do Pain of Salvation que sai pela Inside Out Music. É esperar o que Daniel Gildenlow (na foto de Lars Ardarve) está preparando. Tá no site oficial deles.

RUSH

Quando escutei pela primeira vez A Show of Hands, do Rush, senti algo estranho e afinal aquilo era meio além do meu universo, na época dominado por Iron Maiden e afins. Não lembro exatamente quando fui dar uma segunda chance ao cd, mas não foi muito tempo depois, e foi tudo diferente -- Mission e Time Stand Still me conquistaram na hora. A partir disso comecei a embarcar no cd com Marathon, Turn the Page, Red Sector A, Manhattan Project e nesse Rush da década de 80. Até hoje, na minha relação com a banda, sempre fui mais pra frente do que pra trás, fui pra década de 90, e não para a de 70, que é justamente considerada a mais brilhante, com aquela verve musical mais progressiva. Sim, é fácil atacar o Rush da década de 80, cheio de teclados cafonas, ombreiras, música pop, cabelos da época etc, mas muitos -- Yes? Genesis? -- foram convertidos e, talvez ao lado do Genesis, o Rush tenha se saído melhor.

Depois, os anos 90 trouxeram ótimas vibrações para a banda, que soube se reinventar desplugando os teclados e pegando uma veia mais rock. É muito interessante o que o Rush fez no início da década em Test for Echo, Roll the Bones e principalmente Counterparts. Essa reinvenção constante e inquieta através das décadas talvez tenha sido mesmo o grande caminho que o Rush encontrou para estar sempre na ativa, e isso é certo, o Rush sempre esteve vivo e por perto.

10.4.10

SLY


A trilha sonora da semana tem sido o disco Life, do Sly and the Family Stone, que comprei em janeiro, e não havia ainda embarcado. Life é espetacular e no texto do encarte vemos que é um trabalho espremido entre duas populares obras de Sly e sua turma -- Dance to the Music e Stand!. Gravado em 68, Life tem naturalmente aquele espírito da época onde tudo acontecia: psicodelia, soul, funk e rock. E isso fica claro em faixas como Dynamite! (abertura poderosa), Plastic Jim (um dos melhores momentos), Sorrow (excelente bonus track instrumental), M'lady (com metais inspirados) e a faixa-título. Sly é carismático, meio figurão, e tem músicos e cantores de alto nível ao seu lado executando pérolas funk -- todos ingredientes necessários para uma musicalidade com o astral lá em cima e ótimas vibrações. Há algo de espetacular na família de Sly Stone.

8.4.10

Moacir Santos


Já vi diversas datas de nascimento para o nosso Moacir Santos, até li uma vez que nem ele mesmo tinha certeza de sua certidão, mas como uma das datas que vi é 8 de abril, deixo aqui uma foto do mestre. Conheci a música de Moacir através do Ouro Negro -- álbum produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira de forma brilhante regastando sua obra genial --, e desde então fiquei fascinado.

7.4.10

capas de Storm Thorgerson


Storm Thorgerson fez as mais icônicas capas do Pink Floyd, outras para Peter Gabriel, Genesis e Led Zeppelin, e até hoje trabalha com nomes como Mars Volta e Dream Theater. Gosto muito dessa acima, para citar uma das mais recentes, do Absolution, ótimo álbum do Muse. Tem um espetacular audio slideshow no site da BBC com as principais capas e o próprio falando como as criou. Aqui.

6.4.10

MILES



Aproveitando o (quase) feriado forçado, por conta da chuva que castiga o Rio, fui ao cd bonus que saiu na edição de luxo do Kind of Blue, de Miles. Gostei muito da abertura com On green dolphin street e a sequência com Fran-dance, Stella by starlight, Love for sale, outro take de Fran-dance e uma So What em ritmo acelerado com um Coltrane nervoso, atirando notas freneticamente. Aliás, essa edição, que saiu ano passado, é ótima -- muitos outtakes, músicas bonus e um DVD, que se divide em um mini-documentário de 2004 sobre o álbum e uma apresentação de Miles para televisão, em 1959. É uma boa edição nacional -- que na maioria das vezes perde para as gringas -- com encarte rico, cheio de textos, fotos de Miles e sua banda, e ainda tem uma bela camisa. Mas agora já estou em John Mayer e seu Continuum em alto e bom som. A música que Mayer começou a fazer aí não me cansa e sempre é bom ouvir seus grooves, solos e baladas.

Na foto, Coltrane em primeiro plano, com Miles ao fundo, nas sessões do Kind of Blue.

5.4.10

MPB & Jazz


Essa quinta tem Wagner Tiso, ao lado da Orquestra Petrobrás Sinfonica, dando continuidade ao belo projeto MPB & Jazz com um show em homenagem a Dolores Duran, no Canecão. É o primeiro da série que acontece esse ano e terá participações de Emilio Santiago, Mariana Aydar e Zélia Duncan.

1.4.10

Bridgestone Music Festival 2010

O Bridgestone Music Festival volta a São Paulo em maio, do dia 19 ao 22, para sua terceira edição. Uma das atrações que chamou minha atenção foi o show do baterista Daniel 'Pipi' Piazzolla (foto) ao lado do sexteto Escalandrum. Como o nome entrega, Pipi é neto do grande Astor Piazzolla, e vem justamente com um repertório jazzístico baseado na obra de seu avô. E isso promete ser espetacular. Outra atração, na mesma noite de Pipi, é o lendário baixista Dave Holland com o Overtone Quartet, que conta com Jason Moran, Chris Potter e Eric Harland. Holland integrou a usina sonora que foi a banda de Miles Davis, entre 68 e 72, participando de discos essenciais como Bitches Brew e In a Silent Way.

O Bridgestone Music Festival, comandado por Toy Lima, além de trazer lendas -- Lonnie Smith em sua primeira edição, Jimmy Cobb ano passado, Ahmad Jamal agora em maio -- está sempre em sintonia com o que vem acontecendo na cena lá fora e esse é o grande diferencial do festival. Daniel Piazzolla, por exemplo, traz um show especialmente para o Brasil em um formato com poucas apresentações ao vivo. E Dave Holland fez sua estreia com o Overtone ano passado. Essa mistura do novo com o clássico que dá o tom certo ao evento, que é imperdível para quem está em São Paulo. Espero que um dia o Rio possa receber essa turma.

Qualquer coisa, quem quiser, é só ir atrás das infos aqui.