5.3.10

os covers de Peter Gabriel



Ao ouvir, pela primeira vez, o novo álbum de Peter Gabriel, senti algo diferente. Nem tudo que esperava tinha batido da forma que eu imaginava. E acredito que, a cada lançamento, Peter fora assim. Tornando uma primeira audição algo meio incômodo e desconfortável. Digo que acho isso porque no último lançamento de PG, 8 anos atrás, eu não estava por dentro de sua obra. E, UP, o último em questão, certamente soou de forma quadrada em primeiras audições, ainda mais com Darkness, aquela pérola sombria e pesada, com intervenções belíssimas e inesperadas. Algo totalmente diferente.

Mas Scratch my back -- que já saiu no Brasil pela EMI, com quase nada de atraso em relação ao mercado internacional -- é espetacular depois de uns dias no player. A minha decepção de ouvir uma morna Philadelphia (Neil Young) nas primeiras vezes, logo mudou, comecei a achar a versão com classe e contida. É uma composição difícil, a original é delicada, quase intocável e cantada com aquela voz frágil que só Neil Young consegue ter. Oposto da voz grave e rouca de PG, que acertou na escolha e na gravação. Outros grandes momentos encontrei no meio das canções: Heroes, de Bowie; uma ótima Mirrorball, dos ingleses do Elbow; arranjos sublimes em My body is a cage, do Arcade Fire; e uma orquestra grandiosa em Aprés moi, da Regina Spektor.

Peter Gabriel lançou mais um ótimo disco, essa é a verdade. Sua inquietude em apresentar algo fora dos padrões do mercado e de sua obra dividirá opiniões, isso é certo. Muitos atacarão e chamarão o trabalho de chato, monótono, com momentos pomposos, ou falarão que, orquestra, hoje em dia, é cafona. Tudo isso. Mas nada tira o brilho do trabalho, que deve ter o cd de resposta: artistas, gravados por ele, farão suas músicas no que deverá ser o I'll Scratch Yours. Elbow parece que já trabalha em Mercy Street. Paul Simon em Biko. Qual será a de Neil Young? E o Radiohead, de Thom Yorke, que tem deixado Peter Gabriel falar com a secretária eletrônica?

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