31.3.10

Jazz Magazine

Boa essa capa da Jazz Magazine com o Marcus Miller, não? Aqui.

26.3.10

as boas novas de Daniel Gildenlow e cia



Daniel Gildenlow, à frente de seu (agora quarteto)
Pain of Salvation, vai lançar dois álbuns esse ano -- Road Salt: Ivory e Road Salt: Ebony. O primeiro (capa acima) tem 12 faixas e sai agora em maio, enquanto o segundo deve ficar para agosto. Julgando pelo EP Linoleum, lançado meses atrás, e amostras que saíram na internet -- a setentista Conditioned e a bela faixa-título --, podemos perceber um rompimento com a estética musical que sempre acompanhou a banda, mesmo que o último, Scarsick, já apontasse outra direção. Road Salt parece ir ainda mais por outro caminho. Segundo Daniel, seria algo como anos 70 com esteróides; e tem mesmo algo disso no ar. O Pain of Salvation sempre foi nos extremos com sua música, sempre mudou de um disco pro outro, mas, essa mudança que vem por aí, promete abalar as estruturas.

25.3.10

Jim Marshall, lente do rock

Jim Marshall, um dos mais célebres fotógrafos de rock, subiu ontem aos 74 anos. Fica seu legado, que é de uma importância sem tamanho para o mundo da música e o da fotografia. Marshall começou fotogrando gente do jazz como Miles e Coltrane e depois virou testemunha ocular da fase de ouro do rock passando por Beatles, Stones, Dylan, Janis e por aí vai. A foto de Jimi Hendrix queimando a guitarra é um de seus mais icônicos registros, mas fico aqui com outra que gosto muito.

24.3.10

o soul pop de Michael McDonald

Uma das vozes que mais gosto, sem dúvida, é a de Michael McDonald. Hoje chegou, via amazon, seu primeiro disco solo If that's what it takes. É aquela mistura saudável de pop, soft rock e soul, tudo com muita classe, e lembrando, em vários momentos, o Doobie Brothers de Minute by Minute, quando McDonald praticamente comandava a banda. A segunda faixa I keep forgettin' virou uma das mais lembradas de seu repertório e tem a presença luxuosa do baterista Jeff Porcaro e do guitarrista Steve Lukather, do Toto, acompanhando o Fender Rhodes característico de Mcdonald. Outro que aparece é o guitarrista Robben Ford com um solo em That's Why. É pop refinado, com acento soul, e pra ouvir alto.

23.3.10

A vitória do Pink Floyd



O Pink Floyd (foto) ganhou dias atrás uma batalha em cima da gravadora EMI -- esta não poderá vender músicas da banda de forma avulsa, apenas os álbuns na íntegra. É uma vitória em nome da arte e dos álbuns que eram -- e ainda são -- pensados do início ao fim. E isso não é preciosidade do rock progressivo ou de bandas "velhas", o Muse fez isso no último trabalho, o Green Day em seu American Idiot, e acredito que U2, Coldplay e quem sabe até alguns rappers, também pensem na sequência de faixas do álbum. Não se vende 10 páginas de um livro, assim como não podemos assistir uma cena solta de um filme e ter completa noção do que ele passa. A ideia, que vem de antes da era do download, é manter a integridade artística dos discos, e isso consta em um contrato assinado pelo Pink Floyd em 1967. Evidente que tratava das vendas físicas, mas foi base para o juiz dar causa ganha à banda agora em 2010. Hoje vi que, Guy Garvey, vocalista da banda britânica Elbow, engrossou o coro e pediu que outras bandas façam o mesmo, clamem pela venda dos discos completos. A atitude louvável do Pink Floyd é mais uma tentativa de pegar ar e seguir em frente no universo da venda de música nesses (incertos) novos tempos.


22.3.10

Dream Theater no Rio


Nove músicas em 2 horas de show e o Dream Theater mais uma vez passou o seu recado. Foram intermináveis solos -- incluindo de iPhone ligado no teclado de Jordan Rudess --, um set list bem dividido sem deixar cair o ritmo da apresentação, e uma banda ainda mais à vontade do que nas vezes passadas. O show é de uma musicalidade que impressiona qualquer um, era só olhar nos rostos espalhados pela pista e notar sorrisos e emoções das mais diversas. Sim, a música do Dream Theater, mesmo com uma técnica levada ao extremo e com longas durações, é capaz de emocionar e prender o olhar de todos, ninguém quer perder nem um segundo do que acontece em cima do palco. Outro ponto interessante é a aceitação de todos em relação às músicas novas, que normalmente, em shows de outras bandas, não envolvem, pela sede que todos têm de ouvir logo os chamados "clássicos". Todas as três novas -- Rite of Passage, Nightmare to Remember e a bela Count of Tuscany -- foram muito bem recebidas como, praticamente, qualquer outra do set, que teve grandes momentos como Mirror, Lie, Take the Time, In The Name of God, Sacrificed Sons e Solitary Shell -- com uma jam enorme no meio -- fechando a grande noite.

Na foto, que pesquei no Google, o guitarrista John Petrucci e o tecladista Jordan Rudess em um dos duelos que normalmente arrancam aplausos do público, hábito tradicional em shows de jazz em pequenos bares, como bem observou Eduardo Fradkin na ótima crítica no globo online.


19.3.10

amanhã é dia de Dream Theater

Amanhã é dia de Dream Theater -- com abertura luxuosa de Bigelf -- e nada mais importa. É sempre um passeio, uma viagem musical, que vai além. É a terceira vez que vejo um show da banda, não vou agora ver qual é o número dessa passagem no país, mas é muito interessante ver a constante crescente que a banda vem atingindo com passar dos anos. Quando tive o primeiro contato, através do álbum Awake, circa 99/2000, jamais imaginaria esse status. Assistir um show deles era coisa de VHS, que já sumia na época. Desde então, depois do clássico Scenes From a Memory, Mike Portnoy e cia viraram protagonistas, enquanto dividiam, claro, opiniões. Hoje a banda é um dos maiores nomes da música pesada juntando tão bem a elaboração e sensibilidade do rock progressivo ao peso do heavy metal. O último Black Clouds & Silver Linings é prova perfeita desse equilíbrio. Esse sábado, mais uma vez, é pra testemunhar.

16.3.10

+Tom Waits


Pretendia mergulhar nos discos do Dream Theater como aquecimento para o show de sábado, mas Tom Waits tem reinado absoluto. Seu Glitter and Doom (capa no post abaixo) não sai do som, nem da cabeça. Normalmente esses tipos únicos me fascinam. Foi -- e é -- assim com o próprio Dream Theater, e também com Peter Gabriel, Nina Simone e Milton Nascimento, para citar alguns exemplos. Com Tom Waits não está muito diferente, a pluralidade musical que sai de suas canções é de arrepiar, e não só pela voz quase assustadora, mas justamente pelas referências de jazz, música folk, rock, blues, soul, tango, broadway, teatro e tudo que ele tem direito. Pretendo ir atrás de muitos de seus álbuns, e, apesar de ter começado por esse ao vivo, que normalmente não acho o caminho mais adequado de conhecer um artista, no caso de Tom foi certeiro.

Sua I'll shoot the moon, com cara de standard jazzístico, me conquistou há dias e abriu a porta para Glitter and Doom. Outras como a folk Trampled rose - que li ter sido gravada por Robert Plant e Alison Krauss recentemente -, as roqueiras Make it rain e Metropolitan Glide, as belíssimas Fannin street e Lucky day, são mais amostras de onde Tom Waits pode chegar, e eu vou atrás.

12.3.10

a música de Tom Waits


De molho em Glitter and Doom, álbum ao vivo de Tom Waits lançando ano passado. Difícil falar o que sai dessas músicas, tentarei escrever algo depois. Por enquanto, apenas a capa.

70


A mistura de Black Sabbath, T Rex, Beatles e Pink Floyd dos norte-americanos do Bigelf chega ao Rio no próximo dia 20, no show de abertura do Dream Theater. O último álbum do Bigelf, Cheat the Gallows, vem na mesma linha de qualidade do anterior HEX, com a mesma perfomance hipnótica do líder Damon Fox. A questão é se os fãs radicais de Dream Theater -- acostumados apenas a inversões de tempo, músicas longas, compassos quebrados, malabarismos -- terão paciência para a verve descaradamente setentista do Bifelf.

9.3.10

NINA



Fui ao allmusic ver o artigo sobre o disco Silk & Soul, de Nina Simone, e percebi que não há nada sobre sua obra-prima High Priestess of Soul. Mas Silk & Soul chegou segunda, o dia feminino, via Amazon, e nada como Nina para completar o cenário. Ouvindo o cd já percebo a presença de coisas mais elétricas nesse álbum, gravado em 67, como a forte presença de dois guitarristas, Eric Gale e Rudy Stevenson, em várias faixas, e menos cordas como no High Priestess of Soul, que penso ser o álbum anterior; informação que o allmusic me impede de conferir. Nina usa e abusa de sua musicalidade e traz referências do jazz, do soul, do folk, do rock, da música afro e por aí vai. Silk & Soul é grandioso, rico, leve, cheio de metais e ainda tem espaço para The look of love, composição de Burt Bacharach e Hal David, numa versão quase definitiva. Outra que chamou atenção foi I wish I knew how it would feel to be free, de Billy Taylor e Richard Lamb, que vejo na wikipedia ter outras versões de artistas como Lighthouse Family, John Denver e Jools Holland. E a capa ainda é bela.

5.3.10

os covers de Peter Gabriel



Ao ouvir, pela primeira vez, o novo álbum de Peter Gabriel, senti algo diferente. Nem tudo que esperava tinha batido da forma que eu imaginava. E acredito que, a cada lançamento, Peter fora assim. Tornando uma primeira audição algo meio incômodo e desconfortável. Digo que acho isso porque no último lançamento de PG, 8 anos atrás, eu não estava por dentro de sua obra. E, UP, o último em questão, certamente soou de forma quadrada em primeiras audições, ainda mais com Darkness, aquela pérola sombria e pesada, com intervenções belíssimas e inesperadas. Algo totalmente diferente.

Mas Scratch my back -- que já saiu no Brasil pela EMI, com quase nada de atraso em relação ao mercado internacional -- é espetacular depois de uns dias no player. A minha decepção de ouvir uma morna Philadelphia (Neil Young) nas primeiras vezes, logo mudou, comecei a achar a versão com classe e contida. É uma composição difícil, a original é delicada, quase intocável e cantada com aquela voz frágil que só Neil Young consegue ter. Oposto da voz grave e rouca de PG, que acertou na escolha e na gravação. Outros grandes momentos encontrei no meio das canções: Heroes, de Bowie; uma ótima Mirrorball, dos ingleses do Elbow; arranjos sublimes em My body is a cage, do Arcade Fire; e uma orquestra grandiosa em Aprés moi, da Regina Spektor.

Peter Gabriel lançou mais um ótimo disco, essa é a verdade. Sua inquietude em apresentar algo fora dos padrões do mercado e de sua obra dividirá opiniões, isso é certo. Muitos atacarão e chamarão o trabalho de chato, monótono, com momentos pomposos, ou falarão que, orquestra, hoje em dia, é cafona. Tudo isso. Mas nada tira o brilho do trabalho, que deve ter o cd de resposta: artistas, gravados por ele, farão suas músicas no que deverá ser o I'll Scratch Yours. Elbow parece que já trabalha em Mercy Street. Paul Simon em Biko. Qual será a de Neil Young? E o Radiohead, de Thom Yorke, que tem deixado Peter Gabriel falar com a secretária eletrônica?