8.2.10

Batalhas do novo John Mayer

Alguns artistas ficam presos à imagem que construíram. É o caso de John Mayer, hoje com 32 anos, excelente guitarrista, compositor e cantor. Seus dois primeiros álbuns são à base de um pop açucarado quase adolescente feito por um “rostinho bonito”. Resultado: um público feminino fiel e uma boa torcida de nariz de crítica e público.

Alguns artistas resolvem desconstruir a própria imagem. Mais uma vez, é o caso de John Mayer. Com o lançamento de TRY!, em 2005, John entrou em um novo caminho ao lado do baixista Pino Palladino (Jeff Beck, The Who, Simon & Garfunkel) e do baterista, produtor e fiel escudeiro Steve Jordan (Bruce Springsteen, Robert Cray, Sonny Rollins), com o nome de John Mayer Trio. E, com Continuum, no ano seguinte, isso se confirmou. Um apanhado de canções de bom gosto, sob influência direta de blues e soul, que rendeu o ótimo show e dvd Where the light is – Live in Los Angeles.

Agora é a vez de Battle Studies (Sony): um mosaico de referências como Tom Petty, Fleetwood Mac, Neil Young, Eric Clapton, George Harrison, que ele prepara com ingredientes mais atuais. Não se ouve, musicalmente, uma tentativa de repetir o desempenho de Continuum, John procurou outros caminhos para composições primas do álbum anterior, e isso foi positivo.

O cd abre com Heartbreak warfare e certo ineditismo em uma guitarra que remete a U2, e segue bem com All we ever do is say good bye e Half of my heart – momento Fleetwood Mac, com uma discreta participação da cantora country Taylor Swift. Who says, a quarta faixa, é uma ótima canção folk simples e direta, e foi o primeiro single do álbum. O miolo reserva os melhores momentos com Perfectly lonely, Assassin, Crossroads (cover do blueseiro Robert Johnson), War of my life e Edge of desire, esta uma das grandes músicas do álbum. Do you know me funciona como uma transição para a última faixa, Friends, lovers or nothing, composição inspirada, com um tema de guitarra marcante que fecha o pacote em tom de despedida.

Com o mundo pop hoje – aliás, até quando? – dominado pelos hip hoppers e cantoras corpulentas, John Mayer soa como um sopro de bom gosto. Está longe de ser original – e ele deve saber disso -, mas faz uma boa reciclagem de velhas ideias. No palco, sua música cresce, tem espaço para pérolas de Ray Charles e Jimi Hendrix, e uma guitarra em punho pronta para disparar solos a qualquer momento. Battle Studies é pop, mas não é ensolarado; é maduro, e vem afirmar a capacidade do artista de se recriar mostrando, mais uma vez, que John Mayer merece atenção.

Esse texto também está no Caixinha de Música. Uma parceria que vem pra somar. Entrem lá na caixinha também

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