28.2.10

Viva La Vida

Há pouco, no Multishow, um documentário sobre a última turnê do Coldplay, que está passando pelo Brasil nesse exato momento, mostrou uma banda consciente e interessante. Gostei de ver Chris Martin e cia falando sobre as coisas que envolvem estar numa banda que realmente é uma das grandes dos últimos 20 anos. O Coldplay nunca me conquistou, até o último trabalho, o Viva La Vida. Senti que, com esse álbum, a banda foi além; buscou arranjos diferentes, outras inspirações, se juntou a Brian Eno e fez um trabalho rico. Hoje, nas imagens de um show no Japão, com uma ótima presença de palco e uma super produção, me cativaram também com Yellow, Fix You e Clocks, essa que já gostei em outra época. Sei que são músicas dos anos que não vejo brilho, mas devo ir atrás, principalmente do A rush of blood to the head. Merecem mais uma chance.

25.2.10

Jacob no Centro Cultural Correios


O Alcantilado, formado por Fábio Nin no violão e Paulo Sá no Bandolim, convida quatro nomes da música instrumental brasileira para homenagear o grande Jacob do Bandolim, de hoje até o dia 28, no Centro Cultural Correios. O convidado para a abertura nessa quinta é o trompetista Silvério Pontes, e seguindo com um convidado por dia, o duo recebe o super gaitista Gabriel Grossi, o pianista Vitor Gonçalves e o violinista francês Nicolas Krassik. O percussionista Beto Cazes estará presente em todas as apresentações, sempre às 19h. O repertório além de apresentar pérolas de Jacob como Cabuloso e A ginga do mané também passa por coisas como Karatê, de Egberto Gismonti, e Samambaia, de Cesar Camargo Mariano. Promete.

A foto é de Paula Monte.

23.2.10

PG na MOJO

20.2.10

Almanaque do Samba Jazz


O lado jazzístico da música brasileira chega ao CCBB, no próximo dia 23, com o grupo Copa 5 -- que acompanhava o saxofonista e pioneiro da fusão JT Meirelles -- e o convidado João Donato (foto) na estreia do Almanaque do Samba Jazz. A série vai até 30 de março (serviço completo abaixo) iluminando essa vertente valiosíssima da música popular brasileira com apresentações como a imperdível do sexteto de Hamleto Stamato com o trombonista Raul de Souza, no dia 2 de março; e ainda Henrique Band, SambaJazz Trio, Maurício Einhorn, David Feldman e gigantes como Antonio Adolfo e Paulo Moura.

23 de fevereiro e dias 2, 9, 16, 23 e 30 de março de 2010 (duas apresentações: 12h e 19h)
Teatro II do Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio de Janeiro. Informações pelo telefone: (21) 3808.2020
R$ 6, com meia-entrada (R$ 3) para estudantes e maiores de 65 anos

8.2.10

Batalhas do novo John Mayer

Alguns artistas ficam presos à imagem que construíram. É o caso de John Mayer, hoje com 32 anos, excelente guitarrista, compositor e cantor. Seus dois primeiros álbuns são à base de um pop açucarado quase adolescente feito por um “rostinho bonito”. Resultado: um público feminino fiel e uma boa torcida de nariz de crítica e público.

Alguns artistas resolvem desconstruir a própria imagem. Mais uma vez, é o caso de John Mayer. Com o lançamento de TRY!, em 2005, John entrou em um novo caminho ao lado do baixista Pino Palladino (Jeff Beck, The Who, Simon & Garfunkel) e do baterista, produtor e fiel escudeiro Steve Jordan (Bruce Springsteen, Robert Cray, Sonny Rollins), com o nome de John Mayer Trio. E, com Continuum, no ano seguinte, isso se confirmou. Um apanhado de canções de bom gosto, sob influência direta de blues e soul, que rendeu o ótimo show e dvd Where the light is – Live in Los Angeles.

Agora é a vez de Battle Studies (Sony): um mosaico de referências como Tom Petty, Fleetwood Mac, Neil Young, Eric Clapton, George Harrison, que ele prepara com ingredientes mais atuais. Não se ouve, musicalmente, uma tentativa de repetir o desempenho de Continuum, John procurou outros caminhos para composições primas do álbum anterior, e isso foi positivo.

O cd abre com Heartbreak warfare e certo ineditismo em uma guitarra que remete a U2, e segue bem com All we ever do is say good bye e Half of my heart – momento Fleetwood Mac, com uma discreta participação da cantora country Taylor Swift. Who says, a quarta faixa, é uma ótima canção folk simples e direta, e foi o primeiro single do álbum. O miolo reserva os melhores momentos com Perfectly lonely, Assassin, Crossroads (cover do blueseiro Robert Johnson), War of my life e Edge of desire, esta uma das grandes músicas do álbum. Do you know me funciona como uma transição para a última faixa, Friends, lovers or nothing, composição inspirada, com um tema de guitarra marcante que fecha o pacote em tom de despedida.

Com o mundo pop hoje – aliás, até quando? – dominado pelos hip hoppers e cantoras corpulentas, John Mayer soa como um sopro de bom gosto. Está longe de ser original – e ele deve saber disso -, mas faz uma boa reciclagem de velhas ideias. No palco, sua música cresce, tem espaço para pérolas de Ray Charles e Jimi Hendrix, e uma guitarra em punho pronta para disparar solos a qualquer momento. Battle Studies é pop, mas não é ensolarado; é maduro, e vem afirmar a capacidade do artista de se recriar mostrando, mais uma vez, que John Mayer merece atenção.

Esse texto também está no Caixinha de Música. Uma parceria que vem pra somar. Entrem lá na caixinha também

4.2.10

+1 supergrupo


Depois do Them Crooked Vultures e o Chickenfoot ano passado, mais um supergrupo deve aparecer esse ano, o Black Country. Glenn Hughes chega com baixo, voz incrível, sua estrada nos anos 70 e seus devaneios black music; Jason Bonham é baterista de linhagem zeppeliana; Derek Sherinian, tecladista virtuoso, que segundo o press release está mergulhando no hammond; e Joe Bonamassa, guitarrista da nova geração de blues rock, que ainda deve dividir bons vocais com Glenn. O nome é inspirado numa região industrial da Inglaterra onde cresceram Bonham e Hughes e a produção está nas mãos de Kevin Shirley.

O grande problema de um caso desses -- e de qualquer supergrupo -- é a expectativa de público e crítica em achar que, pelas diversas bandas e passados envolvidos, aquilo que está surgindo tem o dever de mudar o rumo de algo. É (apenas) mais uma banda, um coletivo, um grupo que se juntou -- obviamente com suas bagagens musicais individuais -- para fazer música, na maioria das vezes com um objetivo de sair dos caminhos já seguidos por cada um. Essa conversa de esperar algo revolucionário caminha lado a lado com a frustração, sempre.


Na foto: Hughes, Bonham e Bonamassa.

2.2.10

Metallica de volta

O Metallica passou pelo Brasil, de novo, depois de 11 anos. Dessa vez, em sua melhor fase desde o álbum preto, quando conquistou o mundo. Death Magnetic, o último disco de inéditas, foi uma volta aos tempos áureos de metal pesado e bem trabalhado. James está melhor do que nunca, recuperado e sóbrio; Kirk e Lars parecem os mesmos de outros tempos; e o baixista Robert Trujillo traz uma energia renovada todos. O novo repertório praticamente ignora os álbuns Load, Reload e St Anger, resgatando músicas como Hit the lights, Ride the lightning, Blackened, Fight fire with fire, que estavam de fora das últimas turnês, e, com isso, fãs que tinham ficado pelo caminho. É bom ter (e ver) o Metallica de volta com essa força. A banda está renascida, com novas energias, e uma coisa, que já suspeitara ao ouvir o Death Magnetic, confirmei depois do show: tudo parece soar como um novo começo.