22.1.10

The Fall, de Norah Jones, por Monica Ramalho

Leitores imaginários: a partir de hoje o blog conta com a nobre colaboração de Monica Ramalho e o site Caixinha de Música -- entrem. É uma honra pro Som Imaginário, já que alguns devaneios meus devem tocar na Caixinha também. Deixo vocês com a Monica e suas impressões de The Fall, ótimo álbum que Norah Jones lançou no fim de 2009.

Norah passa os sentimentos a limpo

Há quem pinte, há quem escreva um conto, há quem beba veneno, há quem faça música. Terminar – ou começar – um relacionamento amoroso costuma deixar a imaginação dos criadores à flor da pele. Foi assim com a artista americana Norah Jones. E a moça transformou em canções parte de seus sentimentos sobre o fim de namoro (um longo namoro, diga-se, de sete anos) com o baixista e parceiro musical Lee Alexander. No árido roteiro de The fall (EMI, lançado há cerca de dois meses), Norah aparece triunfante, cantando demais como nos três álbuns anteriores, mas envolta numa certa aura de tristeza, latente nas letras e nas melodias apaixonantes de sempre. Em mais da metade do disco, ela se aventura com energia nas guitarras acústica e elétrica, além dos habituais piano e Wurlitzer, enquanto derrama o coração.

Em apenas uma frase, The fall deve ser escutado muitas vezes. Até porque é o suprassumo da vivência da cantora, inspirado no disco Mule variations (1999), de Tom Waits. Em entrevista ao repórter José Flávio Júnior, da revista Bravo!, Norah disse que "as pessoas têm aceitado bem" suas "mudanças e tentativas de experimentar coisas diferentes". Diz, ainda, que "foi divertido fazer 30 anos, mas também um pouco assustador. No fim das contas, envelhecer é muito bom. Você fica mais confiante". Será? (risos). Nascida em Nova York, a filha do tocador de cítara Ravi Shankar é mais conhecida nas bandas de cá pelas músicas que emplacou em novelas globais, como "Come away with me", de própria autoria, e "Don´t know why", do Jesse Harris, ambas gravadas no disco que transformou a garçonete em estrela, em 2002, com o aval do prestigioso selo Blue Note.

Foi justamente uma garçonete em trânsito que Norah interpretou no longa metragem My blueberry nights (por aqui, Um beijo roubado), dirigido por Wong Kar Wai em 2007. Fabulosa, a trilha sonora do filme abre com uma música da cantora feita sob encomenda, "The story". A menos que ocorra um milagre e o Brasil seja incluído de última hora na turnê de lançamento, teremos de nos contentar com The fall em disco. Uma pena, já que estamos diante de um super trabalho, com banda novinha em folha e roteiro impecável, trazendo autorais vibrantes, entre elas "Chasing pirates", "I wouldn´t need you", "Waiting", "You´ve ruined me" e ótimas parcerias - "Even though" e "Tell yer mama" (a primeira com Jesse Harris e a segunda, com Harris e Richard Julian), "Light as a feather" (com Ryan Adams) e "Young blood" (com Mike Martin). Vem, ainda, com seis faixas bônus, três delas regravações: "Jesus Etc", da banda de rock alternativo Wilco, "Cry cry cry", tema country de John Cash, e a balada pop "Strangers", de Dave Davies.

Por Monica Ramalho

17.1.10

Karmakanic


É fascinante o rock progressivo do Karmakanic; não vejo outra banda, hoje, que combine elementos como folk, rock e jazz tão bem, fora outros toques. No momento toca Let in Hollywood, música do último Who´s the boss in the factory?, álbum lançado em 2008 e que, apesar de fã do coletivo, só agora escuto com atenção. O Karmakanic é uma banda - com diversas colaborações - de Jonas Reingold, baixista do (outro progressivo) Flower Kings, que aqui, além de executar um baixo apuradíssimo, é produtor e principal compositor. O baterista Zoltan Csorsz, o guitarrista Krister Johnson e o vocalista Goran Edman completam o eixo principal.

Ainda sobre Let in Hollywood, que está no repeat: é uma música simples, apoiada num violão e numa batida rock quebrada de Zoltan. Goran Edman é um caso à parte: versátil, com dose de soul, dose de pop, e de rock, é um dos melhores vocalistas em atividade, talvez não tenha visibilidade e, por conta dessa falta, um reconhecimento merecido, mas certamente é uma das grandes vozes que tem por aí. No penúltimo álbum, Wheel of life, Goran provou essa qualidade acima da média; Where the earth meets the sky, por exemplo, é uma pérola que figura fácil com outras de gigantes como Yes, Genesis, King Crimson, Pink Floyd etc. A musicalidade do Karmakanic faz muito bem, merece atenção.

15.1.10

playlist do dia

Trilha sonora do dia, início de janeiro, início de 2010. Ainda sem destaques nesse início de ano. Ou seja, ouvindo uma playlist ainda bem 2009.

Maxwell, Phoenix rise. Curta faixa instrumental que fecha o último álbum desse excelente cantor de soul.

Beatlejazz, Give me love. Versão para a pérola de George Harrison, de uma coleção de 4 cds dos Beatles -banda e carreiras solo - em jazz.

Chris Botti, The look of love. Uma versão especial do trompetista para a música de Burt Bacharach. Altamente recomendável!

John Mayer, I´m gonna find another you. Bela balada bluesy que fecha o Continuum, grande álbum de John Mayer.

Eumir Deodato e Daniela Mercury, Conmigo. Os dois brasileiros tocando um tema de Ennio Morricone em um tributo ao maestro. É uma boa versão abrasileirada para o mestre.

Will Downing, Michelle. Cantor que ainda não fui fundo na obra, mas a voz cativa. Uma versão meio soul e jazz para Michelle. Beatles, sempre.

Peter Gabriel, Summertime. Ótima gravação do nosso bravo Peter em um tributo ao Gershwin.

Renee Olstead, Summertime. Mais uma ótima Summertime na super voz dessa Renne Olstead, que, em 2004, na época da gravação, tinha apenas 16 anos.

Joe Sample e Lalah Hathaway, One day I'll fly away. Música de Sample; aqui na voz de Lalah Hathaway num ótimo cd que os dois lançaram juntos anos atrás.

Peter Cincotti, I love paris. Grande dica de uma amiga no ano passado. Cincotti é exímio pianista e, nessa versão para Cole Porter, mostra toda classe também na voz.

Chris Botti, My one and only love. Mais uma do Botti. Aqui - acompanhado da magnífica Paula Cole - com uma das canções mais bonitas da música americana.

James Farrelli, In the air tonight. Não conheço o cantor, a não ser por essa música perdida num cd de 80's in jazz. Composição de Phil Collins, que aqui ganha uma elegante roupagem jazz.

10.1.10

Do you want the truth or something beautiful?

Estou escutando pela primeira vez o disco de Paloma Faith -- cantora que vem nessa leva pós-Amy Winehouse. Muitas surgiram depois que Back to black, de Amy, arrebatou o mundo, mas nem todas duram mais que 4 músicas. Adele, por exemplo, é das melhores da nova safra. Agora, essa Paloma Faith parece ser do mesmo time de Adele...e Amy, que mesmo não durando fisicartisticamente, já fez algo. A voz de Paloma em alguns (poucos) momentos encontra a de Amy, mas é positivo, a favor da música. No momento, toca New York, a sétima faixa de Do you want the truth or something beautiful?, o disco de Paloma, com título inteligente. Ela, visualmente extravagante, conquistou meus ouvidos com essa canção, que tem um encerramento luxuoso com um gospel choir. É cedo para falar do álbum, mas tem ótimos momentos, espero que dure.

9.1.10

Black Clouds & Silver Linings

no som: Black Clouds & Silver Linings, o último álbum do Dream Theater, que é sem dúvida um dos grandes momentos da carreira da banda. Acredito, depois de ouvir inúmeras vezes, que seja o melhor e mais completo disco desde o excelente Six Degrees of Inner Turbulence, de 2002, e faixas como A nightmare to remember, The best of times e The count of tuscany são exemplos. O equilíbrio entre a música pesada, o rock progressivo e a veia pop, está de volta e muito bem. Esse equilíbrio é o que diferencia o Dream Theater das demais bandas de música pesada das últimas duas décadas.

A impressão que dá é que a banda olhou mais para o próprio universo para buscar influências. Algo como voltar nos outros álbuns e buscar referências -- há muito do passado da banda presente nesse cd, isso foi fundamental. Nos álbuns anteriores, como Octavarium e Systematic Chaos, muita coisa de fora entrou na banda, de forma não muito positiva, como a forte influência do MUSE, que não bateu bem. São dois bons discos, com alguns ótimos momentos e outros nem tanto. É importante que algo esteja de volta agora, com esse Black Clouds & Silver Linings, que soa bem do início ao fim.

Felizmente, a banda está a caminho do Brasil em março com a nova turnê.

*John Petrucci em foto pescada no google.