28.4.09

Nina


Nina Simone em 71 lançou esse discão aí. Antenada na música da época, gravou "Here comes the sun", do beatle George, e com essa deu título ao disco. A segunda faixa é de Bob Dylan, a ótima "Just like a woman". Os arranjos são excelentes, orquestra e backings discretos dão o clima para Nina passear, como em "Angel of the morning", depois regravada (e estragada) aos montes. Gostei da capa, simples e, no vinil, principalmente, deve ser bonita. A versão de "My Way" que encerra o disco é curiosa e sensacional. Enquanto Nina canta como numa versão lenta e tradicional, a rhythm section parece tocar outra música, mais rápida, e o encontro é muito interessante.

25.4.09

poppower

Trabalhando numa seleção pop aqui para o Joaquina esbarro em ótimas músicas pop. O termo pop é pejorativo para muitos, virou sinônimo de música vendida. Mas ok, a quantidade de coisas ruins que surgiram nas últimas décadas (quase) engolem a boa safra de música pop das mesmas décadas. Na última semana, veio ao Rio, Burt Bacharach - o compositor americano que fez o pop perfeito. Seu pop tem jazz, Gerswhin e música brasileira.

Para citar alguns momentos recentes que inspiraram esse post: "Sunrise" do Simply Red é excelente, feita em cima do hit dos 80s "I Can´t Go For That", de Hall & Oates. É um dos grandes momentos do Simply Red, aquele pop com soul e black music, muitas vezes baba, mas com qualidade. Outra é "Talulah", do Jamiroquai, ótima canção pop e, como tudo que a banda faz, tem os dois pés na black music dos 70s. Aqui, sem as batidas da pista, mas com algo mais sensual, Marvin Gaye.

E outros: Seal com "Get it together", "Crazy", da dupla Gnarls Barkley, "P.D.A", de John Legend, e o single "Put Your Records On", que colocou Corinne Bailey Rae pra tocar no mundo, também valem. O pop poder ser bom, sim.

*Na foto, Jay Kay, o Jamiroquai em pessoa.

21.4.09

black clouds & silver linings

Tem algo de volta nas duas músicas que vazaram do novo disco do Dream Theater. É cedo para falar, mas desde o início quando saiu a capa, senti que algo estava voltando e, agora, com essas duas faixas, aumentei minhas apostas. Essa pequena amostra está soando como um cruzamento de discos como "Six Degrees of Inner Turbulence" e "Falling into Infinity", e isso é ótimo.

19.4.09

finalmente

"Live at Last" é o dvd que acaba de sair de Stevie Wonder. Com título sugestivo, o dvd traz em pouco mais de duas horas de show um repertório que passa pela história de Stevie e mais algumas surpresas, como a abertura com "All Blues" de Miles Davis e uma passagem instrumental no meio do set com "Spain", de Chick Corea. Está tudo lá, uma grande banda acompanhando Stevie Wonder num repertório impecável, que claro, em uma carreira como a dele, deixa muita coisa de fora. Ainda tem espaço para brincadeiras com a plateia, medley com Beatles e Stones, música com a sua filha Aisha Morris cantando e, na já citada "Spain", solos da banda. É o que se esperava de um dvd de Stevie Wonder e, mesmo assim, ainda é surpreendente. Vale muito.

17.4.09

So What

O lendário baterista Jimmy Cobb tocando o histórico "Kind of Blue" em um tributo aos 50 anos do disco que participou sob a batuta do grande Miles Davis, é verdade?

Sim. O Bridgestone Music Festival esse ano tem como atração principal a "So What Band", liderada por Cobb e que promete ser uma das grandes coisas de 2009. O nome foi tirado da primeira faixa de "Kind of Blue", aquela clássica da linha (clássica) de baixo. Lembro que comecei a ler o ótimo livro da história das gravações do disco antes de ouvir, e lá para a página 20, não tive escolha, comprei o disco e foi uma viagem sem passagem de volta. E Miles - de quem já havia ouvido e gostado muito do "Tutu" - passou a ser um dos meus grandes.

Voltando ao festival, esse ano a world music - que teve destaque ano passado - cede espaço à soul music. O pianista Robert Glasper, as cantoras Bette Lavete e Renée Marie, o trompetista Jeremy Pelt, e a dupla Tokumbo Akinro e Morten Klein, fundadores do grupo Tok Tok Tok, completam o elenco. Infelizmente não será dessa vez que o Rio verá o Bridgestone, mas ano que vem, quem sabe.

16.4.09

de volta

Transatlantic está de volta e deve lançar album em 2009. O supergrupo de rock progressivo é formado por Pete Trewavas, do Marillion, Roine Stolt, do Flower Kings, Neal Morse (ex- Spock's Beard) e o incansável Mike Portnoy, do Dream Theater. As (longas) músicas evocam o melhor de Yes, Genesis, Pink Floyd, Beatles...e muita coisa daquela época.




13.4.09

Nina

"Nina Simone: The Biography" está saindo lá fora. Escrita por David Brun-Lambert, a biografia conta em 368 páginas a história dessa que foi uma das maiores cantoras da história da música. A vida de Nina muito me interessa. "High Priestess of Soul", seu disco de 66, é meu disco de cabeceira.

A capa é belíssima com uma clássica foto de Nina cheia de vida. Nina subiu em 2003, aos 70 anos.

9.4.09

milton in jazz

A Biscoito Fino tomou a nobre iniciativa de lançar por aqui o disco de Milton Nascimento com os irmãos Belmondo. Gravado ano passado na França, o repertório traz clássicos da carreira de Milton em roupagem jazzística e ainda com orquestra. Lionel Belmondo (saxofone, clarinete e flauta) e Stéphane Belmondo (trompete) acompanham Milton numa viagem sonora e de muito bom gosto. O disco tinha ficado no mercado europeu e agora, em tempo, chega para os brasileiros. Viva Milton.

8.4.09

duas palavras

Imperdível.

Perdi.

6.4.09

radiohead

Todos os elogios exagerados em cima do Radiohead me distanciaram do som da banda ao longo desses anos. Apenas agora, depois de ouvir duas músicas do último "In Rainbows" e, me surpreender, resolvi ouvir o disco na íntegra. É o que faço no momento. Está na quinta faixa, "All I Need", tocando muito bem. A viagem é meio progressiva e cheia de cores. É preciso embarcar e deixar a música entrar.

Agora, depois de uma pausa para achar umas palavras de Mario Marques, do JB, já está na "Reckoner", a primeira que ouvi de fato e com os falsetes de Thom Yorke é uma das que mais gostei. Não conheço os outros discos do Radiohead, mas algo me diz que esse "In Rainbows" é o mais musical, viajante, progressivo, que me agradará mais. Não tenho interesse em avançar pela discografia.

Abaixo, as palavras excelentes de Mario Marques em sua coluna, dias antes da apresentação do Radiohead no Rio.

"E o Radiohead, o nome mais esperado no Brasil, hoje em dia faz... rock progressivo disfarçado no que a crítica, que não sabe como tachá-lo, classifica de experimental. Estamos mesmo numa entressafra. Não tem essa de que hoje não precisamos de artistas de arena. Que um Circo Voador basta. Não é. Caminhamos a passos largos para, no futuro, sonharmos com a música do passado, a boa. Seja progressivo, metal, jazz, rap, pop, blues, MPB, reggae e o escambau. Mas a boa."

5.4.09

hall of fame

Ontem, foi a cerimônia da entrada do Metallica no Rock n Roll Hall of Fame. Todos deram emocionantes discursos sobre estar ali e o que é o Metallica. James, Lars, Kirk e Rob, da atuação formação estavam (bem) acompanhados do ex-baixista Jason Newsted e o pai de Cliff Burton - baixista original que morreu na turnê do album Master of Puppets.

O Metallica fez história e, depois de albuns fantásticos na década de 80, com o album preto levou o Heavy Metal a outro patamar, levou o Heavy Metal ao mainstream mesmo sob críticas, fato é que a música pesada nunca mais foi a mesma depois daquele disco. Na noite de ontem, a banda ainda apresentou duas músicas, "Master of Puppets" e "Enter Sandman", as duas com Rob e Jason juntos no palco, dois baixistas, uma banda fantástica, em um momento para entrar para história. Vida longa ao Metallica.

1.4.09

rebel

Garimpando um dvd de mp3 que um amigo fez, encontrei John Miles no meio de várias coisas de jazz, achei que fosse um saxonofista ou um pianista que nunca tinha ouvido falar. Engano meu. Quando "Everybody Wants Some More" - comecei pela segunda faixa - entrou no som, soou ótima, um encontro daquela coisa songwriter de Billy Joel e Elton John com um rock setentista e um toque progressivo, com orquestrações e climas. Depois, com ajuda do Google, vi que a produção quem assina é Alan Parsons e, realmente, aquele lado progressivo tinha lembrado Alan Parsons Project. "Rebel", o tal disco de John Miles, é de 76, e deve ser mesmo daqueles ótimos discos que ninguém ouviu.