30.6.08

Led Zeppelin

Sempre admirei o Led Zeppelin, mas de longe. Nas últimas semanas, isso mudou, e, estou envolvido naqueles discos que fizeram Plant, Page, Jones e Bonham, serem considerados a maior banda da época.

Discos como "Houses of the Holy"(1973) são tão cheios de musicalidade que ao mesmo tempo que escuto, penso naquela época - Deep Purple e Black Sabbath eram grandes bandas de rock também, mas com um limite, um teto que os impedia de ir além, e isso, com certeza, o Led Zeppelin ultrapassou.

A prova disso é, "The Rain Song", com um violão belíssimo de Page e um arranjo de cordas do baixista, John Paul Jones.

"Physical Grafiti"(1975), por exemplo, é considerado por muitos, o disco definitivo e a bíblia do Rock, consultado por bandas ao longo dos anos. Está tudo lá, funk, rock, folk, heavy metal.

Já o baterista John Bonham, levou a bateria do rock a outro patamar. Muitos tentam até hoje conseguir aquele som tão cheio de vida e groove, mas com a naturalidade de Bonham, é impossível, não tem "Pro Tools" que ajude. Sua morte em 1980, fez com que a banda encerrasse suas atividades.
Mas a chama do Led ainda vive em trabalhos de Page e Plant, em discos-solo de John Paul Jones, e em eventuais reuniões - como a histórica que aconteceu em dezembro, com os três acompanhados de Jason Bonham (filho de John Bonham) na bateria.

* A foto de Page e Plant em ação, por volta de 1977, mostra bem o que era o Led no palco, um furacão musical. O Rock era outro.

* A capa aberta de "Houses of the Holy".



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"Kashmir", "The Rain Song", "Trampled Underfoot", "Stairway to Heaven", "Immigrant Song", "Thank You", "Whole Lotta Love", "Baby, I´m Gonna Leave You", "For Your Life".... são alguns exemplos do que ninguém fazia na época e nem foi feito depois.






22.6.08

Bridgestone Music

São Paulo recebeu nesse final de semana o festival Bridgestone Music, e tive o prazer de conferir os dois primeiros dias. No primeiro o piano jazz com Rachel Z e o senegalês Daby Touré (foto acima), no segundo dia, o hammond de Lonnie Smith e a música africana de Dobet Gnahoré.

A organização do festival - inédito por aqui juntando Jazz e World Music - estava excelente e a abertura de Rachel Z não poderia ter sido melhor. Seu repertório de uma hora de duração, passou por músicas como, "Confortably Numb" do Pink Floyd, "King of Pain" do Police, "ESP", tema de Wayne Shorter com momento para solos da excelente baixista, Maeve Royce e do baterista, Bobby Rae, este membro fundamental no projeto de Rachel.

As duas últimas músicas contaram com a participação do guitarrista brasileiro, Chico Pinheiro, que colaborou com sua guitarra jazz em "Love Will Tear Us Apart" do Joy Division e numa versão ótima de "Ain´t No Sunshine" de Bill Weathers, que fechou o show.
Rachel estava maravilhada em estar no Brasil e em ver aquele público em peso para conferir um show de jazz e world music.

Depois de Rachel, foi a vez de Daby Touré entrar no palco e ser ovacionado ao lado de seu grupo. Ao longo do espetáculo, o senegalês (nascido na Mauritânia na verdade, mas criado no Senegal) mostrou um ritmo impressionante e acompanhado de quatro excelentes músicos fez o Citibank Hall levantar para cantar e aplaudir de pé um show com musicalidade muito acima da média. Touré surpreendeu a todos.

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No segundo dia, a abertura ficou com o órgão do simpático Dr. Lonnie Smith (foto). Acompanhado de um super baterista de Jazz e um guitarrista, Lonnie impressionou com seus grooves e em dois temas mais calmos e muito bonitos.

Lonnie fez um show impossível de expressar em palavras, cheio de improvisos e momentos ricos com muita espontaneidade, talvez, a palavra chave que marcou seu show.
Ainda teve espaço para uma rápida citação a "You´re The Sunshine Of My Life" de Stevie Wonder e uma versão de "Come Together" (Lennon/McCartney) com groove e bom humor.

Um momento interessante foi quando Lonnie afastou o banco, agachou para tocar os pedais do baixo do órgão com as mãos e fez um solo impressionante.

Quem tocou em seguida foi a africana, Dobet Gnahoré com uma banda espetacular e com muita explosão musical assim como Daby Touré na noite anterior. Dobet ainda impressionou a todos com sua dança africana.
Ontem, ainda teve festival com o pianista Vijay Iyer e a cantora argelina, Souad Massi.

Um agradecimento especial ao produtor Toy Lima e também um parabéns pelo brilhante festival que segundo ele, pode ganhar edição no Rio de Janeiro em 2009. Toy ainda disse que a idéia básica do festival é fazer com que as pessoas distantes do Jazz se aproximem do estilo e ainda abram a cabeça para a (rica) World Music. Muito válido!

16.6.08

M, M e M

O Metallica finalmente divulgou o título do novo disco que sai em setembro. "Death Magnetic" é o nome do lançamento que parece trazer o bom e velho Metallica de volta.

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A segunda dose de Milton Nascimento + Jobim Trio no Canecão foi excelente. O show com repertório envolvendo clássicos da Bossa Nova e também da carreira solo do cantor foi ainda melhor que no início da turnê no Mistura Fina. As luzes e o som estavam excelentes.
É possível que um DVD desse encontro seja registrado.

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A banda inglesa MUSE finalmente divulgou as datas da turnê no Brasil.

30/07 - Rio de Janeiro - no Vivo Rio
31/07 - São Paulo - no HSBC Brasil
02/08 - Brasília - Festival Porão do Rock

12.6.08

Obra perfeita

Saiu na Europa, o novo disco de Milton Nascimento em parceria com os irmãos Belmondo - Stéphane Belmondo, trompete, e Lionel Belmondo, sax e clarinete - super conceituados no mundo do jazz europeu.

Se no rencete "Novas Bossas", Milton ao lado do Jobim Trio economizou nos arranjos, nesse "Belmondo & Milton Nascimento", o conceito é outro, Milton com a ajuda dos imãos franceses vestiu sua obra de forma jazzística com acompanhamento de uma "jazz orchestra".

Os arranjos estão belíssimos e certeiros para Milton fazer sua voz soar perfeita em um repertório de sua fase gloriosa nos anos 60 e 70, para citar algumas: "Ponta de Areia" (abrindo e fechando o disco), "Canção do Sal" em uma versão cheia de jazz, "Milagre dos Peixes", "Morro Velho" e "Nada Será Como Antes".

Depois de ouvir o disco, a sensação que fica é que poderia ser tranquilamente um disco duplo com outras músicas de Milton que cairiam muito bem ao formato idealizado pelos Belmondo. E o mais importante, Milton acertou em cheio, ainda mais que no "Novas Bossas".

Nesse com os "Belmondo", sua música ganhou muita vida e foi revisitada com estilo, deixando o repertório com cara de novidade.
Viva Milton!

O ponto negativo é que por enquanto, o disco só saiu na Europa.

11.6.08

Dr. Lonnie Smith


O papa do Hammond, Dr. Lonnie Smith, toca no próximo dia 20 no Bridgestone Music Festival em São Paulo acompanhado do guitarrista Gregory Allan e do baterista Herlin Riley que já integrou a banda de Wynton Marsalis.

Nascido em Nova York, Lonnie gravou os dois primeiros discos no quarteto de George Benson e em 1967 gravou seu primeiro disco solo, o excelente "Fingers Lickin Good" cheio de grooves e ótimos temas. O organista continou gravando nos anos 70, parou nos anos 80 e voltou a fazer coisas interessantes na década de 90 como, por exemplo, dois tributos ao guitarrista Jimi Hendrix e mais recentemente, gravou uma homenagem ao cantor pop Beck.

No site do festival é possível assistir a um vídeo de Lonnie tocando uma versão Jazz Funk de "Come Together" dos Beatles, é só acessar www.bridgestonemusic.com.br .

10.6.08

Mergulho nos 70s

O meu mergulho nos anos 70 que começou já tem um tempo, está ficando cada vez mais profundo e interessante e não pretendo subir de volta, nunca mais. Hoje, "Blow by Blow" (1975) do guitarrista Jeff Beck, tocou por aqui umas 7, 8 vezes seguidas e como todas as vezes que me deparo com algo assim, pergunto:

"Onde estava eu que não estava ouvindo isso?"

Um Jazz Rock da melhor qualidade e ainda com produção de George Martin que acrescentou orquestrações geniais nas músicas, umas de Beck, outras duas de Stevie Wonder e uma da dupla Lennon e McCartney. Excelente e fundamental.

8.6.08

Parsons Metal

Ontem, mesmo sem "Trust", o Megadeth fez um show excelente no Citibank Hall. Curto, aproximadamente uns 80 minutos, mas direto, rápido e pesado. Dave Mustaine - de poucas palavras no palco - é quem carrega a banda ao longo de mais de duas décadas e ultimamente está com muita vida e novos (bons) músicos na formação.

O som não estava legal e isso parece que vem sendo problema nos últimos shows - em São Paulo, a banda saiu do palco por 20 minutos, após a quarta música. Aqui no rio, a bateria muitas vezes ficava sem pressão, engolida pela massa de distorção vinda principalmente da guitarra de Mustaine, muito mais alta que a de Chris Boderick.
No final das contas, faltou muita coisa, mas mesmo assim, um excelente show.

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Na quinta-feira passada, "Parsons Dance", espetáculo de dança do americano David Parsons lotou o Teatro Municipal, com um espetáculo que tinha no programa:

Miles Davis com "So What", Beatles com "Within You, Without You", George Harrison com "My Sweet Lord", uma sequência de Dave Matthews Band, Robert Fripp e principalmente Milton Nascimento com coisas do "Clube da Esquina" e também uma peça escrita especialmente para a companhia de David Parsons, de quem Milton é muito amigo.

4.6.08

Notas rápidas

Neste sábado dia 7, o heavy metal do Megadeth passa pelo Rio de Janeiro divulgando a turnê do último disco "United Abominations". O líder Dave Mustaine não vai deixar de fora do repertório pérolas, como: "Tornado of Souls", "Holy Wars", "Trust" e "Sweating Bullets".

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O Canecão recebe nos dias 12, 13 e 14, Milton Nascimento e Jobim Trio + Rodrigo Villa. O show do novo disco "Novas Bossas" já passou em algumas cidades do Brasil e está voltando para o Rio, é imperdível - e os preços, agora melhores do que na estréia no Mistura Fina.

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Glenn Hughes lançou mês passado, seu novo disco "FUNK", um disco nos moldes do "Feel" (1995), ou seja, a fórmula Rock + a black music de Stevie Wonder que tanto influencia Glenn.
Os últimos lançamentos de Glenn não foram tão interessantes e para deixar a coisa melhor, algumas músicas como a "We Go To War", contam ainda com naipe de sopros.
No disco, novamente ele tem a colaboração do baterista Chad Smith, do Red Hot Chilli Peppers.

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Essa semana, Paul McCartney fez um show na cidade de Liverpool - em uma nomeação da cidade como "Capital Européia da Cultura" - e surpreendeu a todos quando na parte final do espetáculo tocou "A day in the life", cantando também as partes de John Lennon e para completar no final da música citou "Give Peace a Chance" de John, com o público emocionado.

"A Day in the Life" é a música que fecha o clássico "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" de 1967 e afirma a inovação musical do quarteto ao lado dos arranjos de George Martin.