30.5.08

Car


Essa é a capa do primeiro disco de Peter Gabriel que sem título ganhou o nome de "Car"(1977) pelo público e imprensa.

No último disco dele no Genesis, suas idéias não pareciam mais bater com o progressivo do grupo e isso ficou claro, com esse primeiro vôo solo.

É um repertório eclético e com intervenções de programações eletrônicas que Peter usaria bastante mais pra frente em sua carreira.
A abertura é genial com a estranha "Moribund The Burgermeister" e depois o disco passeia por diversos estilos, como o hit "Soulsbury Hill", "Excuse Me" e o final com a linda e mais progressiva "Here Comes The Flood".

Ontem assistindo a um show da turnê "Still Growing Up", de Peter, percebi certa semelhança nos arranjos para banda dele com a de Lenine ao vivo, vi ali uma conexão nos "grooves", principalmente no trabalho de bateria e baixo.
Pode parecer estranho, mas é verdade, e uma coisa é certa, os dois tem grande admiração e influência da "world music".

27.5.08

Leão do Norte

Lenine é com certeza um dos músicos mais criativos da nova geração da MPB. Mesmo com uma fórmula que se repete um pouco, ele consegue ser único e mais interessante que os outros da nova safra, como Paulinho Moska, por exemplo.

Este Acústico MTV, quando foi anunciado, achei que seria difícil de chegar perto do sensacional "In Cité" que foi lançado anteriormente.
Isso fez com que meu interesse pelo material praticamente não existisse, assisti uma vez e "ok, é bom". Afinal, o "In Cité" é uma aula de música.

Mas ontem, o dvd rodou do início ao fim e é sensacional.
A banda de Lenine é ótima e faz com que sua música - que já soa bem nos discos de estúdio - ganhe muita vida no palco.

O cenário é muito bonito, os arranjos de Ruriá Duprat - sobrinho do maestro da tropicália, Rogério Duprat - para orquestra são suaves, bem feitos e as participações também são de bom gosto, como Richard Bona e a mexicana Julieta Venegas, na ótima "Miedo.

O DVD tem extras muito bons e é um registro importante da obra de Lenine, que tem muito a contribuir com a música brasileira. E um ponto positivo de Lenine é trazer influência da música nordestina e dessa linguagem para sua música, sem deixar que fique 100% regional.
Sua música vai muito além.

18.5.08

Música do Mundo

Peter Gabriel (foto) faz muito pela chamada World Music. No final da década de 80, criou o selo RealWorld e assim possibilitou que artistas africanos e asiáticos, por exemplo, gravassem e lançassem seus discos, ao invés de tentar o inalcançável mercado americano e europeu.
Fora isso, Peter sempre trouxe para seus discos participações desses artistas e influências de suas culturas, como aconteceu com o senegalês Youssou N'Dour.

Esse ano, finalmente, o Brasil ganha um festival de World Music .
O festival Bridgestone Music acontecerá na cidade de São Paulo e receberá artistas de outros cantos do mundo, de alto nível musical, mas que nem sempre estão na luz dos nossos holofotes.

O elenco do festival que acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de junho no Citibank Hal é formado por: Rachel Z, a argelina Souad Massi e grupo, Daby Touré, o norte-americano Lonnie Smith, o indiano Vijay Iier e Dobet Ghanoré, cantora da Costa do Marfim.
A pianista Rachel Z - que gravou um tributo a Wayne Shorter -, integrou a banda de Peter Gabriel nos últimos anos e vem com seu trio de Jazz contemporâneo que tem o atrativo de fazer versões para artistas como The Police e Alice in Chains.


Dr. Lonnie Smith (foto) que já gravou discos pela Blue Note na década de 60 e 70 e já fez parte do grupo de George Benson, vem com um trio que é completado por um guitarrista e um baterista.

Tomara que dê certo essa iniciativa de trazer artistas de outras partes do mundo para cá e quem sabe o festival aconteça em outras cidades.

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O já estabelecido festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras acontece na semana que vem e tem John Scofield, Russell Malone e Vernon Reid como nomes. Outro festival novo e interessante, o "Música em Cena", que aconteceu em maio do ano passado e trouxe o "gennio" Morricone, esse ano não deu sinal de vida, uma pena.





14.5.08

Pizzarelli no Mistura

De última hora, fui conferir hoje a primeira sessão de John Pizzarelli no Mistura Fina e foi espetacular, um show excelente com uma banda afiadíssima formada por Tony Tedesco na bateria - com um swing de primeira quando o assunto foi bossa nova -, Martin Pizzarelli seguro no baixo e no piano, um músico incrível chamado, Larry Fuller, que solou como ninguém e foi apresentado muitas vezes por Pizzarelli.


O repertório foi impecável passando por "Lady Be Good", onde Pizzarelli fez um solo de arrepiar qualquer um, "Witchcraft", "I've Got You Under My Skin", uma bossa-novista "Here Comes The Sun", "And I Love Her", "Garota de Ipanema", "Só Danço Samba" e fechou com "Night and Day".
Com muitos solos e improvisos de Pizzarelli, Fuller e do baterista Tony Tedesco, o público do Mistura Fina teve uma noite de jazz de primeira categoria.

Muito simpático, Pizzarelli brincou muitas vezes com a platéia e a banda, e se mostrou totalmente à vontade. Um show memorável e de muito bom gosto.

O shows continuam no Mistura Fina até o dia 17, com duas sessões por noite.
Imperdível!

13.5.08

Metallica de volta

Ontem, dia 12 de maio, o Metallica lançou na internet o site missionmetallica.com.

O Metallica se encontra em estúdio junto com o produtor Rick Rubin gravando o sucessor do (bom e mal compreendido) "St. Anger" de 2003, e esse processo final de gravação do disco pode ser acompanhado pelos fãs através do novo site que está no ar.

Depois do "Black Album"(1991), o Metallica passou a ser alvo constante de críticas com "Load" (1996) e "Reload" (1997), que são bons discos e tem suas ótimas músicas - mesmo totalmente distantes do Metallica dos anos 80. Mas a verdade é que a banda sempre teve identidade e nunca perdeu isso, apenas apostou em outras formas de passar sua música. Público e crítica gostando o não.

O novo site já tem dois videos que contém trechos (muito) pequenos das novas músicas, mas o suficiente para ver que essa história de Rick Rubin ter falado para a banda escutar novamente seus clássicos, confere. Eles estão de volta e na melhor forma.

Agora, é acompanhar pelo site e esperar.

10.5.08

Silent Lucidity


Com 4 de seus integrantes originais - Chris de Garmo, principal compositor do grupo não está mais na formação -, o Queensryche fez um ótimo show no Rio de Janeiro para um Citibank Hall vazio, reflexo da má organização que agendou o show para o dia seguinte do Whitesnake.

A banda entrou com "Best I Can" do clássico "Empire" (1990) - que foi representado em peso com suas melhores canções, "Another Rainy Night", "Anybody Listening", "Jet City Woman", "Silent Lucidity" (que ganhou mais ao vivo mesmo sem as cordas de Michael Kamen da original) e a sensacional faixa-título.
O som estava excelente e desde o início era possível escutar cada instrumento e a voz de Geoff Tate estava impecável do começo ao fim, assim como os backings vocals.

A banda estava fazendo uma turnê apresentando na íntegra as duas partes do "Operation MindCrime", mas no repertório do Brasil, selecionou clássicos de forma criteriosa e o show foi uma aula de música pesada e consciente.
Passando ainda por músicas como "Bridge", "Walk in the Shadows", "Neon Nights" do Black Sabbath e a clássica "Take Hold To The Flame", o Queensryche foi longe e quem estave lá, cantou e aplaudiu a banda com entusiasmo.

Diferente do clima hard rock mais de festa da noite do Whitesnake, com o Queensryche a coisa ficou mais séria e isso refletiu na qualidade do som.
Foram dois grandes shows, cada um no seu estilo. Mas com os ingressos nesses preços abusivos, shows de mesmo público em dias seguidos é uma atitude totalmente equivocada.


8.5.08

Burn

Ontem, David Coverdale mostrou que apesar de não ter mais o alcance vocal de outras épocas ainda tem força para um grande show de rock. Ao lado de sua (boa) banda que conta com a dupla de guitarristas Reb Beach e Doug Aldrich, abriu o show com a excelente "Best Years" do novo "Good to be Bad"(2008) e seguiu por clássicos da carreira do Whitesnake como "Fool For Your Loving", "Love Ain´t No Stranger", "Gimme All Your Love" e "Still of the Night".

No fim do show, Coverdale lembrou sua época no Purple, cantando sozinho "Soldier of Fortune" e depois incendiando todos com "Burn" que no meio teve um pouco de "Stormbringer".

A banda está com força para mais alguns anos de estrada e foi notável a diversão de todos no palco, principalmente de Coverdale que gritou muito e agitou o público que respondeu bem.
Como todo show de hard rock, o momento solo/duelo de guitarras e de bateria foi dispensável, mas não deu tempo de incomodar.

Hoje o grupo norte-americano Queensryche traz seu repertório de sucessos e também os covers do último disco "Take Cover" (2007), que tem: "Red Rain" do Peter Gabriel e "Welcome to the Machine" do Pink Floyd, em boas releituras.

7.5.08

Bona


Conheci Richard Bona através da sua participação no acústico do Lenine um tempo atrás, quando fui procurar saber sobre ele, me deparei com um dos músicos mais talentosos da atualidade, acompanhando nomes de peso como o guitarrista fusion Mike Stern.

Bona nasceu no Camarões e começou no violão até escutar um disco do baixista Jaco Pastorious numa leva de discos de Jazz que um francês deixara com ele, o que mudou sua vida e seu instrumento, Bona hoje é um baixista completo e de alto nível.

Mais tarde Richard Bona foi tentar a vida na França e conseguiu um primeiro trabalho com o tecladista Joe Zawinul (Miles Davis, Weather Report) e então o mundo da música se abriu para o talento do camaronês.

Seu último disco "Tiki" de 2006 é uma mistura de pop e jazz com base e canto afro. Há também uma forte conexão com o Brasil através de participações de Toninho Horta, Marcos Suzano, Djavan e Hélio Delmiro.
Todas as músicas são de autoria de Bona e cantadas em seu idioma afro, exceto "Three Women" que é de Jaco.

Bona é muito musical e sabe das coisas, tem sua identidade.